Pesquisa vai mapear influência genética e ambiental na ocorrência de câncer

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Rovena Rosa / Agência Brasil

Um projeto global, que contará com a participação de três instituições brasileiras, pretende mapear como os fatores genéticos e ambientais podem influenciar a ocorrência de câncer em todo o mundo. O programa, chamado Grand Challenge, foi lançado na última sexta-feira (10) pelo Cancer Research UK, um órgão de pesquisas sobre o câncer no Reino Unido, que vai investir na ação 100 milhões de libras – quase R$ 390 milhões.

 

O que se pretende com o projeto é entender, por exemplo, porque determinados tipos de câncer são mais comuns em certas regiões e como comportamentos considerados de risco, como os hábitos de fumar e beber, podem levar ao desenvolvimento da doença.

Para que isso seja possível, os pesquisadores vão analisar e traçar o perfil epidemiológico e as assinaturas genéticas de 5 mil pacientes de cinco continentes, que desenvolveram tumores de rim, pâncreas, esôfago ou intestino.

No Brasil, a pesquisa será desenvolvida com o apoio do Hospital do Câncer de Barretos, do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e do A.C. Camargo Cancer Center.

“O câncer não é mais um problema de São Paulo, do Brasil ou dos Estados Unidos. É um problema mundial, existem vários fatores que podem estar relacionados ao processo tumoral, e temos que conhecer todos esses fatores para conseguir resolver o problema mundialmente”, disse Vilma Regina Martins, cientista e superintendente de Pesquisa do A.C.Camargo, em entrevista à Agência Brasil. “Quanto mais dados você tiver, tanto em amostras quanto em diversidade de amostras e de cérebros pensando a respeito do problema, aumenta a chance de se fazer alguma coisa relevante”, ressaltou.

São Paulo - Superintendente de Pesquisa do A.C.Camargo, Vilma Regina Martins, fala da pesquisa sobre o câncer em parceria com o Programa Grand Challenge, financiado pela Cancer Research UK (Rovena Rosa/Agência Brasil)

A superintendente de Pesquisa do A. C. Camargo, Vilma R. Martins – R. Rosa / Agência Brasil

Sete principais linhas de pesquisa ou questionamentos serão feitos dentro do projeto. O A.C. Camargo Cancer Center, por exemplo, fará a parte da pesquisa chamada Mutographs of câncer: discovering the causes of câncer through mutational signatures, liderado pelo professor Mike Stratton, diretor de um campus de pesquisa do genoma do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido. Essa linha de trabalho busca entender como a interação de determinada pessoa com o meio ambiente e o tabaco, por exemplo, pode levar ao desenvolvimento da doença.

A pesquisa também pretende identificar que outros fatores, ainda desconhecidos, estão causando alterações na leitura do código genético do DNA e influenciando o desenvolvimento do câncer. Todos esses fatores provocam algum tipo de alteração na leitura do código genético do DNA. Alguns, como os que são provocados pelo tabaco, já foram identificados. Mas, segundo a cientista, há dezenas de outros que provocam alterações no código genético e que ainda não foram identificados. “Conhecemos alguns desses agentes [tabaco, álcool, benzeno, vírus, produtos químicos, entre outros] que são os mais clássicos e que já foram estudados, mas o ponto é: e quando há um perfil que não está associado a nenhum desses agentes que conheço. Qual é esse agente?”, perguntou Vilma.

Quando se olha para a população mundial, vemos que alguns tumores são mais incidentes em algumas regiões. Pode ser por um fator ambiental como também por um fato genômico ou da genética daquela população, que pode ter algumas alterações que aumentam ou diminuem o risco de desenvolver determinado tumor. Provavelmente o que temos é uma combinação dos dois: do ambiente e da genética dessas pessoas”, disse a cientista.

Outras linhas de pesquisa

Outros questionamentos buscam respostas para o desenvolvimento de vacinas destinadas a prevenir os cânceres não virais e o desenvolvimento de abordagens inovadoras para tornar a doença  controlável e não letal, ou abordam a erradicação dos tumores induzidos pelo Epstein-Barr vírus (EBV) e a distinção entre os tumores letais e que precisam de tratamento dos não letais. Também está previsto um mapeamento dos tumores em níveis molecular e celular e uma pesquisa sobre a entrega de macromoléculas biologicamente ativas a qualquer célula do corpo.

