Guerra pela Água: Brasil precisa incluir seus aquíferos em um plano de segurança nacional?

Com duas das maiores reservas de água potável do mundo, o Brasil deve avaliar desde já como irá proceder, em um futuro muito próximo, com relação ao fornecimento de água para outros países e como fará a proteção destas reservas. Neste blog já escrevemos sobre a “Guerra pela Água”, e não é ficção científica, já é prevista em planos de defesa de alguns países.

Afinal, o que é o aquífero Alter do Chão?  “Com status de celebridade depois de ser eleita pelo jornal inglês The Guardian como a praia mais bonita do Brasil, a pequena e encantadora vila de Alter do Chão, localizada à margem direita do rio Tapajós, a 32 quilômetros de Santarém, ainda não tomou conhecimento de mais um título que a coloca em posição de enorme destaque no cenário internacional.

Embora Alter do Chão seja a referência daquele que já é apontado pelos pesquisadores como o maior aquífero do Brasil e, muito provavelmente, do globo, sua população continua alheia ao fato e, por falta de informação, está longe de poder avaliar a importância que ele tem num planeta em que a água doce é cada vez mais escassa e já se tornou um bem estratégico de alto valor comercial.

De acordo com José Ribeiro dos Santos, engenheiro operacional da Cosanpa em Santarém, tudo começou na década de 1960, quando a Petrobrás e a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, empresa do Ministério de Minas e Energia), em trabalho conjunto de pesquisa, perfuraram naquela área um poço com cerca de 1.500 metros de profundidade. Até onde se sabe, não foram ali encontrados indícios da presença de minérios ou de hidrocarbonetos.

Os pesquisadores foram surpreendidos, porém, pela presença de um gigantesco lençol de águas subterrâneas, que estudos posteriores puderam dimensionar com mais precisão. Historicamente, considerava-se que o aquífero Guarani, localizado no Sul e Sudeste do país, era o maior do Brasil. Hoje, esse título pode pertence ao aquífero de Alter do Chão. Com 437.500 quilômetros quadrados de extensão e espessura de 545 metros, ele detém um volume de água superior ao do Guarani, este um pouco mais extenso, porém com menor espessura.”

Fonte: Folha do Progresso

Dados preliminares divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) apontaram o Aquífero Alter do Chão como o maior depósito de água potável do planeta. Com volume estimado em 86.000 quilômetros cúbicos de água doce, a reserva subterrânea está localizada sob os Estados do Amazonas, Pará e Amapá. “Essa quantidade de água seria suficiente para abastecer a população mundial durante 500 anos”, diz Milton Matta, geólogo da UFPA.

Em termos comparativos, Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água do Aquífero Guarani (com 45.000 quilômetros cúbicos). Até então, Guarani era a maior reserva subterrânea do mundo, distribuída por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A água desses reservatórios é bem mais limpa que a dos rios e está menos sujeita à contaminação.

Na primeira fase da pesquisa, que custará cerca de US$ 300 mil e durará oito meses, os pesquisadores vão sistematizar os dados sobre o reservatório, fazer o cadastramento de poços e mensurar a profundidade deles. A segunda fase do levantamento vai durar cinco anos e foi orçada em US$ 5 milhões. Nessa etapa, será feito um minucioso estudo usando geofísica.

É evidente a importância deste aquífero bem como o Guaraní, com implicações inclusive de segurança nacional, já que a escassez de água potável no planeta começa a se fazer sentir em alguns locais (como o Iêmen, leia mais aqui). Não irá demorar muito para que a importância de reservas como essas sejam mais importantes que poços de petróleo. Deve o Brasil estudar a exploração dos aquíferos, sua importância estratégica e sua proteção, e que isso seja feito imediatamente.

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Prefeitura do Rio inaugura novo aterro sanitário bem em cima de Aquífero Piranema

A prefeitura do Rio deu início ontem (20) à descarga de lixo no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) em Seropédica, município da região metropolitana onde está o Aquífero Piranema, reserva de água subterrânea com capacidade de abastecer a população carioca, em caso de necessidade.

