Fazenda de cafe em Minas Gerais investe em sustentabilidade para lucrar mais

cafeNo Sul de Minas Gerais, a Fazenda das Almas, no município de Cabo Verde, colhe novos frutos na safra de 2012. Além do café, o produto agrícola mais importante do país, a propriedade de 220 hectares comprova a viabilidade de iniciativas que integram lucratividade, conservação ambiental e responsabilidade social. Ali, a sustentabilidade floresce entre as montanhas de 950 a 1.150 metros.

A altitude garante o clima ameno, ideal para a cafeicultura. Essa atividade produtiva convive com o manejo adequado dos processos de colheita, para evitar a poluição de águas ou do terreno dedicado à produção, e com a recuperação de áreas de florestas, onde a fauna e a flora típicas da Mata Atlântica voltam a se desenvolver.

O engenheiro agrônomo Adriano Muniz, de 58 anos, dono da propriedade, investe em ideias inovadoras, enquanto se à produção agrícola. Nos momentos em que assume o papel de estrategista da sustentabilidade, divide teorias e práticas com o filho Thiago, também engenheiro agrônomo, e 30 funcionários. O esforço conjunto visa à implantação de 13 programas que atendem, ao mesmo tempo, às exigências de instituições certificadoras de qualidade da produção e o desejo em contribuir com a preservação e a qualidade de vida do planeta.

“Sempre tive interesse em desenvolver ações ambiental e socialmente corretas e responsáveis”, garante Adriano Muniz. O cafeicultor integra um grupo ainda restrito de produtores mineiros, e brasileiros, que conquistou certificados de qualidade concedidos por organismos internacionais. Na década de 1990, período em que o mercado de café atravessou fases de instabilidade, ele optou pela produção e venda para o exterior. Em 2002, passou a integrar a lista de fornecedores da Illy, companhia italiana especializada na compra de produtos de altíssima qualidade. Dois anos depois, chegou ao selo da UTZ, maior fornecedora de café certificado do mundo. Mais recentemente, a galeria de certificações passou a contar com o diploma da Rainforest Alliance, que também atesta a qualidade e as condições da produção.

As pessoas se espantam ao saber que 11 hectares da área de produção de café foram eliminados para possibilitar a recuperação de áreas de florestas. Segundo o produtor, a meta é fazer mais do que as exigências das certificadoras e da legislação. De fato, nas florestas formadas entre os cafezais que ocupam os terrenos acidentados é possível identificar matas densas onde, segundo o proprietário, já foi vista até mesmo uma onça parda. Lobos, quatis, macacos e veados também já teriam sido avistados pelos funcionários. Para facilitar o trânsito dos bichos entre as matas, o produtor criou “corredores biológicos”, que unem as Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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