De 1,6 milhao para 400 mil litros: Tecnologia brasileira premiada ate no exterior economiza agua em refinarias

aguaProcesso desenvolvido por engenheiro catarinense para refinaria em construção em Pernambuco chamou atenção de sauditas. Uso da água na limpeza de tubos cai de 1,6 milhão para 400 mil litros.

Uma tecnologia criada por um brasileiro promete reduzir o uso de água na limpeza de tubos de refinarias e está chamando a atenção fora do País, inclusive na Arábia Saudita, maior produtora de petróleo do mundo. O processo fez cair de 1,6 milhão de litros para 400 mil litros a quantidade de água usada na Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) da unidade da Refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, que está em construção em Pernambuco. Quem desenvolveu o processo foi o engenheiro mecânico e técnico em construção naval, Bernardino Nilton do Nascimento, que é supervisor de condicionamento da OAS, empresa que constrói a unidade no consórcio Conest, formado também pela Odebrecht.

A refinaria começou a ser construída em 2009 e deve ficar pronta em 2014. A UDA, no entanto, estará concluída até março do ano que vem, já com a nova tecnologia. Em vez do uso de produtos químicos para a limpeza da tubulação, seguidos de uma lavagem com volumes grandes de água, como é feito tradicionalmente, os tubos recebem a aplicação de um abrasivo com esponjas, em um processo seco, e depois um anticorrosivo. A água é utilizada apenas para teste de vazamentos. Com isso, a quantidade de água usada cai significativamente.

Ainda esses 400 mil litros usados são tratados e devolvidos para a natureza depois do seu aproveitamento, explica Nascimento. Essa limpeza nos tubos normalmente é feita antes da refinaria entrar em operação e, como isso pode demorar, o processo antigo muitas vezes tem que ser refeito, com maior gasto ainda de água, já que a validade dele é de cerca de oito meses. Pelo método novo, a refinaria pode demorar até dois anos para começar a funcionar, depois da limpeza dos tubos, sem ter que receber uma nova aplicação. “O desempenho é bom, melhor do que estávamos imaginando”, afirma Nascimento.

A tecnologia serve para oleodutos, gasodutos, para tubos onde passam vapor, gasolina, entre outros. Ela foi apresentada neste ano no Rio de Janeiro, durante a Cúpula dos Povos, encontro que aconteceu durante a Rio+20, e chamou a atenção de empresários sauditas que participaram. Eles levaram material sobre o processo e Nascimento deve fazer uma palestra sobre o tema no ano que vem na Arábia Saudita. A Sponjet, empresa que forneceu as esponjas e equipamentos para o processo, tem operações no país árabe e está intermediando a ida de Nascimento para a região.

A patente da tecnologia é de Nascimento, mas ele afirma que não pretende fazer comércio com ela. Preocupado com o meio ambiente e a sustentabilidade do mundo, o engenheiro afirma que ganhará apenas com a consultoria na área. Ele quer que as empresas usem o método, alongando assim a durabilidade da água no mundo. “A água é um produto que pertence a todos, é um patrimônio da humanidade”, afirma. A iniciativa já recebeu prêmios no Brasil e exterior e há interesse em utilizá-la em outra refinaria, no Rio de Janeiro. Segundo Nascimento, o custo do processo é equivalente ao tradicional.

Nascimento afirma que tem muito interesse em levar esse processo para o Oriente Médio e admira os árabes que construíram cidades no deserto, como Dubai, com pouca disponibilidade de água. Ele compara a outras regiões do mundo, inclusive cidades brasileiras, que se estabeleceram perto de rios e tiraram deles tudo o que puderam. Nascimento é catarinense, mas mora atualmente no Recife. A família, no entanto, está estabelecida em Niterói, no Rio de Janeiro, para onde ele costuma voltar sempre.

A unidade que usa o novo processo também tem outras iniciativas ambientais, como a exigência, aos fornecedores, de produtos com maior durabilidade, pedindo garantias disso e os responsabilizando pela reciclagem dos itens ao fim do seu uso na refinaria.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe

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