A primeira carga de lixo foi de três carretas, cada uma carregada com 30 toneladas. Mas o planejamento é despejar no local mil toneladas diárias pelos próximos meses, até atingir o total de 6 mil toneladas produzidas pelo município do Rio. O objetivo é que Seropédica absorva, até o início do próximo ano, os resíduos que eram levados para o Aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, à beira da Baía de Guanabara, e que será finalmente fechado.

A prefeitura do Rio escolheu Seropédica depois de ver barrada sua intenção de levar o lixo urbano para o bairro de Paciência, na zona oeste, por pressões dos moradores, às vésperas da eleição municipal de 2008. O novo aterro será administrado de forma privada pela empresa Ciclus, que receberá pelo trabalho e também poderá explorar a geração de energia elétrica, por meio de uma usina que usará o biogás da decomposição do lixo.

O secretário de Conservação e Serviços Públicos do Rio, Carlos Roberto Osório, defendeu a operação do CTR e disse que o maior benefício será o fechamento definitivo de Gramacho.

“O Rio de Janeiro está pagando uma grande dívida ambiental que tínhamos na região metropolitana. Com o início das operações do CTR de Seropédica, que é o mais moderno do Brasil, nós iniciamos o fechamento do aterro de Gramacho. O Rio sai de uma situação de grande fragilidade ambiental para uma situação de vanguarda e modernidade no tratamento dos resíduos sólidos da nossa cidade”, disse Osório.

Ele sustentou que não haverá risco de contaminação do Aquífero Piranema, como apontam ambientalistas e especialistas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Entre outras alegações, apontou que haverá três camadas impermeabilizantes entre os detritos e o solo, além de sensores que darão o alerta em caso de vazamento.

“Isso [a contaminação do aquífero] não é possível. Esses ambientalistas são poucas pessoas que – por motivos que não conhecemos – lutam contra evidências científicas. O processo de licenciamento do CTR de Seropédica foi o mais rigoroso possível. Temos equipamentos que garantem segurança máxima na colocação dos resíduos sólidos lá”, garantiu Osório.

Entre os críticos da instalação do depósito, está a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Sirlei de Oliveira, doutora em geologia e integrante do Conselho do Meio Ambiente de Seropédica. “Eu e os demais pesquisadores da UFRRJ somos absolutamente contra, devido a área que foi escolhida, que é a mais inadequada possível. O solo onde eles estão colocando o lixo é composto de areia. Por mais que falem em fazer camadas de proteção, não será suficiente. Em algum momento, podemos ter um comprometimento muito sério do corpo d´água que está abaixo, o Aquífero Piranema”, alertou a geóloga.

Ela discorda da forma como está sendo tratado o aquífero, que representa uma reserva estratégica em caso de acidente com o principal fornecedor de água para a cidade do Rio de Janeiro, o Rio Guandu, afluente do rio Paraíba.

“Hoje o mundo todo está preocupado com a quantidade de água doce que temos à disposição num futuro próximo. Este aquífero é suficiente para abastecer o Rio de Janeiro por mais de um mês, se houver qualquer tipo de contaminação no principal corpo hídrico, que é o Guandu”, advertiu Sirlei.

Para a geóloga, o agravante foi a escolha do local, que é justamente onde acontece a recarga de água, próximo a uma serra, que funciona como uma grande calha para as chuvas, que em seguida se infiltram no solo, garantindo novo suprimento de água.

Já o ambientalista Mário Moscateli, que tem se dedicado à proteção do entorno da Baía de Guanabara, promovendo reflorestamentos com espécies nativas, também critica a iniciativa, mas de forma branda. Ele considera que a principal vantagem será a possibilidade de se evitar um desastre maior, um vazamento em grandes proporções do Aterro de Gramacho para o mar. Mesmo assim, Moscateli diz que é preciso haver transparência na administração do CTR, com a participação da sociedade no acesso às informações.

