Workshop discutira impactos de riscos de extremos climaticos e dos desastres naturais

Hurricane_01Um encontro para divulgar informações científicas sobre possíveis impactos de riscos de extremos climáticos – como ondas de calor, recordes de temperaturas altas e forte precipitação de chuvas – e dos desastres a eles relacionados, bem como as opções disponíveis para o gerenciamento desses impactos será realizado nos dias 16 e 17 de agosto, em São Paulo.

O workshop “Gestão dos Riscos dos Extremos Climáticos e Desastres na América Central e na América do Sul – O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre Extremos?” realizado em São Paulo faz parte de uma série de eventos, com caráter de discussão regional, realizados em 2012 em diferentes partes do mundo. Os encontros visam fornecer informação sobre possíveis impactos dos extremos climáticos e desastres por região, além de opções de gerenciamento dos potenciais riscos deles decorrentes, conforme as avaliações do IPCC.

O evento será realizado pela FAPESP e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o IPCC, o Overseas Development Institute (ODI) e a Climate and Development Knowledge Network (CDKN), ambos do Reino Unido, e apoio da Agência de Clima e Poluição e do Ministério de Relações Exteriores da Noruega.

O workshop tem por objetivo reunir líderes empresariais, acadêmicos, pesquisadores e organizações da sociedade civil cujas políticas ou programas possam ser afetados por eventos climáticos extremos. Durante o encontro serão abordadas questões como exposição e vulnerabilidade no contexto do SREX, com observações sobre extremos climáticos, impactos e perdas, opções de gerenciamento de riscos para a melhoria de práticas atuais e futuras.

De acordo com o IPCC, as alterações no clima do planeta têm sido responsáveis por padrões de eventos extremos, em diversas partes do mundo. As consequências desses eventos poderiam ser reduzidas, pois vulnerabilidades sociais e exposição a riscos também contribuem para seu impacto, embora nem sempre eventos climáticos levem a desastres.

Os dados e informações contidos no relatório permitem que os formuladores de políticas possam aprofundar as discussões, com base nos resultados e no exame do material em que o IPCC baseia suas avaliações. O relatório identifica as lições aprendidas com a vasta experiência no gerenciamento de riscos de desastres, com foco crescente na adaptação para mudanças climáticas.

O relatório destaca períodos prolongados de altas temperaturas e ondas de calor em diversas regiões do mundo. Indica o provável aumento na frequência de eventos de precipitação intensa ou aumento na proporção do total de chuvas intensas em muitas áreas, em especial nas latitudes elevadas e em regiões tropicais, e no aumento do rigor do inverno nas latitudes médias do norte do planeta.

O documento também aponta um aumento na duração e intensidade das secas em algumas regiões do mundo, incluindo o sul da Europa e do Mediterrâneo, Europa Central, América Central e México, além da África Austral e em diferentes áreas da América do Sul.

Pesquisadores prepararam um documento de 592 páginas, com base nas mais recentes informações técnicas e científicas, e o submeteram a duas rodadas de revisões, feitas por especialistas e governos.

“Há muitas opções atualmente disponíveis que poderiam melhorar a preparação para uma resposta eficaz aos eventos climáticos extremos e catástrofes e aumentar a recuperação a partir deles”, diz Vicente Barros, do Centro de Investigación del Mar y la Atmósfera da Argentina e vice-presidente do Grupo de Trabalho 2 do IPCC.

Um dos organizadores do workshop, Jose Marengo, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Inpe e um dos autores do SREX, destaca a importância do relatório para as Américas Central e do Sul nas ações dos governos para enfrentar os desastres naturais associados principalmente a chuvas intensas e períodos secos: “O aumento já observado dos extremos de chuva no sudeste da América do Sul mostra um forte impacto em sistemas naturais e humanos, em áreas urbanas e rurais, incluindo áreas vulneráveis da cidade de São Paulo, que são afetadas pelas intensas chuvas e enchentes todos os anos”, disse. “Essa tendência poderá piorar no futuro, caso não sejam tomadas medidas para a adaptação, pois as projeções mostram uma tendência de aumento nos extremos de chuva em regiões densamente povoadas, como o Estado de São Paulo, entre outros”, disse Marengo.

Mais informações e inscrição: www.fapesp.br/ipccsrex

Fonte: Agência FAPESP

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