Permafrost: o alerta do PNUMA e porque as mudanças climáticas podem ser catastróficas para a Rússia

Na foto, oleoduto russo danificado, com vazamento de óleo, em consequência do solo que cedeu

Permafrost é constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados. Esta camada é recoberta por uma camada de gelo e neve que, se no inverno chega a atingir 300 metros de profundidade em alguns locais, ao se derreter no verão, reduz-se para de 0,5 a 2 metros, tornando a superfície do solo pantanosa, uma vez que as águas não são absorvidas pelo solo congelado.

O relatório Implicações para a Política do Aquecimento do Permafrost, lançado nesta terça-feira (27) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP18), em Doha, no Catar, alerta para os riscos potenciais enfrentados pelos ecossistemas globais caso estes subsolos árticos congelados derretam e se tornem instáveis.

Caso isto aconteça, enormes reservas de carbono presas sob quase 1/4 do hemisfério norte correm o risco de serem liberadas, desencadeando e contribuindo de forma significativa para o aquecimento global, já que o derretimento do permafrost produziria o equivalente entre 43 e 135 bilhões de toneladas de CO².

Zona de Permafrost no Ártico

A enorme importância do Ártico para a economia russa pode ser compreendida pelo fato de que 22 por cento das exportações da Rússia e 20 por cento do seu PIB provêm de produtos obtidos a partir do interior do Círculo Polar Ártico, onde estão cerca de 90 por das reservas de hidrocarbonetos do país.

E se o aquecimento global derreter o permafrost? Yuri Averyanov, membro do Conselho de Segurança Russo em 2010, declarou em uma entrevista na época, para a  Rossiiskaya Gazeta, que as alterações climáticas representam uma grave ameaça à Rússia, à segurança nacional e que o derretimento do permafrost poderia causar problemas graves no prazo de dez a quinze anos.

O resultado desta situação, de acordo com Averyanov, será que milhares de quilômetros de gasodutos, ferrovias e estradas estarão em perigo, juntamente com um grande número de cidades e aldeias. Ele prevê que em Yakutsk, Tiksi e Vorkuta até um quarto de todas as casas poderão ser inutilizadas devido às condições instáveis do solo decorrentes do derretimento.

Foto mostra a fragilidade do Permafrost: gelo sob camada de terra

Dado que o permafrost cobre 66 por cento do território russo, uma mudança drástica nas condições climáticas poderá ameaçar todas as estruturas de engenharia na região. Além disso, Yuri Averyanov considerou que o conflito interestadual é uma possibilidade real devido às novas políticas de aliados do E.U.A. no Ártico na expansão de atividades de exploração e investigação. Na verdade, a possibilidade é referida na Estratégia de Segurança Nacional da Rússia, aprovada na Primavera de 2009 e que cita o uso da força armada e conflitos por causa dos recursos de hidrocarbonetos.

Fonte: PRAVDA.Ru

Não somente isso, lembramos que durante milhões de anos, uma grande quantidade de metano esteve aprisionada nas camadas superficiais de gelo na região do Ártico – o permafrost. O que acontece agora é que, com o aumento da temperatura no planeta, essa camada está derretendo e liberando o metano nos oceanos e depois no ar. As bolhas liberadas na atmosfera são tantas que podem ser detectadas por microfones na água.

O gás metano é 30 vezes mais perigoso para o efeito estufa do que o dióxido de carbono – foco principal dos combates ao aquecimento global.

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