América Latina e Caribe propõem medidas para erradicar a fome na região até 2025

 

Frutas jogadas no lixo no Brasil. Foto: Flickr/Núcleo Editorial/Katia Mello (CC)

Frutas jogadas no lixo no Brasil. Foto: Flickr/Núcleo Editorial/Katia Mello (CC)

As milhares de toneladas de alimentos perdidos e desperdiçados a cada ano na região da América Latina e Caribe é um dos problemas que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) pretende abordar no seu plano para erradicar a fome, destacou nesta segunda-feira (25/05) a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO).

“A América Latina e o Caribe respondem por 6% dos alimentos que se perdem e são desperdiçados em nível mundial a cada ano, número que bastaria para alimentar quase dez vezes o total de pessoas que passam fome na região”, explicou o representante regional da FAO, Raúl Benitez.

Segundo o relatório da FAO que fala sobre desperdício de alimentos, no México se perde em média 37% dos alimentos com os quais poderiam alimentar mais de 7 milhões de pessoas.

“A boa notícia é que tanto a CELAC quanto os países, as organizações privadas e os consumidores estão reagindo a esse fenômeno”, disse Benitez, destacando que só em 2013 a Rede Global de Banco de Alimentos recuperou 190 mil toneladas de alimentos na região, que foram distribuídos a mais de 12 mil organizações em 15 países.

Segundo a FAO, a CELAC assumiu a meta de acabar com a fome na região até 2025, e através do seu Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Combate à Fome, está impulsionando uma série de medidas para recuperar alimentos e evitar que acabem no lixo.

Fonte: nacoesunidas.org/


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Contra o desperdício, ONU oferece jantar no Quênia com alimentos recusados por mercados ingleses

alimentosComo parte da campanha Pensar.Comer.Conservar, autoridades e convidados da sessão do Conselho Administrativo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que acontece até sexta-feira (22), participaram de um jantar especial na terça-feira (19), na sede da organização em Nairóbi, no Quênia.

Os pratos foram integralmente preparados com ingredientes quenianos recusados por supermercados ingleses por estarem fora dos padrões estéticos, mas perfeitos para o consumo.

Lançada no mês passado pelo PNUMA e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a campanha que conscientizar consumidores e comerciantes sobre os cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados a cada ano. A perda equivale a um terço da produção mundial e representa 1 trilhão de dólares jogados fora.

O jantar foi preparado pelo chef Ray Cournede, do Windsor Hotel Nairóbi, em uma sequencia de cinco pratos, incluindo tamales grelhados de milho doce, lentinha amarela e “mangomisu”, um tiramisu com um toque de manga. Cournede também preparou chutney de manga e frutas cristalizadas para exemplificar como preservar frutas por períodos mais longos.

O evento teve índice zero de desperdício: os convidados foram encorajados a levar comida para casa e vegetais e outros ingredientes não utilizados foram doados para uma organização local que distribui refeições para crianças.

“Nenhuma argumentação econômica, ambiental ou ética pode ser feita para justificar o atual desperdício de alimentos pelo mundo, e no PNUMA nós praticamos o que defendemos. O jantar foi uma demonstração para comerciantes, consumidores e formuladores de políticas públicas de que a grande quantidade de comida que jogamos fora não é só adequada para o consumo e bastante nutritiva, mas também deliciosa”, comentou o Subsecretário-Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner.

O jantar foi preparado com apoio da ‘Feeding the 5000′, entidade inglesa que promove eventos com ingredientes que seriam descartados. Foram utilizados cerca 1,6 tonelada de frutas e verduras recolhida de produtores de todo o Quênia.

Os produtos foram rejeitados pelo mercado inglês principalmente por conta da aparência ou por alteração nos pedidos após a colheita. Parte da produção é vendida nos mercados locais ou doada, mas a quantidade colhida é tão grande que acaba apodrecendo ou servindo de alimento para o gado.

“É vergonhoso que tanta comida seja desperdiçada em um país onde milhões passam fome. Encontramos um produtor que inutiliza 40 toneladas de alimento por semana, cerca de 40% do que é cultivado. O desperdício de vegetais ‘feios’ mas adequados para o consumo é endêmico na nossa cadeia de alimentos e simbólico da nossa negligência”, afirma Tristam Stuart, o fundador da Feeding the 5000.

