Proteger os oceanos: questao critica para a sobrevivencia humana, diz pesquisador

oceanosOs oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre, somam 97% da água do planeta, concentram um número imenso de espécies, mantêm um grande estoque de alimentos e guardam reservas minerais. Em reconhecimento à importância dos mares nas nossas vidas, há cinco anos a Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Dia Mundial dos Oceanos, comemorado desde 2009 no dia 8 de junho.

Para o pesquisador José Luiz Azevedo, coordenador do curso de oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), o mais antigo no país, a proteção dos oceanos é crítica para a sobrevivência da espécie humana.

“Está muito claro que os oceanos têm uma grande importância ecológica, econômica, política e sociocultural. Os oceanos são um ponto crítico até para a sobrevivência da espécie humana e de todos os seres vivos no nosso planeta. Os oceanos são fundamentais. Eles regulam o clima, nos proporcionam alimentação. E grande parte da população mundial vive na zona costeira. As grandes cidades do mundo estão todas na costa, em contato direto com o oceano”, disse.

E, ao longo de centenas de anos sofrendo com a ação humana, os oceanos já começam a dar sinais de desgaste. No Brasil, por exemplo, a acidificação da água do mar, provocada pelo excesso de dióxido de carbono na atmosfera (e sua absorção pelas águas), tem provocado a morte de corais.

Coral-reef-bioerosion“Com os oceanos ficando cada vez mais ácidos, os bancos de corais da costa brasileira têm sofrido bastante. A comunidade oceanográfica tem observado que esses bancos estão perdendo área. Os corais estão morrendo, eles não estão mais com aquela taxa de crescimento que tinham”, ressaltou Azevedo.

Segundo o especialista, nos últimos anos os oceanos passaram a receber atenção especial no mundo por causa das mudanças climáticas e da consequente elevação do nível dos mares. No Brasil, em especial, a pesquisa oceanográfica também recebeu um impulso com as grandes descobertas de petróleo na camada pré-sal.

Azevedo explica que a preocupação com licenças ambientais para empresas que atuam na costa brasileira também aumentou nos últimos anos. Além disso, o fundo dos oceanos poderá ser a principal fonte de areia para a construção civil nos próximos anos no país.

Como parte da estratégia de expansão das pesquisas na costa brasileira, o governo federal criou no final de maio o Instituto Nacional de Pesquisa Oceanográfia e Hidroviária, que reunirá quatro centros de pesquisa: Centro de Oceanografia do Atlântico Tropical, Centro de Oceanografia do Atlântico Sul, Centro de Portos e Hidrovias e Centro de Pesquisa Marinha em Pesca e Aquicultura. Além disso, o governo deve comprar mais um navio oceanográfico.

Fonte: Agência Brasil

Ilha com palmeira Saiba mais sobre elevação do nível do mar em "Elevação do nível do mar: medições e consequências no Brasil e no mundo"

Povoado na foz do São Francisco foi realocado para escapar da elevação do nivel do mar

cabecoO povoado de Cabeço, localizado em ilha na Foz do Rio São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe, experimentou os efeitos mais devastadores da erosão marinha. Em poucos anos, o mar invadiu casas e construções da comunidade pesqueira, que tinha 400 moradores.

A completa evacuação do povoado foi concluída há 14 anos, como conta o ex-morador Everaldo Barreto, de 65 anos, que morou por mais de 40 anos na comunidade.

“A perda da vila teve efeito psicológico forte nos moradores, com a erosão tomando conta, aquele sofrimento. A erosão começou a acontecer aos poucos. Depois de um ano e meio, dois anos, ela começou a agir com mais intensidade. Hoje o mar demolia duas moradias. Amanhã eram três, quatro, cinco. E, dentro de poucos dias, o povoado foi todo embora”, disse.

Segundo ele, muitos moradores, em grande parte pescadores, foram realocados em um assentamento, chamado de Samarém, cinco quilômetros rio adentro. Isso também prejudicou economicamente a comunidade, acostumada a pescar na área do Cabeço.

O processo de avanço do mar sobre a vila é atribuído às represas construídas no Rio São Francisco, como a Usina Hidrelétrica do Xingó, que reduziram a vazão do Velho Chico e abriram espaço para o mar. A antiga vila foi completamente destruída. Seu símbolo é um velho farol do século 19, que ficava em terra e hoje está a dezenas de metros da costa.

