Analise em peixes sugere poluicao no mar proximo a Antartica

antartica-globoEstudos realizados na região do mar póxima à base brasileira na Antártica apontou que um dos tecidos do peixe  Trematomus newnesi, nativo daquela região, estava contaminado por partículas de petróleo. A constatação dos cientistas, feita em 2006, indica que aquela região não está isenta do poluente. As análises foram realizadas no Laboratório de Histofisiologia Evolutiva do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e do Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP.

O objetivo da dissertação de mestrado do cientista Alfonso Braga Bartolini Salimbeni Vivai, foi checar se a espécie em questão seria um bom bioindicador — um animal que serve para testes de contaminação do ambiente — para o petróleo, e quais de seus tecidos seriam bons biomarcadores — partes desse animal em que são feitos os testes. Entretanto, a pesquisa, intitulada Efeitos da fração solúvel de petróleo (FSA) no peixe antártico Trematomus newnesi, não foi conclusiva nesse aspecto. O grupo controle, que não foi exposto ao petróleo, apresentou contaminação e não houve diferenças significativas entre os grupos. Nota-se que as amostras foram trazidas antes do incêndio na base brasileira, em fevereiro deste ano.

O Trematomus newnesi é um peixe que tem entre seis e dez centímetros de comprimento, e pesa entre três e cinco gramas. A sua aparência lembra a de uma manjuba, mas ele não tem um nome popular, por ser encontrado somente na região da antártica, onde há poucos habitantes. As amostras coletadas foram divididas, no laboratório, em três grupos: expostas a uma concentração de 0,8 partes por milhão (ppm) de partículas petróleo em água; expostas a 0,4 ppm; e o grupo controle, sem exposição. Em nenhum dos tecidos estudados de nenhum dos grupos apareceram alterações estatísticas, o valor médio de contaminação foi sempre próximo.

trematomus newnesiTecidos
Para análise, foram utilizados três tecidos do peixe antártico: as brânquias, o fígado e o sangue. “As brânquias são o único tecido que está em contato com o ambiente. Por isso, é o primeiro a ser contaminado”, explica Vivai. “O fígado é alvo de objetos estranhos ao corpo. Foi analisado o hepatócito, a célula funcional do tecido. Ele neutraliza as toxinas”. O sangue foi escolhido pois, nos peixes, quando ele é infectado, ocorre uma formação de um micronúcleo dentro do eritrócito, uma das células sanguíneas.

No grupo controle, a análise dos eritrócitos indicou que já havia poluição nas amostras utilizadas. As frações de petróleo afetaram o sangue dos peixes, o que causou formação do micronúcleo, verificada pelo pesquisador.

Fonte: Agência USP de Notícias

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