Laboratorio testa proteses ‘biofabricadas’ em humanos

protese 1Você sobreviveu a um grave acidente, mas se olha no espelho, todos os dias, e depara-se com as marcas da tragédia: a ausência de uma parte do osso da cabeça. Ou você teve alguma doença que deixou sequelas semelhantes. Usa boné, deixa o cabelo crescer (se ainda o possui), para esconder essas marcas. Se, de apenas imaginar, a situação o incomoda, pense agora que esta é a realidade diária de quem passa por essas situações e aguarda uma prótese. Do ponto de vista médico, a questão é maior: elas estão mais vulneráveis com a deformidade no crânio, que antes protegia o cérebro, e isso representa um risco para a vida e exige cuidados especiais.

Dez pacientes terão o problema resolvido até o final deste ano, segundo previsão dos pesquisadores da Unicamp que trabalham em um projeto único de fabricação desse tipo de “peças de titânio” para humanos no país, no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Biofabricação (Biofabris), na Unicamp. Quatro já estão prontos para a cirurgia, que será realizada no Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP). O grupo foi selecionado para a etapa de estudos clínicos do projeto, o último estágio da pesquisa e um dos mais importantes por envolver a aplicação e avaliação das próteses em seres humanos.

Em comum, todos passaram por uma ou duas cirurgias de reparação, mas sem sucesso, por diversos complicadores típicos desse tipo de situação. A maioria é homem, apresenta sequelas decorrentes de traumas de acidentes e têm entre 20 e 60 anos. “Na área médica, é preciso submeter todo material novo a uma bateria de testes e existem passos a serem seguidos. O último deles é o estudo clínico”, explica o médico Paulo Kharmandayan, professor e coordenador da área de Cirurgia Plástica do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, integrante da equipe de pesquisa do Biofabris.

O conceito de “biofabricação” consiste em utilizar técnicas de engenharia e biomateriais para a construção de estruturas tridimensionais, fabricação e confecção de substitutos biológicos que atuarão no tratamento, restauração e estruturação de órgãos e tecidos humanos. O laboratório, que é ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reúne pesquisadores de quatro unidades da Unicamp (FEQ, FEM, FCM e o Instituto de Física) e de outras universidades e institutos de pesquisa do país, de diferentes áreas, que trabalham de forma integrada e multidisciplinar nos vários projetos, incluindo o das próteses.

protese 2No total, quinze pacientes foram pré-escolhidos para essa etapa de estudos clínicos, aprovada pelo Comitê de Ética da FCM, mas existem outros selecionados e que podem ser incluídos. A primeira cirurgia foi realizada no ano passado. O segundo paciente operado recupera-se de um procedimento realizado há dois meses. Ambos vivem com novas próteses feitas de titânio para a correção de deformidades cranianas. Assim como os outros que ainda serão operados no decorrer dos próximos meses, todos ajudarão os pesquisadores a avaliar a adaptação do corpo às peças produzidas sob medida. “Todas as etapas são importantes, mas esta é imperativa para que tenhamos uma avaliação do que foi feito, desde a escolha do material até as técnicas de fabricação e cirurgia”, explica o coordenador do Biofabris, Rubens Maciel Filho, professor da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp.

As próteses desenvolvidas são usadas em cirurgias plásticas (craniofaciais) para a reparação de deformidades causadas por má formação ou por sequelas de traumas, como acidentes, ou doenças. No Brasil, de cada dez vítimas de acidentes de trânsito, quase seis (57,6%) apresentam traumas faciais e um (10%) tem lesões no crânio. “Infelizmente, vivemos em uma sociedade que valoriza muito a estética”, afirma Marcelo Magno, 28, o segundo paciente a receber o implante na Unicamp. “Agora, há momentos que até esqueço que uso a prótese.”

Fonte: Jornal da Unicamp – Artigo completo para download em pdf: Laboratório testa próteses ‘biofabricadas’ em humanos

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