Alguns moradores, como Everaldo Barreto reconstruíram casas mais para o interior da ilha onde ficava o povoado do Cabeço. “Às vezes eu vou para lá. Gosto daquela praia”, lembra o vereador aposentado do município de Brejo Grande, onde ficava a comunidade.

Fonte: Agência Brasil

Inundações, secas… temperatura pode registrar até 4ºC a mais no fim deste século, alerta Banco Mundial

Inundação de cidades costeiras, agravamento de seca em algumas regiões do mundo e de ondas de calor são cenários prováveis, caso os países não cumpram as promessas que têm firmado de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Estudo encomendado pelo Banco Mundial revelou que se as economias do mundo não adotarem posturas mais ambiciosas em relação ao clima e ao meio ambiente, a temperatura pode registrar até 4 graus Celsius (ºC) a mais no fim deste século.

De acordo com a pesquisa, todas as regiões do mundo sofreriam, mas as nações mais pobres seriam as mais afetadas pelos riscos à produção de alimentos, que podem elevar as taxas de subnutrição e desnutrição, ao agravamento da escassez de água e à maior ocorrência de fenômenos como ciclones tropicais e perda irreversível da biodiversidade.

Algumas cidades de Moçambique, Madagascar, do México, da Venezuela, Índia, de Bangladesh, da Indonésia, das Filipinas e do Vietnã estariam mais vulneráveis  à elevação do nível do mar em 0,5 metro (m) a 1m até 2100. O estudo destaca que as regiões mais vulneráveis estão nos trópicos, em regiões subtropicais e em direção aos polos, onde múltiplos impactos podem ocorrer simultaneamente.

Mesmo diante do alerta, os representantes do Banco Mundial destacaram que ainda é possível manter a elevação da temperatura no mundo abaixo dos 2ºC, meta assumida por autoridades de quase 200 países que estiveram reunidos na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em 2010.

A possibilidade de evitar 4°C a mais na temperatura mundial, segundo o estudo, dependeria de uma ação política sustentada da comunidade internacional. Ainda assim, a pesquisa indica que alguns danos e riscos ao meio ambiente e às populações não poderiam ser mais evitados.

Pesquisadores da instituição apontam o uso mais eficiente e mais inteligente da energia e dos recursos naturais como uma das medidas de redução do impacto do clima sobre o desenvolvimento, sem que isso represente  ameaça ao ritmo de redução da pobreza no mundo e ao crescimento econômico das nações.

Fonte: Agência Brasil

Frio Imagem: Estudo feito pela agência dos EUA, a NOAA/Geophysical Fluid Dynamics Laboratory, mostra como a elevação do nivel do mar afetaria o sudeste dos Estados Unidos (em destaque o estado da Flórida) com níveis de 1m, 2m, 4m e 8m respectivamente (veja em alta resolução em http://www.gfdl.noaa.gov/pix/user_images/tk/quadrupling_co2/fig5.gif )

Para medir o aumento do nivel do mar, cientistas querem pesar o oceano

Obter uma medida precisa do aumento do nível do mar em todo o mundo é mais difícil do que você pode imaginar, graças a uma série de fatores complicadores como o clima regional, aquecimento e as mudanças sazonais na massa oceano.

Para contornar esses obstáculos, os pesquisadores britânicos propuseram uma nova forma de calcular o aumento do nível do mar: a pesagem do oceano. Mas não é a coisa toda – apenas um segmento dela, uma região tropical do Pacífico. Em um estudo publicado em 01 de setembro no jornal Geophysical Research Letters, os cientistas descobriram que essa área do oceano é “tranquila” e sua massa permanece constante durante todo o ano. Os modelos de computador sugerem que seu peso pode ser usado como uma constante para estimar a massa dos oceanos e do nível do mar.

“O princípio é o mesmo que observar sua banheira encher: você não olha perto das torneiras onde tudo que você está espirrando, agitado e rodando. Você olha para o outro lado, onde o aumento é lento e constante”, afirma o autor do estudo, Christopher Hughes, e pesquisador do National Oceanography Centre.

Resumindo, os cientistas querem instalar um medidor de pressão no fundo do mar para calcular o peso da água acima. Atualmente, no entanto, tal dispositivo não existe. Mas os pesquisadores acreditam que o primeiro pesquisador a desenvolver um instrumento que faça isso “vai ter produzido um instrumento de enorme valor para a oceanografia”, disse Hughes.

