Artesãs transformam couro de peixe em negócio sustentável

Tilápia

A Associação dos Curtidores Artesanais de Pele de Peixe Ryo & Mar, de Guaratuba (PR), é um exemplo de trabalho criativo e sustentável. As trabalhadoras associadas apostaram no curtimento do couro de peixe para crescer e lucrar. E mais: o que era tratado como lixo virou matéria-prima para confecção de bolsas, carteiras, chaveiros e outros acessórios artesanais.

São precisos três dias para o curtimento. A técnica utiliza tanino vegetal e cromo a 2%, o que dá mais firmeza à peça. No último dia, acrescenta-se tinta à solução. Após essa etapa, o produto é colocado para secar à sombra. “Depois, é dar asas à imaginação”, brinca a presidente da Ryo & Mar, Angela Sfendrych.

Segundo ela, o uso do cromo é inevitável para dar maior durabilidade à peça. O produto químico, no entanto, poderia causar danos ambientais. Por isso, a associação buscou o licenciamento para o processamento de efluentes, concedido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

A temática do meio ambiente, aliás, é uma preocupação das sete associadas. Por isso, adotam ações como coleta e reaproveitamento dos resíduos e tratamento correto dos efluentes gerados no processo de curtimento. “Reduzimos consideravelmente os impactos que o descarte das peles gerava no meio ambiente e conseguimos preservar a natureza”, afirma Angela Sfendrych.

A ideia de abrir a associação foi a solução que Angela encontrou para transformar a vocação da região – a atividade pesqueira – em um negócio sustentável, capaz de melhorar a vida da comunidade. A forma de trabalho da instituição também promoveu a conscientização sobre o impacto provocado no meio ambiente pelo descarte irregular da pele do peixe.

O couro de quase todos os peixes de mar e de alguns de água doce, como o da tilápia, o linguado e a tainha, é aproveitado por elas. Uma associada dedicada chega a ganhar cerca de R$ 2 mil por mês.

Persistência

Produtos confeccionados com couro de peixe - Foto: Sebrae

O investimento inicial na Ryo & Mar, em 2008, foi de R$ 1 mil. Naquela época, a produção era de 20 kg de pele e rendia um faturamento de R$ 2 mil para a instituição. “O começo não foi nada fácil. As pessoas da região não acreditavam no trabalho coletivo. Mudar essa mentalidade só foi possível depois de muita persistência”, lembra.

A associação compra as peles diretamente dos pescadores por R$ 2 o quilo. De cada 5 kg de pele, apenas 1 kg é aproveitável e vendido por cerca de R$ 750. A capacidade produtiva do curtume artesanal de Guaratuba é de 60 kg de peles de peixe por mês, que rendem R$ 45 mil para a instituição.

O trabalho desenvolvido pela associação tem rendido frutos às artesãs. Em 2012, a associação Ryo & Mar atingiu o ápice, com a indicação para o Prêmio Mulher de Negócios, do Sebrae no Paraná. Foram mais de 81 mil inscritos e o exemplo de Guaratuba ficou entre as cinco finalistas. “Reconheceram nosso trabalho”, comemora Angela.

Ela considera que o Sebrae teve papel fundamental para o sucesso da associação. As artesãs participaram de cursos de planejamento e gestão de negócios oferecidos pela instituição. “Ficamos muito mais estimuladas para exercer nossa atividade”, conta.

O trabalho com o couro de peixe não só gerou recursos, mas outras oportunidades de inclusão social das mulheres que participam da rotina da associação. “Algumas delas não queriam nem entrar em elevador. Hoje, até viajam de avião para participar de feiras. É uma conquista para essas mulheres”, orgulha-se Angela.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias 
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