Caso Chevron aumenta o temor da exploração do pré-sal: poderemos limpar a sujeira do nosso litoral?

Foto da NASA da área do vazamento de óleo do campo do Frade, na Bacia de Campos, destacando a macha no oceano

Muito se fala em “vazamento de petróleo” no caso da Chevron no litoral do Rio de Janeiro mas pouco é dito sobre “desastre ambiental” nesse caso. E a parte mais importante desta estória é sujeira e a cicatriz que ficará em nosso litoral durante anos. Sim, foi um tremendo desastre ambiental: desde o dia 8, quando é estimado o início do vazamento, a agência nacional do petróleo (ANP)  calculou uma média de que 330 barris tenham vazado por dia, chegando a 3,3 mil de barris até ontem, dia 24/11. O óleo não está nas nossas praias, não ainda, mas prejudicará a vida marinha na região de forma incontestável.

Nove perguntas ao governo e à Chevron que deveriam ser respondidas à população, publicadas pela Agência Brasil hoje, 25/11:

1 – Quais as medidas previstas pela empresa para o caso de acidentes como esse contidas no Relatório de Impacto Ambiental apresentado pela Chevron em 2007 ao Ibama?

2 – O que diz a legislação brasileira sobre o assunto? De quem são as responsabilidades de outorga, de fiscalização e de prevenção?

3 – Quais são e o que falam os decretos e portarias que regulamentam a concessão, a prospecção, a exploração e a operação de poços de petróleo?

4 – O que foi feito do Plano Nacional de Contingência para Derramamento de Óleo, que deveria ter sido entregue Congresso Nacional ainda em meados de 2010?

5 – Quem são Chevron e Transocean – qual é a história destas empresas em termos de exploração de petróleo e de acidentes ocorridos?

6 – Quais são os procedimentos técnicos para exploração de petróleo?

7 – O que significa o Daily Drilling Report, uma espécie de “diário de bordo” da  perfuração, onde são registrados todos os acontecimentos e medições da  perfuração. Os diâmetros de furo, a instalação de sapatas provisória e  definitiva na boca do poço, os incidentes de percurso, como as perdas de  colunas de perfuração – que não são raras – a sua recuperação ou  eventual abandono, tamponamento e desvios de rota de perfuração, os testes  de injeção de pressão e os encontros com rochas impregnadas de petróleo, tudo com data, hora e ações adotadas.?

8 –  E o Cement Bond Logging, uma avaliação da resistência e homogeneidade do cimento  injetado para fixar as sapatas presentes a cada mudança de diâmetro do furo  de exploração e que deve preencher todo o espaço entre o furo (mais largo)  e os tubos que fazem o poço propriamente dito, além de formarem uma sapata  de sustentação de cada setor da tubulação telescópica. O cimento, injetado pelo  tubo, sobe pela parte externa deles, formando uma parede que evita que a  pressão externa “amasse” a tubulação e ainda que o óleo possa subir  pelo vão entre a parede de perfuração  e o lado de fora da tubulação, indo por aí até a superfície do solo marinho, ou subir até lá se  infiltrando em fendas do próprio solo?

9 – No Brasil quem são os especialistas que podem seguramente falar sobre isso?

Somente no dia 18/11 a Agência Brasil foi ouvir o professor Segen Estefen, diretor de Tecnologia e Inovação da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe) que informara que o Brasil não tem um plano eficaz de contenção de vazamento de petróleo em alto-mar.

Algumas das respostas a essas perguntas não estavam em alto mar, mas aqui na terra, o tempo todo. Elas constam do artigo A Chevron e suas declarações vazias (3), divulgado dia 21 de novembro, justamente por aqueles que estão cotidianamente envolvidos na exploração de petróleo: os representantes do Sindicato dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet .

Segundo Fernando Siqueira, presidente da Aepet: “mesmo já tendo alguns poços em produção, o que fornece a pressão no reservatório, os engenheiros erraram no dimensionamento da densidade da lama de perfuração quando chegaram à zona produtora do reservatório, após 60 dias de perfuração, eles perceberam um Kick de pressão (com perigo de perda de controle do poço), em função, provável, de lama mais leve do que o necessário.”

Continuando, o engenheiro explica: “Depois erraram na injeção de lama mais pesada, com pressão acima do suportável pelo reservatório e fraturaram o seu reservatório. Afobados, começaram a injetar uma lama mais densa para controlar o poço. Só que, ao injetar essa lama eles o fizeram com pressão mais elevada do que o invólucro selador do reservatório suportava e, assim, causaram a fissura do mesmo. Portanto, uma sucessão de erros operacionais cometidos e não confessados.”

Por último, Fernando Siqueira informa: “Segundo o Wall Street Journal, a plataforma que está perfurando, é uma plataforma improvisada. Era obsoleta e funcionava como flotel (hotel flutuante) no Mar do Norte; Foi “armengada” e foi alugada por U$ 315 mil por dia. Uma plataforma moderna e adequada para essa atividade custa cerca de U$ 700.000 por dia. No inicio, a Chevron tentou por a culpa na Petrobrás insinuando que o vazamento era do campo de Roncador. Foi preciso o Cenpes analisar o óleo para verificar o DNA do mesmo e identificá-lo como do campo de Frade, desmentindo os irresponsáveis.”

Que fique a lição aprendida antes de nos lançarmos à exploração desenfreada do pré-sal para que não tenhamos outro episódio com sabor amargo: qualquer falha na exploração do pré-sal causará sempre um dano irreparável.

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