Todos os oceanos da Terra são estimados para ter um volume de 0,3 bilhões milhas cúbicas (1.332.000.000 quilômetros cúbicos) e uma profundidade média de 12.081 pés (3.682 metros).

O nível do mar está subindo cerca de 0,1 centímetros (3 milímetros) por ano, mas as previsões de elevação do mar ao longo do século variam de um pé (30 cm) para mais de 3 pés (1 m), de acordo com o comunicado.

Fonte: OurAmazingPlanet.com

Apontando para cima Já em 2009, cientistas do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (http://www.scar.org) advertiram que a elevação do nível do mar será muito superior a 0,59 metros até o final do século e calcularam que, se as temperaturas continuarem a aumentar ao ritmo atual, em 2100 o nível do mar deverá subir até 1,4 metros – o dobro que o previsto em 2007 pelo IPCC.

Essa subida do nível do mar iria engolir nações insulares como as Maldivas, no Oceano Índico e Tuvalu, no Pacífico, devastar as cidades costeiras, como Calcutá e Dacar, e ainda forçaria Londres, Nova York e Xangai à gastarem bilhões em defesas contra inundações.

Garoto paquerando Quer saber mais sobre isso? Acesse “Elevação do nível do mar: medições e consequências no Brasil e no mundo”

Mudanças climáticas afetam maré baixa no litoral norte de SP

Maré baixa no litoral norte de SP vem se elevando nas últimas décadas a uma taxa de 70 centímetros por século, valor que deve chegar a um metro ao longo deste século

Estudo realizado no Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHD) da Escola Politécnica (Poli) da USP mostra que, devido ao aquecimento global a maré baixa (baixa mar) no litoral norte de São Paulo vem se elevando nas últimas décadas a uma taxa de 70 centímetros por século, valor que deve chegar a um metro ao longo deste século.

Para chegar a esse resultado, o professor Paolo Alfredini ele analisou os dados registrados entre 1944 e 2007, pelo marégrafo da Companhia Docas do Estado de São Paulo, bem como os dados de 1954 a 2005 disponíveis nos marégrafos em Ubatuba, São Sebastião e Caraguatatuba e na Bóia Oceanográfica do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP, em São Sebastião.

O trabalho de Alfredini foi feito no âmbito da Rede Litoral, formada por pesquisadores e docentes da Poli, dos institutos Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), além de professores visitantes. Trata-se de um projeto financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do edital de temas estratégicos Ciências do Mar, com duração de quatro anos (2010-2014).

De acordo com Alfredini, cada uma das instituições participantes da Rede Litoral desenvolve pesquisa em torno de um eixo temático, mas trocando informações e complementando atividades. “O objetivo da rede é estudar o impacto das mudanças climáticas no litoral norte de São Paulo (São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba e Ilha Bela)”, explica. “Nós da Poli, dentro da rede, temos como meta avaliar os aspectos ligados à hidráulica marítima e fluvial e apontar conceitualmente ações e obras para mitigar os problemas decorrentes da elevação relativa do nível do mar.”

Outros estudos
Além do estudo sobre as marés, a equipe da Poli, composta por Alfredini e alguns de seus alunos, está desenvolvendo outras pesquisas dentro da Rede Litoral. Um deles é um levantamento de campo na barra do Rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba. “É o maior rio do litoral norte e o único que tem um potencial de navegação, embora limitado”, explica Afredini. “Por isso, nós estamos estudando as características da sua foz, onde estão as menores profundidades dele, para avaliar como as alterações climáticas, que mudam ondas e marés, podem beneficiar ou não a navegação.”

Entender como e porque ocorrem os escorregamento de terra nas encostas de Caraguatatuba é o objetivo de outro estudo que vem sendo realizado por Alfredini. Com isso, ele quer ajudar a evitar que se repita a tragédia de 1967, quando um deslizamento naquele município deixou 436 mortos e cerca de 3.000 desabrigados. “É preciso notar que isso ocorreu quando Caraguatatuba tinha 15 mil habitantes”, diz o pesquisador da Poli. “Hoje a cidade tem 100 mil, grande parte vivendo em áreas de risco.”

