Contra o desperdício, ONU oferece jantar no Quênia com alimentos recusados por mercados ingleses

alimentosComo parte da campanha Pensar.Comer.Conservar, autoridades e convidados da sessão do Conselho Administrativo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que acontece até sexta-feira (22), participaram de um jantar especial na terça-feira (19), na sede da organização em Nairóbi, no Quênia.

Os pratos foram integralmente preparados com ingredientes quenianos recusados por supermercados ingleses por estarem fora dos padrões estéticos, mas perfeitos para o consumo.

Lançada no mês passado pelo PNUMA e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a campanha que conscientizar consumidores e comerciantes sobre os cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados a cada ano. A perda equivale a um terço da produção mundial e representa 1 trilhão de dólares jogados fora.

O jantar foi preparado pelo chef Ray Cournede, do Windsor Hotel Nairóbi, em uma sequencia de cinco pratos, incluindo tamales grelhados de milho doce, lentinha amarela e “mangomisu”, um tiramisu com um toque de manga. Cournede também preparou chutney de manga e frutas cristalizadas para exemplificar como preservar frutas por períodos mais longos.

O evento teve índice zero de desperdício: os convidados foram encorajados a levar comida para casa e vegetais e outros ingredientes não utilizados foram doados para uma organização local que distribui refeições para crianças.

“Nenhuma argumentação econômica, ambiental ou ética pode ser feita para justificar o atual desperdício de alimentos pelo mundo, e no PNUMA nós praticamos o que defendemos. O jantar foi uma demonstração para comerciantes, consumidores e formuladores de políticas públicas de que a grande quantidade de comida que jogamos fora não é só adequada para o consumo e bastante nutritiva, mas também deliciosa”, comentou o Subsecretário-Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner.

O jantar foi preparado com apoio da ‘Feeding the 5000′, entidade inglesa que promove eventos com ingredientes que seriam descartados. Foram utilizados cerca 1,6 tonelada de frutas e verduras recolhida de produtores de todo o Quênia.

Os produtos foram rejeitados pelo mercado inglês principalmente por conta da aparência ou por alteração nos pedidos após a colheita. Parte da produção é vendida nos mercados locais ou doada, mas a quantidade colhida é tão grande que acaba apodrecendo ou servindo de alimento para o gado.

“É vergonhoso que tanta comida seja desperdiçada em um país onde milhões passam fome. Encontramos um produtor que inutiliza 40 toneladas de alimento por semana, cerca de 40% do que é cultivado. O desperdício de vegetais ‘feios’ mas adequados para o consumo é endêmico na nossa cadeia de alimentos e simbólico da nossa negligência”, afirma Tristam Stuart, o fundador da Feeding the 5000.

“Na verdade, estamos diante de uma oportunidade: se convencermos os supermercados a mudar seus padrões de compra e desenvolvermos outras formas de escoar a produção, vamos melhor a renda desses produtores e aumentar a oferta de alimentos onde é mais necessário”, completa.

Enquanto o jantar no Quênia enfocou a rejeição pelos supermercados do Reino Unido, especialistas do PNUMA apontam que o mesmo acontece em diversos países desenvolvidos e em parte das nações em desenvolvimento.

Fonte: onu.org.br

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