“Na medida em que todas as normas técnicas sejam devidamente respeitadas, não vejo grandes problemas para este novo local que receberá os resíduos sólidos. O que precisa ser exigido é que todas as normas, as técnicas e a legislação sejam permanentemente fiscalizadas pelos órgãos ambientais, pelas universidades e pelo Ministério Público. Porque muitas vezes a coisa começa direito e desanda em um determinado momento”, salientou Moscateli.

Fonte: Agência Brasil

Aquecimento Global: Iêmen está se tornando a primeira nação a ficar sem água

O Iêmen parece ser o primeiro país no mundo a sofrer total excassez de água por culpa do aquecimento global e extrativismo, gerando possibilidades de conflitos e movimento de massa de populações que podem se espalhar por todo o mundo, se o crescimento da população ultrapassar os recursos naturais.

Governo e especialistas concordam que a capital, Sanaa, tem cerca de dez anos no ritmo atual, antes que seus poços sequem. A cidade de dois milhões de habitantes continua a crescer e as pessoas são forçadas a procurar outras áreas para habitar por causa da escassez de água.

No Iêmen, que está lutando contra três insurreições, as linhas de batalha das guerras tribais, tradicionalmente, seguem as linhas dos barrancos e vales do deserto em que os rios tornam-se caudalosos quando as raras chuvas caem. Em meio a uma das maiores taxas mundiais de crescimento da população – 3,46 por cento em 2008 – a escassez de água tornou-se crítica e está originando distúrbios civis. Água disponível por pessoa no Iêmen é de 100 a 200 metros cúbicos por pessoa por ano, muito abaixo da linha internacional de pobreza de água de 1.000 metros cúbicos.

Reservas de água subterrâneas estão sendo usadas mais rapidamente do que elas podem se reconstituir, especialmente na bacia de Sanaa, onde a água era encontrada a 20 metros abaixo da superfície e agora passou para 200 metros de profundidade* (*ver atualização abaixo), apesar dos reservatórios de água da chuva construídos sobre os telhados da maioria das casas.

No desespero, algumas pessoas têm escavado poços sem licença, agravando o problema. No distrito montanhoso Malhan, no norte, mulheres e crianças escalam uma montanha de 1.500 m para coletar a água de uma nascente, muitas vezes de madrugada para evitar longas filas.

O Governo está considerando a construção de uma planta de dessalinização da água do mar, mas esta é uma solução cara e pode vir tarde demais. A única outra opção seria reduzir a indústria agrícola, o que acarretaria em uma maior importação de alimentos… desastroso de toda a forma.

Muitas reuniões sobre o clima, muitos acordos feitos e desfeitos, mas é frente à um problema desses em que vemos a ineficiência de tudo isso. De que adianta conferências intermináveis sobre o tema se nenhum órgão se mobiliza numa ação eficaz, verdadeira, para combater uma catástrofe desse tipo que bate à nossa porta? Muito dinheiro gasto em demagogia que se redirecionado poderia salvar vidas.

* Publicamos este artigo em 2009, estamos em 2011 e a bacia de água Sana continua a se esgotar, as pessoas ainda estão escavando mais e mais fundo para encontrar a água de que necessitam. A população hoje tem que escavar pelo menos 500 metros para encontrar água (Fonte: CNN). Logo a profundidade será ainda maior. E um dia eles vão cavar e não encontrar água.

Outro agravante é a sistemática substituição das vinhas por uma planta chamada Qat, ela é um narcótico leve, é mastigado diariamente em quase todas as partes do país e é uma parte integrante da cultura do Iêmen. Porém ela necessita cinco vezes mais água para ser cultivada do que as uvas que eram anteriormente plantadas no mesmo lugar.

Alguns, sabendo que a água se tornou escassa, dizem não poder depender do governo para ajudar e que então vão fazer a única coisa que podem: continuar a rezar por chuva.

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