Para entender os deslizamentos na região, a equipe da Poli está estudando os córregos formadores do Rio Santo Antonio, que passam pelo local onde aconteceu a catástrofe de 1967. “Eles descem as encostas nas laterais da Rodovia dos Tamoios, e foi ali que começaram os escorregamentos em 67”, explica Alfredini. “Por isso, é importante conhecer esses pontos, que ainda hoje tem cicatrizes. A vegetação ainda é mais baixa. Nessa catástrofe, não só terra e rocha vieram para baixo, as árvores também. Queremos evitar que quando fenômenos como esse se repetirem não ocorram tantas perdas de vidas e desabrigados, como ocorreu no mês de janeiro na região serrana do Estado do Rio de Janeiro.”

Fonte: Agência USP de Notícias 

Elevação do nível do mar: medições e consequências no Brasil e no mundo

Destruição pelo mar na praia de Icarai

Notícia em 20/04/2011“No litoral do Ceará o mar já avançou entre 150 e 300 metros, de acordo com o Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), desde a década 1990. As praias de Pacheco, Icaraí e Cumbuco, em Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza) perderam aproximadamente um terço da faixa de areia. Em cada trecho, são inúmeras as barracas invadidas pelas águas e completamente devastadas. A mesma situação pode ser observada nos municípios de Beberibe e Aracati.” Veja mais em Mar avança e autoridades decretam situação de emergência no litoral cearense

Em 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (PIMC) divulgou um relatório no qual dizia que, no século XX, o nível aumentou aproximadamente 17 centímetros, e esta taxa está aumentando cada vez mais – e continuaria a aumentar, mesmo se todas as emissões de carbono parassem hoje.

A taxa atual de aumento do nível do mar continuaria por séculos se as temperaturas fossem constantes, e isso adicionaria aproximadamente 30 centímetros por século ao nível do mar”, afirma Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha. “Se queimarmos todos os combustíveis fósseis, provavelmente acabaremos com muitos metros de aumento no nível do mar em longo prazo, muito mais que dez metros”, diz Rahmstorf.

De acordo com estudos, o nível do mar era mais de 120 metros mais baixo na era glacial e 70 metros mais elevado durante períodos mais quentes. Não há dúvida de que, se o planeta aquecer, o mar vai subir.

Consequências

Cape Hatteras, Carolina do Norte, EUA, em 1999 e 2004. Foto de Gary Braasch

Aproximadamente 60 milhões de pessoas vivem em uma área que fica a um metro acima do nível do mar, e este número deve crescer para 130 milhões de pessoas até 2100.

A maior parte desta população vive em deltas de rios no sul e sudoeste da Ásia. Partes de países como Bangladesh, assim como algumas ilhas inteiras, como as Maldivas (que já enfrenta problemas), iriam ficar completamente submersas.

De acordo com um relatório de 2005, o aumento de um metro no nível do mar deve afetar 13 milhões de pessoas em cinco países europeus, além de destruir a propriedades somando um valor de 600 bilhões de euros (mais de 1 trilhão de reais), sendo que os Países Baixos seriam os mais afetados, devido à sua baixa localização em relação ao nível do mar. http://www.newscientist.com/article/mg20327151.300-sea-level-rise-its-worse-than-we-thought.html?full=true

No Brasil

As primeiras medições de nível do mar no litoral brasileiro são descritas, juntamente com os presentes programas nacionais (INPH,DHN,IBGE e IO-USP) de medição.

Os valores médios anuais das cidades de Belém, Recife,Rio de Janeiro , Cananeia e Ubatuba , entre outras, sugerem uma razão de variação, no século XX, da ordem de 40 cm/século . Essas razões de variação são postas em confronto com as razões de variação de cerca de 1700 estações permanentes globais do PSMSL (Serviço Permanente para o Nível do Mar, Inglaterra) que, no século XX, indicavam uma razão de variação global de 18 cm/século e ao final desse século 24 cm/século.

De acordo com o estudo de Afranio Rubens de Mesquita, Joseph Harari e Carlos Augusto de Sampaio França, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo  http://www.mares.io.usp.br/ , diante do aumento inexorável e acima da média do nivel do mar, na costa brasileira, é necessário que sejam realizados:

  • Trabalhos com o objetivo de determinar os limites cartográficos legais, entre a parte emersa e imersa em todo o litoral
  • Que sejam feitas projeções de níveis extremos da variação do nível do mar em toda a costa e informadas as populações que ocupam as áreas litorâneas. Estudos preliminares para a Cidade de Cananeia indicam a ocorrência com significância estatística, de níveis extremos do mar da ordem de 2,60 metros no decorrer dos próximos 200 anos
  • Que seja realizado o programa de medições permanentes das variáveis oceanográficas que definem o nivel médio local na Sessão Capricórnio, em frente ao Porto de Santos e informadas as prefeituras das cidades litorâneas brasileiras, quanto aos resultados da atividade humana dos dias presentes, que podem, gradativamente, varrer do mapa as suas  comunidades.