A expectativa é de que sejam coletadas amostras de 900 pessoas no Brasil, que serão sequenciadas por meio de um exame de DNA. Essas pessoas terão também que responder a um questionário padronizado que irá ajudar a entender o seu perfil e os hábitos alimentares ou sua exposição a agentes carcinogênicos.

“Ao final de cinco anos [tempo de duração do projeto], a gente imagina que conseguirá identificar outros agentes etiológicos [causadores de doença] que estão associados com o câncer. E, talvez, algumas características populacionais. E aí conseguiremos mapear, no genoma, onde estão essas alterações ou essas diferenças entre as populações e entender por que elas estão em maior risco que outras. Isso será muito importante porque quando se conhece o agente etiológico, de forma geral você consegue fazer a prevenção”, afirmou a cientista.

Fonte: Empresa Brasil de Comunicação S/A – EBC

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Em que lugar do planeta voce dorme? Posicao geografica influencia seu sono

dormirA dificuldade para acordar cedo que algumas pessoas apresentam pode não ser simplesmente uma questão de preguiça, mas resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, entre eles a posição geográfica em que se vive. É o que indicam estudos realizados no Instituto do Sono , um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

“Pessoas que moram perto da linha do Equador têm maior tendência à matutinidade, ou seja, preferência por acordar e dormir cedo. À medida que nos aproximamos dos polos, os indivíduos vão se tornando mais vespertinos”, contou Mario Pedrazzoli, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP).

Os dados, que estão sendo submetidos para publicação, foram apresentados na 27ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada em Águas de Lindoia entre 22 e 25 de agosto.

A hipótese de que a latitude seria um dos elementos reguladores do ciclo de sono e vigília foi levantada em 2005, contou Pedrazzoli. A equipe havia acabado de publicar na revista Sleep resultados de uma pesquisa financiada pela FAPESP que mostrava associação entre uma determinada variação no gene PER3 e a síndrome da fase atrasada do sono.

“Pessoas com esse distúrbio sentem sono muito mais tarde do que a média da população, por volta de quatro ou cinco horas da madrugada. Isso pode ser um problema para quem precisa acordar cedo”, disse Pedrazzoli.

Com base em estudos amostrais, os pesquisadores calcularam que a variação alélica em homozigose no gene PER3 associada ao distúrbio de sono está presente em cerca de 10% dos indivíduos, mas apenas uma parcela pequena desse grupo desenvolve a síndrome.

“Isso sugere que parte do problema é resultante da genética e parte, do ambiente. Surgiu então a suspeita de que a posição geográfica em que a pessoa vive pudesse influenciar na regulação do sono”, disse Pedrazzoli.

Para testar a hipótese, os pesquisadores entrevistaram 16 mil pessoas de todos os Estados brasileiros por meio de um questionário que ficou disponível na internet entre 2005 e 2007. O levantamento contou com apoio do CNPq.

As perguntas buscavam investigar os horários em que as pessoas preferiam comer, trabalhar, fazer exercícios, dormir e acordar. A cada resposta era atribuído um valor e a somatória final indicava se o indivíduo era do tipo matutino, vespertino ou intermediário.

Para interpretar os resultados, os cientistas se basearam na teoria de que a alteração entre períodos claros e escuros regula os processos fisiológicos do organismo, como o sono e o apetite. “Segundo essa teoria, quanto mais cedo o indivíduo receber o primeiro sinal luminoso pela manhã, mais cedo ele sentirá sono”, explicou Pedrazzoli.

Mas o horário em que o sol nasce em cada cidade não era o único fator que estava influenciando os resultados do estudo. “Perto do Equador, o dia iluminado dura aproximadamente 12 horas o ano inteiro. Mas, quanto maior a latitude, maior é a variação no período iluminado. Percebemos que essa era a variável que fazia a diferença”, explicou.

Isso quer dizer, por exemplo, que embora o sol nasça praticamente no mesmo horário em Natal e em Porto Alegre durante o verão, o por do sol acontece mais tarde no Sul do país, estimulando os moradores da região a ficarem acordados mais tempo.

Já no inverno, o sol se põe praticamente no mesmo horário no Norte e no Sul, mas nasce mais cedo em Natal do que em Porto Alegre, estimulando os potiguares a acordar e a dormir mais cedo do que os gaúchos.

Fonte: Agência FAPESP

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