Nanopartículas despoluindo água ou na extração limpa de minérios: nanotecnologia a serviço do meio ambiente

No Laboratório de Química Supremolecular e Nanotecnologia (LQSN) do Instituto de Química (IQ) da USP pesquisadores realizam diversos estudos envolvendo as nanopartículas, estruturas cem mil vezes menores que a espessura de um fio de cabelo que podem ser utilizadas pela física, medicina, indústria petroquímica e metarlúrgica. “São infinitas as aplicações”, afirma o coordenador do laboratório, o professor Henrique Eisi Toma.

O LQSN conta atualmente com um grupo de 25 pesquisadores, entre doutorandos, pós-doutores e alunos de iniciação científica. Uma de suas pesquisas mais extensas utiliza nanopartículas feitas de magnetita, material que, quando na forma nanométrica, se torna um super-ímã. “Ele pode ser injetado para fazer tomografias, pode ser utilizado no transporte de medicamentos, são possíveis inúmeras aplicações”, conta o professor. Uma aplicação estudada por ele seria na área petrolífera. “Não somos capazes de extrair das pedras 70% do petróleo, mas com as nanopartículas, pode ser possível tornar o petróleo magnético e movimentá-lo”. Em uma pesquisa financiada pela Petrobrás, ainda em fase inicial, Toma verificará como se pode empurrá-lo para fora da pedra.

Testes em laboratório também verificam a possibilidade das nanopartículas ajudarem na despoluição de rios “É possível colocá-las na água poluída para que elas se liguem às partículas de poluentes. Utiliza-se então um ímã para atrair as nanopartículas com os poluentes grudados a elas”, explica o professor.

Extração mineral limpa

Uma das aplicações mais revolucionárias das nanopartículas é no campo da exploração mineral. “Hoje, quando se extrai cobre, é preciso jogar ácido ou bactérias no minério, para que saia um líquido contendo o cobre. Esse líquido vai para um tanque em que se jogam solventes, reagentes e extrai-se o cobre, que vai em seguida para uma câmara, onde recebe um potencial e torna-se metálico”, descreve o professor. Porém, com o uso de nanopartículas magnéticas, esse processo pode ser reduzido a uma única etapa. “É possível colocá-las no minério de cobre para que se grudem ao material, então se aplica um potencial e o cobre se torna, instantaneamente, metálico”.

O processo é nomeado de “nanohidrometalurgia magnética” e pode, segundo Toma, representar uma economia de milhões. Além disso, a preocupação ambiental também pode influenciar a adoção deste novo método na exploração de minerais. “No futuro, os processos envolvendo a queima de minérios será banida. Hoje buscam-se métodos brandos, em temperatura ambiente, que não poluam e que sejam cíclicos – e esse processo é perfeito”, anima-se.

Utilizando o mesmo método, também é possível facilitar a reciclagem de materiais, como por exemplo, circuitos eletrônicos. “Eles estão cheios de cobre e outros metais. Então é possível funcionalizar a partícula pra atrair cada metal específico e depois retirá-los com um ímã”, declara o professor. Esta pesquisa já foi inclusive patenteada, e o professor busca agora empresas ligadas à metalurgia interessadas em financiar os avanços dos estudos. 

Fonte: Agência USP de Notícias

Anúncios

Deixe uma resposta - Lembramos que não serão permitidos comentários com conteúdo ofensivo

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: