Tratar o esgoto antes de joga-lo no mar: estudo aponta alternativa para emissarios submarinos

emissario submarinoAlgumas cidades litorâneas brasileiras possuem sistemas de tratamento de esgoto sanitário que utilizam tubulações (emissários submarinos) para lançar efluentes domésticos ou industriais em grandes profundidades no oceano, devido à alta capacidade de dispersão de contaminantes pelo mar.

No entanto, ainda não há no país uma legislação que estabeleça qual pré-tratamento deve ser adotado pelos emissários submarinos e quais compostos presentes no esgoto precisam ser removidos antes de chegar ao mar, de modo a minimizar os impactos ambientais.

Um estudo de doutorado, realizado pelo oceanógrafo Eduardo Lucas Subtil no Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP, apontou qual seria a melhor opção de pré-tratamento e o principal composto a ser removido no esgoto lançado por emissários submarinos com vazão elevada, como o de Santos, no litoral paulista.

A pesquisa concluiu que a aplicação de produtos químicos específicos, em um tratamento denominado “primário avançado”, seria capaz de remover os sólidos suspensos e elementos presentes no esgoto que passam pelo emissário submarino, como o fósforo.

Os resultados do estudo já começaram a despertar o interesse e podem servir de subsídio para órgãos de fiscalização ambiental elaborarem legislações específicas para emissários submarinos.

“Na maioria dos países já existem leis ambientais para isso. No Brasil, a primeira legislação que menciona emissários submarinos foi lançada em 2011 pelo Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente], que estabeleceu como tratamento mínimo obrigatório a remoção de 20% dos sólidos suspensos. Mas essa medida ainda é insuficiente para emissários submarinos de vazão elevada e localizados em regiões de circulação marinha restrita”, disse Subtil à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, a readequação do sistema de tratamento do esgoto lançado pelo emissário submarino de Santos representaria uma solução para manter o atual nível de vazão do sistema.

Administrado pela Sabesp, o emissário oceânico de Santos, instalado em 1978, com aproximadamente 4,5 mil metros de extensão, é o mais antigo do litoral paulista e o que apresenta maior vazão de esgoto.

Autorizado a lançar atualmente até 5,3 m3 de esgoto por segundo, o emissário não consegue dispersar adequadamente a carga de contaminantes que despeja no mar por meio do sistema de tratamento que utiliza hoje.

Do tipo preliminar, o sistema também adotado em outros emissários submarinos existentes no Brasil utiliza peneiras para retirar as partículas mais grossas da água e lança o restante no oceano por meio de um sistema difusor, localizado no final do emissário, que promove a diluição e a mistura do efluente com a água do mar.

Entretanto, com o aumento cada vez maior da vazão do emissário submarino e a configuração adotada com o tratamento preliminar do esgoto, o sistema se tornou incapaz de controlar e diminuir a concentração de fósforo, que em níveis excessivos na água no mar pode provocar o crescimento de algas tóxicas, a contaminação e morte de peixes e espécies vegetais, além de provocar odores desagradáveis.

“No caso do emissário submarino de Santos, o tratamento preliminar do esgoto se tornou insustentável. É preciso reduzir a vazão do emissário ou readequar o sistema de tratamento para continuar com a mesma capacidade de vazão autorizada. Isso seria a solução mais factível, até mesmo porque já existe uma rede de coleta de esgoto instalada”, disse Subtil.

Fonte: Agência FAPESP

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