Figura A

A Figura A mostra, na parte de cima, o aumento do Nível do Mar nos últimos 20 000 anos que foi da ordem de 125 metros. A razão da variação nos últimos 4 000 anos permaneceu relativamente constante  até o início do século XX, com valores, em média, da ordem de 1,8 mm/ano.

A parte de baixo da figura A mostra a ampliação da figura de cima para os últimos 180 anos, mostrando que, a partir de 1900 a razão de variação ESTÉRICA / HALOSTÉRICA do nível do mar, devido ao aquecimento global, só o de natureza antropológica, que antes não existia, aumentou, sendo, no presente, da ordem de 0.6 mm/ano.

Essa variação não foi linear no período e fez aumentar o nível do mar até o ano 2000 em cerca de 3 cm. A razão de variação global do nível do mar que até 1900 era de 1,8 mm/ano, adicionada a  0.6mm/ano, resultante do aquecimento global adicional no período (1900 – 2000) , passou a ser no ano 2000 a 2,4 mm/ano .

A figura mostra, na escala à direita, que o aumento do nível do mar no século XX foi da ordem de 21 cm.

(Estimativa feita por Munk, W , PNAS , May 13, 2002, Vol 99, No 10 .6551)

Apesar das medições de nível do mar serem feitas em vários portos na costa do Brasil, desde o início do século passado, poucas séries temporais sãos suficientemente longas de forma a serem utilizadas para análise das variações de longo termo (mais de 20 anos) .

Figura B

A Figura B mostra médias anuais das medições horárias de Nivel do Mar, nesses portos, feitas pelo INPH e pela DHN , juntamente com medições feitas nas bases de pesquisas do IOUSP em Cananeia e Ubatuba.

Como pode ser observado as séries mais longas da costa brasileira apresentam inclinações indicando um aumento aproximadamente igual ao medido na Base de Pesquisas de Cananeia, que é da ordem de 40 centímetros por século.

Como já escrevemos aqui no blog em Outubro ( https://eco4u.wordpress.com/2010/10/07/elevacao-do-nivel-do-mar-e-realidade-o-brasil-esta-preparado/ ) “Os valores imobiliários costeiros provavelmente serão um dos primeiros indicadores econômicos a refletirem a elevação do nível do mar. Aqueles com grandes investimentos em propriedades de praia serão os mais afetados. Uma elevação de meio metro nos Estados Unidos causaria perdas entre US$ 20 bilhões e US$ 150 bilhões. Propriedades de praia, da mesma forma que usinas nucleares, estão se tornando impossíveis de serem seguradas – como muitos proprietários na Flórida já descobriram.

Figura C

Figura C – Estudo sobre o litoral carioca apresentado pela Faculdade de Oceanografia da Uerj no IV Congresso Brasileiro de Oceanografia aproxima a cidade do cenário do filme 2012. Comandado pelo oceanógrafo David Zee, o estudo chega à conclusão que, diante da maior incidência de ressacas, por conta das mudanças climáticas no planeta, a faixa de areia de parte da praia de Copacabana está com os dias contados

Muitos países em desenvolvimento que já lidam com crescimento populacional e competição intensa por espaço para moradia e cultivo, hoje se defrontam com a perspectiva do aumento do nível do mar e perdas substanciais de terra. Alguns dos países mais diretamente afetados foram os menos responsáveis pelo acúmulo do CO2 atmosférico, causador deste problema.

Enquanto os americanos enfrentam perdas de propriedades valiosas à beira da praia, os povos de ilhas baixas se defrontam com algo muito mais grave: a perda da sua nacionalidade. Eles estão aterrorizados com a política energética dos Estados Unidos, considerando os EUA uma nação velhaca, indiferente à sua adversidade e sem disposição de cooperar com a comunidade internacional para a implementação do Protocolo de Kyoto.

