Biocombustíveis: FAPESP e Peugeot Citroën apoiarão Centro de Pesquisa em Engenharia

citroen-c-zeroA FAPESP e a Peugeot Citroën assinaram, no dia 13 de novembro, um acordo de cooperação para apoio a pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre pesquisadores em atividade no Estado de São Paulo e da empresa.

As duas instituições também anunciaram uma chamada pública de propostas para seleção de um projeto que visa à criação de um Centro de Pesquisas em Engenharia voltado para o desenvolvimento de motores a combustão movidos a biocombustíveis.

Com sede em uma instituição de pesquisa no Estado de São Paulo, o Centro terá apoio da FAPESP e da Peugeot Citroën por até dez anos para desenvolver projetos sobre motores de combustão interna, adaptados ou desenvolvidos especificamente para biocombustíveis, e sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis.

O Centro poderá agregar integrantes de diferentes universidades e institutos de pesquisa, com a atribuição de executar projetos multidisciplinares na fronteira do conhecimento, transferir tecnologia, formar pesquisadores e disseminar o conhecimento produzido.

Entre os temas que deverão ser investigados estão novas configurações de motores movidos a diferentes biocombustíveis, incluindo veículos híbridos, redução de consumo e de emissões de gases, e também o futuro, os impactos e a viabilidade econômica e ambiental de biocombustíveis.

Além disso, o acordo também poderá possibilitar aumentar o número de cientistas que realizam pesquisas no âmbito do Programa BIOEN, que hoje são 300, sendo 240 do Estado de São Paulo e 60 de diversos países.

Redução das emissões de poluentes

De acordo com François Sigot, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Estilo da PSA Peugeot Citroën na América Latina, o Centro de Pesquisa em Engenharia possibilitará criar motores movidos a biocombustíveis, e não somente adaptar os motores movidos a gasolina, como vinha sendo feito pelas montadoras no país nos últimos anos. “Esperamos com esse acordo de cooperação científica e tecnológica irmos mais longe em termos de otimização dos motores para biocombustíveis, porque basicamente o que vínhamos fazendo era adaptar os motores desenvolvidos na Europa e nos Estados Unidos para os biocombustíveis no Brasil”, disse Sigot.

Fonte: Agência FAPESP

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Al Gore diz que mudancas climaticas devem acirrar disputa por alimentos e biocombustiveis

al goreO ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore alertou para o risco de o aquecimento global acirrar a disputa por alimentos e biocombustíveis. Durante a apresentação (26/09) no Global Agribusiness Forum, realizado na capital paulista, ele ressaltou que as mudanças climáticas tendem a diminuir a produtividade de commodities agrícolas, como o milho e a soja, e provocar um acirramento sobre a sua destinação.

“Em um mundo mais quente, se nós não começarmos a agir, o conflito entre plantar milho para produzir combustível e para alimentação irá se tornar ainda mais intenso”, disse, destacando as altas nos preços dos alimentos nos últimos anos.

Gore ressaltou ainda que as alterações climáticas tendem a tornar difícil fazer previsões sobre o tempo, informações fundamentais para a agricultura. “A pertubação do ciclo biológico acabará com a possibilidade de se prever a ocorrência das chuvas”, disse, após demonstrar por meio de estatísticas que o planeta enfrentou nos últimos anos aumento nas temperaturas médias. Além disso, Gore apresentou dados que indicam aumento nas ocorrências de calor extremo, acima de 50 graus Celsius, em países como o Iraque e Paquistão.

Ao final, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos ressaltou a importância de um esforço conjunto para contornar o problema em tempo de evitar os efeitos mais catastróficos. “Nós temos que tomar a decisão de que isso é uma prioridade para nós. Nós temos que ir rapidamente em frente e, se queremos ir longe, temos que ir juntos”.

Fonte: Agência Brasil

FAPESP e BP assinam acordo de US$ 50 milhões para estimular pesquisas em biocombustíveis

A FAPESP e a empresa BP Biocombustíveis assinaram no dia 27 de abril um acordo de cooperação para estimular o desenvolvimento científico e tecnológico na área de biocombustíveis.

O acordo tem duração de dez anos e prevê investimentos de até US$ 50 milhões em pesquisas relacionadas a temas como “Biomassa para bioenergia, com foco em cana-de-açúcar”, “Processo de fabricação de biocombustíveis” e “Aplicações do etanol para motores automotivos”.

A cerimônia foi realizada no Palácio dos Bandeirantes e contou com a presença do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, do presidente da Assembleia Legislativa, Barros Munhoz, e do presidente da BP, Mario Lindenhayn. A FAPESP esteve representada por Celso Lafer, presidente, e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico.

Brito Cruz ressaltou que o acordo é o maior já firmado pela FAPESP para co-financiamento de pesquisas. “O desenvolvimento de novas tecnologias é essencial para aumentar a produtividade e tornar a produção mais sustentável, permitindo que o Estado de São Paulo continue a ser o segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos”, afirmou.

Brito Cruz destacou também que a parceria permite fortalecer a conexão entre as universidades e a indústria, outra prioridade da FAPESP.

