Chapada dos Guimarães inaugura “Sensitrilha” para deficientes visuais

Caminho no meio da mata foi preparado para deficientes visuais. Ideia deve ser levada para outros destinos

Sensitrilha oferece guias especializados para orientar deficientes visuais - Foto: Sebrae

“Aqui você abre sua percepção para outros sentidos como o tato, olfato e audição”, observa o músico Marcelo Ometto, mestrando em Ciências da Educação e deficiente visual com baixa visão, após percorrer a Sensitrilha.  Desenvolvido pelo Sebrae em Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento do Turismo (Sedtur) do estado e a Prefeitura de Chapada dos Guimarães, o caminho tem 440 metros, no meio da mata.

A primeira parte da trilha tem declive de 3,8 metros na primeira parte do percurso e 4,5 metros na etapa final. A pista é dotada de sinalização tátil e cordões-guia, com travessia em ponte pênsil e 32 espécies da flora nativa do Cerrado mato-grossense descritas em braille. A diretora do Sebrae em Mato Grosso, Eneida Maria de Oliveira, explica que o objetivo é a formatação do produto turístico para depois a ideia ser levada a outros lugares do País. “Estamos testando o produto com os deficientes visuais. Eles é que vão dizer o que pode ser melhorado para que a Sensitrilha seja, depois, apresentada ao mercado nacional”, observa.

Localizada no empreendimento Espaço Chapada Aventura, no Vale da Bênção, a 4 Km do centro de Chapada dos Guimarães, o teste da primeira trilha do gênero no estado foi feito por um grupo de portadores de deficiência visual (cegos e pessoas de baixa visão) com apoio do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Casies). Com 2% da visão, Jackson Mercado Freitas, pedagogo especializado em educação especial, aprovou a Sensitrilha. “É um avanço espetacular que acontece em Mato Grosso. A gente percebe que cidades como Cuiabá, por exemplo, têm acessibilidade para deficientes físicos, mas não contemplam o deficiente visual”, pontua.

“Essa árvore aqui é um ingá”, diz o estudante Carlos Augusto Rodrigues, 17 anos, que perdeu a visão aos 13. “A gente é capaz de fazer todas as coisas, melhor até que um vidente. Eu gosto da natureza e hoje vou conhecer melhor algumas plantas”, disse. A coordenadora do Casies, Silvana Consuelo, observa que, para o grupo, percorrer as trilhas é um desafio muito animador. “Para nós é um primeiro passo no sentido de abrir em Mato Grosso o turismo de acessibilidade. Todos querem experimentar e o próximo passo será nas cavernas”, disse.

O coordenador de Turismo Rural da Sedtur, Geraldo Lúcio, explica que a preocupação foi desenvolver um projeto piloto pautado pela ótica da inclusão. “Testamos primeiro aqui e vamos, depois, mostrar ao Brasil e ao mundo”, disse. O vice-prefeito de Chapada dos Guimarães, Elias Santos, percorreu a trilha com os olhos vendados. “Quis sentir o que uma pessoa com deficiência visual sentiria. É uma sensação de dependência e, ao mesmo tempo, de liberdade”, frisou.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias – ASN

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