Artesanato com a fibra da palmeira de miriti abre caminho para o desenvolvimento em municipio do Para

brinquedo de miritiA origem ninguém sabe ao certo. Mas produzir artesanato com a fibra extraída da palmeira de miriti é uma técnica usada há mais de 200 anos por algumas famílias da cidade de Abaetetuba (PA). As peças são conhecidas como brinquedos de miriti e reproduzem utensílios utilizados pelos caboclos da floresta e bichos da região como jacarés, pacas, cobras e onças.

Com o passar dos anos, a tradição se juntou à fé e o que era só uma peça singela elaborada para a brincadeira das crianças virou um dos símbolos do Círio de Nazaré. Na festa em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, o cortejo com mais de um milhão de pessoas que percorre as ruas de Belém, os brinquedos de miriti são adereços que marcam o Círio, assim como a corda, as flores e a água atirada sobre os fiéis para amenizar o calor.

Quando o mês de outubro se aproxima, as casas dos 120 artesãos de Abaetetuba entram em ritmo frenético de trabalho. Isso porque é no segundo domingo do mês que acontece a festa religiosa e, para justificar o título auto-conferido de capital do Brinquedo de Miriti, as famílias se dedicam quase que exclusivamente a esculpir, talhar e montar até 30 mil peças especialmente para o Círio.

Grandes eventos e feiras são a oportunidade de conferir mais visibilidade ao produto local. Com isso, os artesãos buscam ampliar o mercado e também modificar o quadro socioeconômico da cidade. Com aproximadamente 150 mil habitantes – 40% na zona rural -, Abaetetuba é o principal município do Território da Cidadania Baixo Tocantins. A cidade tem base econômica nos setores de comércio e serviços.

O presidente da Associação dos Artesãos de Brinquedos e Artesanato de Miriti de Abaetetuba (Asamab), Rivaildo Mares Peixoto, mostra a vantagem comparativa do brinquedo de miriti: a sustentabilidade do produto. “Os artesãos usam só os galhos velhos da palmeira, preservado os mais novos para manter o equilíbrio do meio ambiente. É um produto ecologicamente correto”, aponta.

A melhoria da qualidade dos produtos também é uma preocupação dos artesãos. Por isso, eles participam de cursos e treinamentos oferecidos pelo Sebrae sobre vendas, promoção, pintura, gestão, preço e outros. Para o presidente da associação de artesãos, a atuação do Sebrae “foi fundamental para que a entidade obtivesse o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), há 12 anos”.

A gerente regional do Sebrae no Pará, Bruna Rocha, explica que as ações da instituição são planejadas de acordo com as demandas da associação. Com a ajuda do Sebrae, foram contratados oito caminhões para transportar os brinquedos de miriti até Belém para o Círio de Nazaré. Segundo Bruna, a instituição também levará as peças do artesanato de Abaetetuba ao Amazontech, um dos maiores eventos de ciência, tecnologia e inovação e soluções aplicáveis à Amazônia Legal.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

Escola Palmeira de miriti – “Buriti”, “miriti”, “muriti”, “muritim” e “muruti” provêm do tupi mburi’ti:180px-Buriti

  • Seu fruto, além de rico em vitamina A, B e C, ainda fornece cálcio, ferro e proteínas. Consumido tradicionalmente ao natural, o fruto do buriti também pode ser transformado em doces, sucos, picolé, licor, vinho, sobremesas de paladar peculiar e ração de animais.
  • Fornece palmito saboroso, fécula, seiva e madeira.
  • O óleo extraído da fruta é rico em caroteno e tem valor medicinal para os povos tradicionais do Cerrado que o utilizam como vermífugo, cicatrizante e energético natural. Também é utilizado para amaciar e envernizar couro, dar* cor, aroma e qualidade a diversos produtos de beleza, como cremes, xampus, filtro solar e sabonetes.
  • As folhas jovens produzem uma fibra muito fina, a “seda” do buriti, usada pelos artesãos na fabricação de peças de capim-dourado. Sua fibra é transformada no artesanato em bolsas, tapetes, toalhas de mesa, brinquedos, bijuterias, redes, cobertura de teto,cordas e etc. O talo das folhas se presta ainda à fabricação de móveis, que se destacam pela leveza e durabilidade.

O miriti ou buriti é de grande importância na manutenção de lagoas, chegando até a conservar locais alagadiços, de água pura e permanente.

Smiley nerd Amazônia Legal – Saiba mais sobre isso em ‘IBGE divulga dados sobre recursos naturais da Amazônia Legal: E você, sabe o que é “Amazônia Legal”?’

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5 Respostas to “Artesanato com a fibra da palmeira de miriti abre caminho para o desenvolvimento em municipio do Para”

  1. Fábio Says:

    Bom dia, interessante a matéria, como faço para entrar em contato com a ASAMAB?

    • eco4u Says:

      Prezado Fábio, você pode contactar o Sebrae do Pará para conseguir o contato da ASAMAB, pelos tels:
      Agência Sebrae de Notícias: (61) 3243-7852 / 2107-9104 / 3243-7851 / 9977-9529
      Central de Relacionamento Sebrae: 0800 570 0800
      Abraço,

  2. Orange Matos Feitosa Says:

    A fibra do Buriti é muito resistente e originalmente foi utilizado pelos povos indígenas da região para poder armazenar e carregar objetos, como por exemplo, a mandioca coletada, frutos, peixes e outros.
    Os achados arquelógicos que indicam o início de povoamento na Amazônia datam de aproximadamente 11.000, isto quer dizer que a região já era habitada quando os colonizadores chegaram e começaram por despovoá-la com a matança indiscriminada das sociedades indígenas e por contaminação de suas doenças.

    • eco4u Says:

      Bem colocado Orange, existem muitos outros indícios em sítios arqueológicos de que a área era habitada já há milênios. Quem sabe um dia, com um estudo levado a sério, cuidados e recursos devidos, possamos ter uma nova página da história desse país devidamente inclusa em nossos livros.

      • Orange Matos Feitosa Says:

        É quem sabe um dia…
        No Brasil precisamos de um número maior de pesquisas e pesquisadores na área de Arqueologia, mas para tanto, necessitamos de investimento, mais cursos de graduação e por fim de produção mostrando resultados e inserção nos livros didáticos que em sua maioria ensinam amiúde uma história superficial, resumida e equivocada das povos indígenas cedendo espaço para história do colonizador!


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