Lafer ressaltou que a FAPESP tem se empenhado na busca de parcerias com o setor privado para ampliar o escopo das pesquisas, o volume de recursos e a oportunidade de interação entre os pesquisadores. “Esta parceria, que é de longo prazo e tem recursos abundantes e generosos, poderá trazer resultados muito positivos”, disse.

O presidente da BP Biocombustíveis lembrou que a data da assinatura do acordo marca também o aniversário de um ano da empresa no Brasil. “O fato de entrarmos em uma parceria de longo prazo para desenvolver tecnologia no Estado de São Paulo demonstra nosso compromisso de manter uma atividade relevante no pais”, disse Lindenhayn.

Segundo Lindenhayn, a BP já investiu, em todo o mundo, mais de US$ 1 bilhão em tecnologia relacionada a biocombustíveis. “Em 30 anos o Brasil conseguiu aumentar em três vezes a produção de álcool por hectare. O que queremos conseguir agora, com o apoio da tecnologia, é dobrar a produção atual sem aumentar a área plantada”, afirmou.

Representando o governador Geraldo Alckmin, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia celebrou a parceria. “O investimento em pesquisa e inovação é imprescindível para garantir a competitividade da economia paulista, que responde por 33% do PIB brasileiro, 40% do mercado consumidor nacional e 41% do que o país arrecada”, disse Barbosa.

Mais informações sobre o acordo: www.fapesp.br/acordos/bp.

Fonte: Agência FAPESP 

A dois meses da Rio+20, temas sensiveis como economia verde seguem sem consenso

economia-verdeA dois meses da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no Rio de Janeiro, dois temas considerados prioritários seguem sem consenso. Os países negociadores concordam com o estímulo à economia verde e a necessidade de se criar um organismo multilateral fortalecido para questões ambientais. Mas, por falta de acordos, não há avanços para fazer com que esses temas virem propostas concretas para ser defendidas na conferência.

Os debates podem evoluir a partir da próxima segunda-feira, quando começa a segunda rodada de negociação formal em torno do documento que está sendo preparado para a Rio+20. Segundo o secretário executivo da Comissão Nacional para a Conferência, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, o texto que está recebendo contribuições dos grupos de negociação dos países envolvidos deve passar por mais mudanças ao longo das próximas duas semanas. “Teremos sugestões para condensar as várias ideias. Muitas contribuições são semelhantes, às vezes engordam [o texto] sem discordar”, explicou o embaixador.

No caso da economia verde, a dificuldade para se chegar a um acordo, segundo negociadores brasileiros, está nas nações em desenvolvimento, que temem que esse instrumento crie, no futuro, brechas para justificar medidas protecionistas como barreiras comerciais, imposição de padrões tecnológicos e pré-condições para receber ajuda externa. A solução que está sendo negociada é a de não propôr um padrão único de economia verde, mas modelos diferentes para cada país.

Pela proposta, o Brasil poderia criar um modelo que privilegie, por exemplo, o uso de energias renováveis e biocombustíveis. Os critérios para avaliar o empenho de cada país seriam definidos a partir dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos na Conferência.

Quanto ao futuro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), criado há 40 anos, há consenso. As nações concordam que é preciso rever as funções e a operacionalidade desse organismo. A divergência ocorre com as propostas. Alguns países defendem a criação de uma agência de meio ambiente vinculada às Nações Unidas, enquanto outros, como o Brasil, preferem apoiar a revisão do Pnuma.

Fonte: Agência Brasil

Alterar forma como plantas transformam luz solar em energia química pode gerar biocombustíveis

energiaCientistas iniciaram uma nova tentativa de turbinar a fotossíntese e nos ajudar a fazer combustíveis mais verdes.

A Advanced Research Projects Agency for Energy americana, conhecida como ARPA-e, financiou dez projetos assim até agora, a maioria deles usando engenharia genética para ajustar o manual de instruções baseado no DNA de uma planta para o crescimento, pigmentos etc. A maior subvenção – mais de US$ 6 milhões – foi para a University of Florida, para alterar pinheiros e fazê-los produzir mais terebintina, um combustível em potencial.

Outro projeto, liderado por Davis, da Arcádia Biosciences, na Califórnia, tem como objetivo induzir gramíneas de crescimento rápido como switchgrass a produzir óleo vegetal pela primeira vez na história.

Leia mais em “Ajustando a Fotossíntese” – sciam

Clima, energia, economia: Volatilidade nos preços dos alimentos ameaça a segurança alimentar no mundo

A crise que atinge os países ricos e o aumento da oferta fizeram os preços dos alimentos cair 8% entre setembro e dezembro de 2011 e fechar o último mês do ano 7% mais baixos do que no mesmo período de 2010, de acordo com o relatório “Monitor de preço dos alimentos”, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Banco Mundial. Mesmo com a queda no fim do ano, na média, os alimentos ficaram 24% mais caros em 2011 na comparação com 2010, segundo o levantamento, que é feito a cada três meses.

O Banco Mundial prevê uma “projeção favorável de queda nos preços dos alimentos durante 2012 devido à redução da demanda dos consumidores, desaceleração da economia mundial, reduções já previstas nos preços da energia, do petróleo bruto e boas perspectivas na oferta de alimentos em 2012”.

