Em Franca/SP, arquiteto cria tijolos feitos de residuos de couro, material abundante na cidade

couro ecologicoO arquiteto Emar Garcia Jr nasceu, cresceu e vive em Franca (SP), a maior produtora de calçados do país e da América Latina. Há três anos, ele constituiu um empreendimento totalmente inédito e inovador, especializado na produção de tijolos, blocos, revestimentos e peças de decoração, feitos de resíduos de couro. A Couroecol surgiu como resultado da preocupação de Emar com o grande volume de retalhos e rejeitos descartados pela indústria coureiro-calçadista em Franca e, também, de suas pesquisas e determinação para encontrar uma solução para a questão.

“O couro é e sempre será um material nobre e bonito”, diz o arquiteto e empresário. Ele, que sempre trabalhou no ramo da construção, imaginava que deveria haver um jeito de reaproveitar aquele material abundante na cidade para edificar casas e prédios. Há 12 anos, começou a pesquisar, por conta própria, sobre como produzir tijolos e blocos para a construção. Muita gente o julgou louco. “Estranhavam uma pessoa querer aproveitar o ‘lixo’ do couro”, conta.

A matéria-prima da Couroecol é proveniente de doações das indústrias coureiro-calçadistas de Franca, que costumam pagar R$ 180/ton de resíduos, que vão para o aterro. Elas usam os tijolos e blocos de couro reciclado da Couroecol em suas obras e reformas. “O setor acaba sendo a minha clientela”, diz Emar. A empresa também produz abajures, arandelas, cachepôs, bandejas, porta-joias, entre outros.

Etapas

O arquiteto fala sobre o caminho percorrido até chegar à tecnologia, que transforma resíduos em artefatos da construção e peças decorativas. Hoje, é possível transformar sapato velho em tijolos e blocos de couro, segundo ele.

Na primeira etapa, foi preciso encontrar solução para moer o material. Testou vários tipos de moinhos e aprovou o mesmo equipamento, que mói garrafas PET. “Tinha de moer até virar granulado, como acontece no reaproveitamento de plásticos”, explica.

Na segunda, era preciso encontrar um aglutinante (cola). Essa foi a parte mais desafiadora. O aglutinante que o arquiteto formulou e aprovou, após inúmeras tentativas, foi patenteado. Na etapa seguinte, criou a massa, composta pelo granulado de couro e aglutinante, que contém bactericida e fungicida. A partir daí, começou a moldar e prensar os produtos da marca Couroecol.

“O produto reciclado continua com as mesmas características do couro”, informa. Foram dez anos de testes e laudos técnicos para aprovar o material. Os laudos apontam que ele é seguro em termos de resistência, toxidade, acústica, termicidade e inflamabilidade. Depois, foram mais dois anos, para licenciar a Couroecol junto ao órgão ambiental paulista, a Cetesb. “Somos a única recicladora autorizada de resíduos de couro no Estado de São Paulo”, revela orgulhoso.

A resistência do bloco Couroecol surpreende: enquanto um bloco de concreto convencional pesa 7Kg, o de resíduos de couro pesa 3 Kg. Apesar de mais leve, o produto reciclado resiste a 300 kg de carga e suporta 100 blocos, um em cima do outro. Segundo Emar, esse dado indica que os blocos Couroecol podem ser usados com tranquilidade e segurança na construção de casas e edificações em geral.

Vantagens

Na construção convencional é necessário cimento e areia par assentar tijolos. No processo de construção com tijolos e blocos de couro usa-se apenas cola PVA (cola comum concentrada), o que gera economia de água, cimento e areia. Para fazer o acabamento, basta massa e látex acrílicos. “A construção com blocos de couro é mais rápida e mais barata em torno de 23%, comparado com o custo de uma moradia convencional”, afirma Emar.

A beleza do produto é outra vantagem. Depois de assentados, os blocos de couro reciclado ficam tão bonitos, que há quem prefira não pintá-los e deixar na cor natural do produto. Estruturas metálicas são utilizadas no processo de construção com os produtos reciclados de couro. (www.couroecol.com.br ).

Fonte: Agência SEBRAE

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