Fertilizantes: Brasil poderá exportar tecnologia de reciclagem de Fósforo a partir de dejetos de aves e suínos

Fósforo branco ceroso (corte amarelo), vermelho (grânulos centro esquerda, bloco centro direita), e violeta.- Foto: Wikipédia

A FertBrasil, rede que trabalha na introdução de novos nutrientes para os solos brasileiros, terá uma das suas tecnologias estudadas por um grupo mundial de discussão do futuro do fósforo (*) . O pesquisador da unidade Solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e coordenador da FertBrasil, Vinicius Benites, apresentou no Marrocos, em março, a pesquisa brasileira de reciclagem de fósforo a partir de dejetos e aves e suínos, que foi adotada como estudo de caso pelo fórum.

Esse grupo mundial, que tem representantes de 32 países, se chama Transdisciplinary Processes for Sustainable Phosphorus Management (Global Traps) e foi formado pelo Instituto Tecnológico de Zurich (ETH), da Suíça, e do Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes (IFDC), dos Estados Unidos. Os dois organismos chamaram representantes de várias regiões do mundo, entre pesquisadores, políticos, advogados e fazendeiros, para apontar soluções para sustentabilidade do uso do fósforo.

 Alguns especialistas apontam que o fósforo é um dos recursos naturais que devem acabar antes do final deste século. As discussões iniciadas pelo grupo, no entanto, não indicam isso. “O fósforo não vai acabar, mas o seu custo de exploração tem subido a cada ano”, diz o pesquisador. Segundo ele, as jazidas de alto teor estão se esgotando e o pico da produção deve ocorrer entre 2015 e 2020. Depois, a tendência é que ela decline, já que o fósforo terá que ser buscado em jazidas de maior dificuldade de exploração.

Neste cenário, vem sendo buscados caminhos para garantir a produção de fósforo, que é usado como fertilizante principalmente em solos de regiões tropicais, como o Brasil e a África. As terras destas regiões são pobres em fósforos. A rede FertBrasil, liderada pela Embrapa, com participação de outras instituições de pesquisa do País, vem trabalhando no tema justamente porque o Brasil é um grande consumidor de fósforo. O País é o quarto no ranking do consumo e o terceiro em importações. O maior produtor é a China e a maior reserva, de 85 bilhões de toneladas, está no Marrocos.

A pesquisa da FertBrasil com reciclagem de fósforo consiste no formulação de fertilizantes organominerais a partir de dejetos de aves e suínos. O fósforo usado nas lavouras acaba indo para os produtos cultivados ali, como os grãos, e assim vai parar no corpo de quem o consome, os homens e os animais, explica Benites. Por isso a ideia é recuperá-lo dos dejetos. Em aves e suínos, a quantidade de fósforo em dejetos é de 250 mil toneladas ao ano, 20% da demanda nacional, diz o pesquisador.

Segundo Benites, o estudo de caso vai dar destaque internacional para a tecnologia, com possibilidade de transferência dela para outros países, principalmente na África, além de visibilidade também no Brasil, junto aos tomadores de decisões. Ainda se a ideia for adotada, após estudo de caso do Global Traps, ela fará parte de um documento com práticas que são exemplo e terão recomendação para uso mundial.

O Brasil consumiu, nos primeiros três meses deste ano, 5,3 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda). No ano passado inteiro foram 28,3 milhões de toneladas. A produção brasileira foi de 2,1 milhões de toneladas no primeiro trimestre e de 9,8 milhões de toneladas em 2011. A importação alcançou 2,9 milhões de toneladas de janeiro a março e 19,8 milhões de toneladas no ano passado, sempre segundo a Anda.

Fonte: ANBA

(*)Fósforo provém do latim “phosphorus“. É um nome genérico dado a inúmeras combinações distintas de fosfatos, tendo sido descoberto em 1669 por Henning Brand.

É um não-metal multivalente pertencente à série química do nitrogênio (grupo 15 ou 5 A) que se encontra na natureza combinado, formando fosfatos inorgânicos, inclusive nos seres vivos. Não é encontrado no estado nativo porque é muito reativo, oxidando-se espontaneamente em contato com o oxigênio do ar atmosférico, emitindo luz (fenômeno da fosforescência).

O fosforo é o único macronutriente que não existe na atmosfera, se não unicamente quando encontrado em forma sólida nas rochas.

Ao mineralizar-se, é captado pelas raízes das plantas e se incorpora a cadeia trófica dos consumidores, devolvendo ao solo, nos excrementos ou através da morte. Uma parte do fosforo é transportada por correntes de água. Ali, se incorpora na cadeia trófica marinha ou se acumula e se perde nos solos marinhos, aonde não pode ser aproveitada pelos seres vivos, até que o afloramento de algas profundas possam reincorporá-lo na cadeia trófica. A partir do “guano” ou excremento de aves pelicaniformes, o fósforo pode ser reutilizado como “guano” reiniciando um novo ciclo.

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