IPT desenvolve projeto para calcular prejuízos causados por desastres naturais

Teresopolis (RJ), Janeiro de 2011 – Em decorrência das fortes chuvas o rio subiu rapidamente durante a madrugada, destruindo as casas em sua margem (Foto reporter Vladimir Platonow/ABr)

Como calcular os prejuízos econômicos, sociais e ambientes decorrentes de uma inundação, um terremoto e até mesmo um tsunami?

Para entender como chegar a valores mais próximos dos números reais, a geóloga do Laboratório de Riscos Ambientais do IPT, Alessandra Cristina Corsi, está coordenando um projeto interno para aplicação da metodologia desenvolvida pelo Banco Mundial de valoração dos danos causados por desastres naturais. O objeto do estudo multidisciplinar da pesquisadora é a cidade paulista de São Luiz do Paraitinga, que foi afetada por uma enchente em primeiro de janeiro de 2010.

Para conhecer a metodologia inédita no Brasil, Alessandra participou no último mês de fevereiro da primeira edição no Brasil do Treinamento de Avaliação de Perdas e Danos por Desastres – Metodologia DaLa, que foi ministrado na cidades de Recife (PE) e Florianópolis (SC). A ação foi promovida pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), em parceria com o Banco Mundial e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), para capacitar quem atua na recuperação de desastres, como profissionais dos setores de planejamento, infraestrutura e Defesa Civil, e contribuir com estratégias na elaboração de planos de reconstrução.

A metodologia desenvolvida na década de 1990 apresenta um conjunto de ferramentas de diagnóstico para medir a natureza e o montante das perdas causadas por diferentes tipos de desastres. Para a sua aplicação, os dados são colhidos de setores tão diversos como agricultura, indústria, educação e comércio, de acordo com a abrangência pretendida do estudo. “É possível coletar as informações de órgãos municipais, estaduais ou federais, como a Secretaria da Educação, que informa o número de escolas na área afetada e dos alunos que não tiveram aulas durante o período de paralisação, assim como a perda de equipamentos e de gêneros alimentícios”, explica a pesquisadora, cujo laboratório está ligado ao Centro de Tecnologias Ambientais e Energéticas do IPT.

Outro exemplo é o comércio, que demanda a execução de entrevistas com os proprietários dos estabelecimentos para coleta de informações como perdas de estoques causadas pelos desastres e prejuízos financeiros nos dias em que as lojas ficaram fechadas. “O grau de aprofundamento dentro da metodologia irá depender das informações disponíveis e da disponibilidade dos agentes envolvidos no trabalho para levantar outros dados”, afirma Alessandra. Para o treinamento em Santa Catarina, do qual Alessandra participou, os participantes foram divididos em dois grupos para a aplicação da metodologia em dois estudos de casos, um para o desastre ocorrido em 2008 no estado de Santa Catarina e outro das inundações no estado de Minas Gerais em 2011.

Fonte: IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP
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