Pesquisa identifica zonas de risco para as tartarugas de couro

tartarugaAs últimas grandes populações da tartaruga de couro* (Dermochelys coriacea) do mundo estão em risco porque suas principais rotas migratórias no Oceano Atlântico coincidem com os locais de maior concentração da pesca industrial de espinhel, que é realizada com anzóis. Um estudo recente atestou que são necessários esforços internacionais conjuntos e urgentes para proteger a espécie. A pesquisa contou com a colaboração de especialistas de 12 países dos quartro continentes, que trabalham na conservação e pesquisa das tartarugas de couro no Oceano Atlântico, entre eles os do Projeto Tamar.

Entre os anos de 1995 e 2010, 106 tartarugas de couro foram monitoradas no Atlântico, através de transmissores por satélite. Dados e informações foram analisados e cruzados com o conhecimento acumulado sobre a pescaria de espinhel. Foram identificadas nove áreas com maior risco de captura acidental de tartarugas, sendo quatro delas no Atlântico Norte e cinco no Atlântico Sul. Algumas dessas áreas ficam em águas profundas internacionais, a mais de 200 milhas náuticas da terra, e outras dentro das zonas econômicas exclusivas (águas nacionais costeiras) do Reino Unido, EUA, Cabo Verde,  Gâmbia, Guiné-Bissau, Mauritânia, Senegal, Espanha, Saara Ocidental, Angola, Brasil e Namíbia.

Perigo o ano todo

Especificamente no Atlântico Sul, das cinco áreas de maior suceptibilidade por este tipo de pescaria, a localizada ao longo da costa sul do Brasil persistiu durante todo o ano, pois há atividade pesqueira contínua, enquanto outras localizadas no Atlântico Equatorial Central e as Bacias do Cabo, Angola e Guiné foram sazonais. O estudo constatou que mais de quatro bilhões de anzóis foram utilizados em todo o Oceano Atlântico pela pesca industrial em 15 anos, o equivalente a 730 mil anzóis por dia.

Tartaruga_couro

Dr. Matthew J. Witt, da Universidade de Exeter, na Inglaterra, disse que este estudo destaca claramente a natureza transfronteiriça dos movimentos sazonais da tartaruga de couro e o esforço multinacional necessário para planejar e executar medidas capazes de proteger esta espécie tão ameaçada pela pesca. Para o pesquisador, é essencial unir esforços entre cientistas e a indústria pesqueira, para  garantir que estes e futuros estudos possam evoluir e subsidiar a criação de políticas públicas capazes de minimizar o problema da captura incidental.

Fonte: brasil.gov.br/meio-ambiente

*A tartaruga-de-couro é a maior de todas as tartarugas, com tamanho médio em torno de 2 m de comprimento por 1,5 m de largura e 700 kg de massa, embora já tenha sido encontrado um exemplar considerado o maior já registrado, com 900 kg e 3 m de comprimento .

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