Mesmo assim, diz o levantamento, os preços continuarão voláteis e poderão subir se houver aumento na demanda por biocombustíveis, se o preço do petróleo avançar por causa de instabilidades dos países produtores e até porque os estoques de alguns alimentos estão baixos. As constatações são semelhantes a um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) publicado este mês.

As mudanças no clima também ameaçam a produtividade e, por consequência, os preços. “O fenômeno La Niña já fez sua aparição no Oceano Pacífico e acredita-se que poderá afetar a época de cultivos de milho e soja na Argentina e no Brasil.”

Durante 2011, o preço de produtos básicos, como milho, soja e trigo impediu que as reduções no fim do ano fossem maiores do que as registradas. Além da pressão internacional sobre o preço desses alimentos, o mercado doméstico de alguns países fez subir muito o valor de alguns produtos. Foi o caso, por exemplo, da alta de 88% do preço do trigo na Belarus e de 23% na Etiópia entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011. Neste período, cresceu 81% o valor do arroz em Uganda, 117% o valor do milho no Quênia e 106% no México e houve aumento de 28% do sorgo na Etiópia.

O vice-presidente de gestão econômica e redução da pobreza do Grupo Banco Mundial, Otaviano Canuto, afirmou que “as piores altas” de preços já passaram, mesmo assim “não devemos descuidar”. “Os preços de alguns alimentos seguem muito altos em muitos países, e assim milhões de pessoas ficam expostas ao risco de desnutrição e à fome. Os governos devem se colocar à altura [do desafio] e adotar políticas que ajudem as pessoas a lidar com esta situação”, disse.

O economista-chefe do Banco Mundial, José Cuesta, declarou que os preços continuam elevados nos países do leste e do oeste africano, por causa, especialmente, das más condições climáticas e de conflitos regionais. “Temos que permanecer vigilantes, pois preços elevados podem ocasionar consequências nutricionais devastadoras, com repercussões no desempenho escolar, condições de saúde, desenvolvimento cognitivo e na produtividade”, ressaltou.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Arabe /ANBA

Índios Guaranis ordenam que Shell deixe suas terras

Homem Guarani. A Shell está usando cana de açúcar plantada nas terras dos Guarani. - ©Fiona Watson/Survival

Segundo um press release da ONG Inglesa Survival International, índios da tribo Guarani, no Brasil, exigiram que a gigante da energia, Shell, pare de usar suas terras ancestrais para produção de etanol.

Ambrosio Vilhalva, um Guarani de uma das comunidades afetadas, disse à Survival International, ‘A Shell tem que sair das nossas terras … as empresas têm que parar de trabalhar na terra dos indígenas. Queremos a justiça, e a demarcação das nossas terras.’

A Shell se tem unido com a Cosan, empresa brasileira de etanol, em um empreendimento conjunto chamado Raízen. Parte do etanol da Raízen, que é vendido como biocombustível, é produzido a partir de cana de açúcar cultivada em terras ancestrais dos Guarani.

Em uma carta para as empresas, os índios advertem que ‘Depois que começou a funcionar a usina, a saúde ficou ruim para todos- crianças, adultos e animais’. Veja a carta na íntegra aqui.

Acredita-se que os produtos químicos usados nas plantações de cana estão causando diarréia aguda entre as crianças Guarani, além de estarem matando peixes e plantas.

Os Guarani relatam, ‘Acabou remédios de vários tipos, que dá no mato, na beira do rio. A planta acabou pelo envenenamento’. Continuam, ‘A usina nunca pediu permissão nem consultou com os índios para plantar em nossas terras’. Enquanto isso, muitos Guarani ainda vivem em condições desumanas, em reservas super-povoadas ou acampados à beira de estradas.

Dezenas de Guarani foram assassinados ao tentar reocupar suas terras, e muitos outros foram expostos a atos de violência. Os Guarani de Pueblito Kuê foram os últimos a sofrer ataques, uma vez que reocuparam sua terra no mês passado.

O Diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, ‘É uma triste ironia que as pessoas comprem o etanol da Shell como uma ‘alternativa’ ética para combustíveis fósseis: certamente não há nada ético sobre o horrendo tratamento dispensado aos Guarani. O governo brasileiro precisa cumprir suas leis, e parar a destruição em massa de terras indígenas’.

 A matéria da Survival na internet (em inglês): http://www.survivalinternational.org/news/7674

 

Índios Guarani – O termo guaranis refere-se a uma das mais representativas etnias indígenas das Américas, tendo como territórios tradicionais uma ampla região da América do Sul que abrange os territórios nacionais da Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a porção centro-meridional do território brasileiro.

São chamados povos, pois sua ampla população encontra-se dividida em diversos subgrupos étnicos, dos quais os mais significativos, em termos populacionais, são os caiouás, os embiás, os nhandevas, os ava-xiriguanos, os guaraios, os izozeños e os tapietés. Cada um destes subgrupos possui especificidades dialetais, culturais e cosmológicas, diferenciando, assim, sua forma de ser guarani das demais.

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