Agua mineral: uso indiscriminado de aguas subterraneas pode rebaixar o lencol freatico e afundar do solo

agua potavelO desavisado consumidor de águas minerais e de bebidas industrializadas que as utilizam como insumo – caso das cervejas, refrigerantes, sucos, chás prontos, isotônicos – não se dá conta das implicações decorrentes de sua captação sem limites na fonte e da comercialização em embalagens PET de que fabricantes e empresas usuárias não se julgam responsáveis pelo destino, conforme determina a nova lei de resíduos sólidos, promulgada mais recentemente. Vista como recurso perene, não se cogita que a retirada indiscriminada e sem controle de águas subterrâneas possa comprometer a fonte com o rebaixamento do lençol freático e até causar afundamento do solo.

Constituem exemplos dessas ocorrências extremas a Cidade do México, construída sobre um aquífero, cuja exploração sem controle provocou o rebaixamento do subsolo, drástico no afundamento de sete metros da Praça Central. Em vários países, observa-se o rebaixamento dos lençóis freáticos de um a três metros por ano.

No Brasil, onde Minas Gerais é o Estado brasileiro que mais processos de conflitos na exploração de águas possui, é emblemático o caso de São Lourenço. A desenfreada exploração de água mineral no município provocou o esgotamento de uma fonte, destruição do seu fontanário, diminuição da quantidade e peso dos minerais nas águas das demais fontes do Parque das Águas, além do rebaixamento do terreno próximo à lavra. Diante desses problemas, e principalmente em razão da iminente escassez relativa e absoluta da água no futuro próximo em muitas regiões do mundo, ganha força entre os ambientalistas a questão da preservação dos mananciais.

Dissertação de mestrado desenvolvida pelo economista Pedro dos Santos Portugal Junior no Instituto de Economia (IE) da Unicamp analisa especificamente a questão das águas minerais, enfatizando o desenvolvimento recente desse mercado no Brasil, os principais direcionamentos legais e institucionais que regem sua exploração e a gestão ambiental das empresas desse segmento.

No estudo(*), o pesquisador enfatiza a importância de mudar o padrão institucional vigente, pois a água mineral é considerada como minério e não como recurso hídrico, o que acarreta sérias implicações sobre os controles adequados de sua exploração comercial, comprometendo a excelência esperada para a sua gestão ambiental.

Multinacionais

Os dados divulgados por consultorias internacionais dão conta de que é significativamente crescente em todo o mundo o consumo de águas minerais. Esse segmento é cada vez mais ocupado por empresas multinacionais.  Em 2009, cerca de 30% do mercado mundial de águas engarrafadas era atendido por apenas quatro das maiores empresas do setor. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), esse domínio passa a 50% se considerada a utilização dessas águas em produtos industrializados.

No Brasil, entre 2005 e 2009, o aumento do consumo de água mineral engarrafada foi de aproximadamente 25% e chegou a 200% quando considerada também a sua utilização em bebidas. Ressalve-se que, neste caso, a variação decorreu em grande parte do controle mais efetivo sobre a produção da indústria de bebidas, que sonegava impostos não declarando a real produção. O aumento da demanda de água engarrafada no Brasil decorre, principalmente, da baixa qualidade das águas fornecidas pelos serviços de saneamento. Por apresentar baixo nível de resíduos, mais de 90% da água mineral extraída do Sul de Minas é engarrafada.

As empresas de água mineral no Brasil podem ser situadas em duas categorias principais: as grandes empresas nacionais e multinacionais e as micro, pequenas e médias nacionais, responsáveis por uma produção altamente pulverizada. Entre 2005 e 2009, duplicou o número de multinacionais entre as maiores produtoras que atuam no país, que passaram de duas para quatro.

Segundo dados do MME, as dez maiores empresas do setor no país detêm cerca de 30% do mercado. Estes dados e as estimativas de crescimento do setor nos próximos anos levam o professor Bastiaan, defensor de uma economia ecológica, a afirmar que “todo capital natural é limitado e deve ser usado com parcimônia. A gestão ambiental precisa garantir o desenvolvimento sustentável, o crescimento econômico e social. Sem essas três pernas, o sistema não se sustenta”.

(*)Fonte: Jornal da Unicamp Veja a matéria original e completa aqui, em “pdf”

Smiley nerd Saiba mais sobre água potável aqui no blog em “Guerra pela Água: Brasil precisa incluir seus aquíferos em um plano de segurança nacional?”

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Uma resposta to “Agua mineral: uso indiscriminado de aguas subterraneas pode rebaixar o lencol freatico e afundar do solo”

  1. Lucia Theodoro Freitas Says:

    Bom dia! Como podemos agir contra as empresas, especialmente, de refrigerantes que são autorizadas (pois conseguem licenças ambientais), a utilizar água de aquíferos para produzir os venenos que elas vendem ? É um contra senso, utilizar água de excelente qualidade para produzir uma bebida que só faz mal a população, enquanto essa mesma população é obrigada a se servir de águas tratadas de rios extensamente poluídos.

    Curtir


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