Pela primeira vez, desde o início da civilização, o nível do mar começou a se elevar numa escala mensurável. Tornou-se um indicador a ser observado, uma tendência que poderá forçar migrações humanas de dimensões inimagináveis. Também suscita questões, jamais enfrentadas pela humanidade, sobre a responsabilidade perante outras nações e as futuras gerações.”

Leia mais sobre o tema em Elevação do nível do mar é realidade: O Brasil está preparado? 

Um simples mergulho que abalou a arqueologia: Yonaguni, 10.000 anos de um mistério sob o mar

Na ilha de Yonaguni, ao sul do Japão, o Sr. Kihachiro Aratake, em 1.985, estava mergulhando em busca de novos locais para levar os turistas a mergulharem quando se deparou com uma uma plataforma com escadarias, até então desconhecida.

Com cerca de 200 metros de oeste ao leste, cerca de 140 metros de norte ao sul e com seu ponto mais alto medindo 26 metros, essas ruínas apresentaram um grande arco ou portão de enormes pedras belamente encaixadas na maneira da construção pré-histórica encontrada junto as cidades Incas do outro lado do Oceano Pacífico, nos Andes da América do Sul.Mais ainda, a arquitetura inclui o que parecem ser ruas pavimentadas e cruzamentos, grandes formações parecidas com altares, escadarias levando à amplas praças e caminhos processionais sobrepujados por pares de altas estruturas que lembram postes.

Essas estruturas, de forma similar aos zigurats da Mesopotâmia, seriam os edifícios mais antigos do mundo: Foram construídam cerca de 10.000 anos atrás! Foram encontradas marcas nas pedras que evidenciam o trabalho feito nelas, inclusive entalhes, mas não só isso, uma pedra com hieróglifos foi encontrada.

Marcas de ferramentas e esculturas foram descobertos em cima das pedras (e documentado), que indicam que eles foram construídos ao invés de ser estruturas de pedra natural

Para espanto de todos, submersa, 18 metros abaixo da superfície, surge uma cabeça megalítica, um rosto de pedra gasto pela erosão das águas que faz lembrar as cabeças de pedra de outros lugares antigos: Moais, no Pacífico; La Venta, Golfo do México.

Essa “cidade” estava acima do nível do mar há 10.000 anos atrás ou mais, perturba as teorias cientificas. Claro, os dados que temos sobre símbolos e escrita, atividades sociais e culturais, são de uns 5.000 a.C., incluindo as Pirâmides do Egito!

Não se sabe o que aconteceu, se a região afundou ou se foi encoberta pela elevação do oceano, sendo este o caso mais provável. Mas o mistério dessas ruínas tem de ser estudado e receber muito mais recursos para isso, por dois motivos claros:

– Ficou óbvio que 10.000 anos atrás existiu uma civilização com escrita desenvolvida, arquitetura espetacular capaz de realizar ruas (!!!), arcos, encaixes entre pedras que até hoje não somos capazer de reproduzir e ângulos de 90º perfeitos em suas escadarias… de onde veio tudo isso?

– Com a atual elevação do nível do mar, cabe à essas ruínas servirem de alerta para nós? Se eram tão avançados e acabaram por sucumbir diante das mudanças climáticas, o mesmo pode ocorrer conosco devido às atuais mudanças no Planeta?

Que tal destinar a devida atenção e recursos para estudar esse achado que pode revolucionar nossa arqueologia e consequentemente o entendimento dos atuais impactos das mudanças climatológicas? A urgência deste estudo é gritante, após dois grandes terremotos e a ocorrência do Tsunami, não se sabe ainda o que aconteceu com este sítio arqueológico.

Muita gente não dá a devida atenção à questão climática atual mas, diante desse achado é urgente pelo menos um entendimento maior de nossa história.

Afinal, quem é o “pré-histórico” nisso tudo: Maias, Aztecas, Egípcios e essa nova civilização ou nós, que achamos que milhões de toneladas de pedras perfeitamente encaixadas, com técnicas e conhecimentos matemáticos que não fazemos idéia de como eles adquiriram, nada mais serviam do que para fazer túmulos ou palcos para cerimônias religiosas e sacrifíficos? Ingenuidade…

Talvez não tenhamos como saber o quanto avançado eles eram, ou mesmo quem eram eles, mas poderíamos talvez entender o que aconteceu e, quem sabe, garantir a existência desta nossa civilização nos anos vindouros.

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