Jardineiros da floresta: Mariposa ajuda a preservar especies da Serra do Mar

mariposaSeu nome comum é mariposa. Também a chamam de “bruxa”. Crianças, com medo, fogem dela. Existem muitos tipos desse inseto, pequenos e grandes, mas apenas sua estranha aparência costuma ser observada. Poucos sabem que a mariposa é uma das “engrenagens” de uma complexa “máquina” da natureza capaz de produzir a vida ou a extinção nas florestas.

De flor em flor para consumir o néctar que as atrai, elas levam grãos minúsculos de um pó chamado “pólen”, onde estão as células sexuais masculinas, para o órgão feminino das flores que visitam. Do sucesso dessa polinização, quando ocorre a fecundação, nascem os frutos e as sementes, o que assegura o futuro da espécie. Mas elas próprias, as mariposas, dependem de outras plantas, cujas folhas alimentam suas lagartas até a fase adulta, quando então passam a dedicar-se à tarefa de espalhar a vida pela floresta. Tire uma peça dessa “máquina” e comprometerá um ciclo de vida.

Esse é o cenário do estudo de doutorado do biólogo Felipe Amorim, realizado no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, sob a orientação da professora Marlies Sazima, e que chegou a uma constatação inédita sobre polinização por mariposas na Serra do Mar: elas se deslocam pelas distintas áreas de vegetação da Mata Atlântica, saindo de áreas de restinga e de floresta de terras baixas (próximas do nível do mar) para o alto da serra na floresta montana (acima de 800 metros de altitude), onde existem espécies de plantas que dependem exclusivamente do serviço desses insetos para a reprodução. “Ou seja, é necessário que haja conectividade entre as diferentes fisionomias florestais que formam a Mata Atlântica para possibilitar o deslocamento de polinizadores, e consequentemente, a reprodução de espécies de plantas altamente especializadas. Nesse sentido, a fragmentação florestal ocasiona, não apenas a perda de espécies de maneira isolada, mas a perda de interações ecológicas importantes”, explica.

É uma constatação importante no atual contexto da Serra do Mar e da vegetação de Mata Atlântica, que já cobriu, no passado, toda a costa brasileira e parte do interior do país. Hoje, restam menos de 8% desse tipo de vegetação em “fragmentos” que, em sua maioria, não são superiores a 100 hectares – imagine um quadrado com 1 km em cada lado –, distribuídos com pouca ou nenhuma conexão entre eles pelo Brasil. “Esses animais dependem de áreas contínuas de floresta para a manutenção de interações biológicas importantes”, explica o biólogo.

serra do marO trabalho foi desenvolvido na maior área contínua de Mata Atlântica ainda preservada no Brasil, o Parque Estadual de Serra do Mar (SP), que tem 315 mil hectares e se estende desde a divisa do Estado de São Paulo com o Rio de Janeiro até Itariri, perto do Paraná.

A mesma constatação obtida com os estudos sobre as mariposas, segundo o pesquisador, possivelmente pode ser ampliada para outros grupos de polinizadores da natureza, como beija-flores, morcegos e abelhas, por exemplo.

O objetivo do trabalho era entender como as plantas se reproduzem na região mais elevada da Serra do Mar, particularmente as plantas que dependem da ação de mariposas no processo de polinização, ou seja, que abrem suas flores, em geral à noite, exalam um odor adocicado e produzem um líquido, o néctar, para despertar a atenção desse tipo de visitante floral. De fato, os insetos atraídos colaboram porque, ao visitarem as flores para se alimentarem do néctar, tocam os órgãos reprodutores e, consequentemente, transportam pólen dos órgãos masculinos para os femininos das plantas, o que dará origem ao fruto. Mas por que isso é importante? De forma resumida, outro animal – geralmente espécies de aves ou de mamíferos – come o fruto e carrega as sementes para outros cantos da floresta, permitindo que as sementes caiam cheguem ao solo e que nasça uma nova planta.

Veja matéria completa no Jornal da Unicamp

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