Ecotoxicologia terrestre: Fertilizante com dejeto suino pode levar toxicidade a solos

porco 2Os dejetos de suínos utilizados como fertilizante agrícola podem apresentar toxicidade para a fauna que habita o solo (edáfica). O trabalho da zootecnista Júlia Corá Segat realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, avaliou o potencial toxicológico dos dejetos em solos de Santa Catarina, utilizando como ferramenta a ecotoxicologia terrestre, que mede os efeitos na letalidade, reprodução, desenvolvimento e comportamento dos seres vivos existentes no solo. O estudo de mestrado aponta a importância da utilização de solos naturais de diferentes texturas e de diferentes organismos na avaliação de toxicidade.

De acordo com a zootecnista, a ecotoxicologia terrestre é utilizada para avaliar efeitos de substâncias que, quando adicionadas aos solos, causam impactos em organismos, mensurando as respostas de alterações na taxa de letalidade, reprodução, desenvolvimento e comportamento de organismos edáficos padronizados. “No Brasil a ecotoxicologia terrestre é uma ferramenta nova e pouco utilizada, que vem sendo aos poucos implantada no país, em alguns centros de pesquisa. Já na Europa é amplamente usada e até obrigatória para indicar a toxicidade de resíduos que possam ter como destino os solos”, explica a pesquisadora.

Júlia enfatiza a necessidade de desenvolver estudos utilizando a ecotoxicologia terrestre como ferramenta de avaliação por apresentar respostas rápidas e confiáveis sobre a toxicidade de substâncias incorporadas a solos. “Os resultados dessas avaliações também servem de subsídios para estabelecer valores limites de aplicação de resíduos em solos”, destaca.

O trabalho, apresentado no programa de Pós-graduação de Solos e Nutrição de Plantas da Esalq, teve o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A orientadora foi a professora Elke Jurandy Bran Nogueira Cardoso, do Departamento de Ciência do Solo (LSO) da Esalq.

O Brasil ocupa atualmente a quarta posição entre os produtores mundiais de carne suína e o estado de Santa Catarina é responsável por 25% desta produção. Nesse estado brasileiro, a intensificação da produção em pequena área territorial gera um grande aporte anual de dejetos de suínos por unidade de área agrícola. Isso porque a alternativa mais utilizada para descarte desses resíduos é a sua aplicação como fertilizante agrícola, prática que tem gerado um dos maiores problemas de poluição ambiental e de impacto nos organismos que habitam os solos (edáficos), especialmente na região Oeste Catarinense.

Fonte: Agência USP de Notícias

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