Guerra por “terras-raras” já é fato: saiba o que é e como afeta você

Segundo a edição de 31/05 do Financial Times, a Vale, a maior produtora de minério de ferro do mundo, está se preparando para explorar os metais de terras raras, em um momento em que o Brasil tenta competir com a China para fornecer estes que são alguns dos elementos metálicos mais procurados no planeta.

Os preços dos metais de terras raras, como o óxido de cério, quintuplicaram desde janeiro, depois que a China, que produz 97% desses elementos, começou a reduzir as suas exportações. O Brasil conta com amplas reservas de metais de terras raras, o que possibilita que o país venha a se tornar um exportador importante no futuro, bem como um fornecedor para a sua incipiente indústria tecnológica.

Mas a importância estratégica e econômica das Terras Raras vai muito mais além, entenda porquê:

Os elementos conhecidos como “terras raras” contam 17 no total, e variam do cério e disprósio ao túlio e ítrio. O principal fornecedor mundial é a China mas quem quiser adquirir por outras fontes terá de arcar com um custo para extração proibitivo pois devem ser minerados no fundo do mar, sob alguns quilômetros de água.

Os elementos que constituem o grupo das terras raras foram inicialmente isolados sob a forma de óxidos, recebendo então a designação de “terras”, à época a denominação genérica dada aos óxidos da maioria dos elementos metálicos. Por apresentarem propriedades muito similares, serem apenas conhecidos em minerais oriundos da Escandinávia e por serem de difícil separação, foram considerados “raros”, daí resultando a denominação “terras raras”, ainda hoje utilizada, apesar de alguns deles serem comparativamente abundantes na composição crustal da Terra.

Suas propriedades únicas levaram a seu crescente uso em muitas tecnologias da vida moderna. E o por quê de uma guerra? Simples, a produção de terras-raras no mundo não é suficiente para atender a demanda e suas aplicações crescem cada vez mais: Elas incluem ímãs, lasers, fibra ótica, drives de discos de computadores, lâmpadas fluorescentes, baterias recarregáveis, conversores catalíticos, chips de memória de computadores, tubos de raio-X, supercondutores de altas temperaturas e as telas de cristal líquido de televisões e monitores.

A produção mundial é de 124.000 toneladas por ano (ton/ano), enquanto a demanda atual ultrapassa 134.000 ton/ano, crescendo até 200.000 em 2014. Como projetos de mineração demoram para iniciar a produção, a expectativa é de que a produção não ultrapasse os 160.000 ton/ano no período, potencialmente provocando escassez de recursos.

A China, que controla cerca de 97% das reservas mundiais, bloqueou as remessas, disparando alarmes políticos ao redor do mundo e uma corrida por alternativas. O embargo foi cancelado no fim de outubro de 2010, mas a caçada por novas opções continua.

Alarmado pela decisão da China de cortar embarques de metais cruciais para as empresas de alta tecnologia e montadoras, o Japão está se mexendo para buscar suprimento alternativo, particularmente com o desenvolvimento de novas minas no exterior.

Rápida elevação da cotação das terras raras

Ouro e cobre são apenas alguns dos minerais que a China foi autorizada pelas Nações Unidas a explorar, numa zona de fundo marinho definida como de domínio internacional. Os outros objectivos desta mineração feita junto a chaminés hidrotermais (formações onde a água é expelida a alta temperatura) são as terras raras.

A Geological Survey descreve os raros elementos como “essenciais para centenas de aplicações” e prováveis candidatos a um “crescente conjunto” de produtos de alta tecnologia. Carências de abastecimento que se estendem por muito tempo, segundo advertiu a agência num relatório, “forçariam mudanças significativas em muitos aspectos tecnológicos da sociedade americana”.

No Brasil
A primeira grande fonte mundial desses elementos foi encontrada no Brasil. A exploração das areias monazíticas, localizadas nas praias de Cumuruxatiba-Bahia, começou em 1886, para atender à demanda por produção de mantas incandescentes de lampiões a gás.

O país foi o maior produtor mundial da indústria mineira de terras-raras até 1915, quando passou a alternar essa posição com a Índia durante 45 anos. Ainda assim, o país deixou de lado a produção dos concentrados de terras-raras em 1995, quando produziu 110 toneladas de óxidos. Hoje, a sua única usina de produção está fechada.

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Uma resposta to “Guerra por “terras-raras” já é fato: saiba o que é e como afeta você”

  1. Governo quer criar politica para exploracao de terras-raras: conheça melhor esses valiosos minerais « Eco4u Says:

    […]  Saiba mais sobre o assunto e sua importância em nossa vida no artigo “Guerra por “terras-raras” já é fato: saiba o que é e como afeta você” […]

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