“Na verdade, estamos diante de uma oportunidade: se convencermos os supermercados a mudar seus padrões de compra e desenvolvermos outras formas de escoar a produção, vamos melhor a renda desses produtores e aumentar a oferta de alimentos onde é mais necessário”, completa.

Enquanto o jantar no Quênia enfocou a rejeição pelos supermercados do Reino Unido, especialistas do PNUMA apontam que o mesmo acontece em diversos países desenvolvidos e em parte das nações em desenvolvimento.

Fonte: onu.org.br

Biodiversidade alimentar: 90% da flora nativa do Brasil não faz parte da dieta da população

acaiUsar produtos nativos brasileiros para a alimentação e nutrição adequada é o que vem sendo discutido na primeira reunião do comitê nacional que trata da biodiversidade para alimentação e nutrição, realizado nesta sexta-feira (08/02), em Brasília. O secretário de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Cavalcanti, que abriu o encontro, destacou que o uso sustentável da biodiversidade para a alimentação e nutrição é uma solução que permite o aumento da qualidade de vida, sem danificar o meio ambiente. Ele citou que 90% da flora nativa do país não fazem parte da alimentação dos brasileiros, lembrando que muitas espécies nativas se reproduzem gratuitamente. “O uso da biodiversidade para alimentação e nutrição tem grande potencial que ainda não é usado”, afirmou.

O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Paulo Guilherme Cabral, reforçou a importância do uso biodiversidade, ressaltando iniciativas convergentes com o assunto, como o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), que propõe o uso sustentável dos recursos naturais e a oferta e consumo de alimentos saudáveis. Cabral também enfatizou o valor da parceria de tantas instituições em favor de um tema tão relevante. “Essa atuação integrada é necessária e reforça a importância do uso da biodiversidade para a alimentação”, disse.

MUDANÇA DE HÁBITO

“Queremos chamar a atenção para a riqueza da biodiversidade brasileira, para que a dieta simplificada seja trocada pela dieta diversificada”, sugeriu o gerente de Recursos Genéticos do Departamento de Conservação da Biodiversidade, Lídio Coradin. Ele também é diretor do Comitê Nacional de Coordenação do Projeto Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade para a Melhoria da Nutrição e do Bem Estar Humano, também conhecido como Biodiversidade para Alimentação e Nutrição (BFN, sigla em inglês).

“A alimentação saudável tem que fazer parte da rotina das pessoas, por isso é necessário uma recuperação cultural, quando se usava muito mais produtos naturais do que alimentos processados”, enfatiza Coradin. Lembrou que o arroz, a batata, o trigo e o milho fazem parte dos alimentos básicos.

PARCERIAS

Durante a reunião, foi instalado o Comitê Nacional de Coordenação do Projeto e discutido o plano operacional. A coordenadora, Deborah Bastos, da Universidade de São Paulo (USP), apresentou os objetivos e o histórico do projeto, assim como o papel de cada parceiro. O objetivo é mostrar a ligação existente entre a biodiversidade, a alimentação e a nutrição.

Para isso, está previsto o desenvolvimento de atividades em âmbito nacional, envolvendo parcerias com uma série de iniciativas do governo federal: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB), além da ação voltada ao Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (Pró-Orgânico).

Participam do Comitê representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Saúde e Educação, além do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Federação Nacional dos Nutricionistas (FNN), do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

HISTÓRICO

O desafio de assegurar ao ser humano uma alimentação adequada e saudável, sem comprometer a sustentabilidade do planeta, vem sendo discutida em todo o mundo desde 2006, quando o projeto foi criado nos Estados Unidos. A ação é coordenada pelo Bioversity International (Instituto Internacional de Recursos Genéticos Vegetais – IPGRI, sigla em inglês), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Para promover as ações de desenvolvimento na área estudada pelo projeto – Biodiversidade para Alimentação e Nutrição, Bioversity International e PNUMA decidiram convidar alguns países para integrarem a ação. Dessa forma, hoje fazem parte da iniciativa Brasil, Quênia, Sri Lanka e Turquia. O objetivo é promover a conservação e a promoção do uso sustentável da biodiversidade em programas que contribuam para melhorar a segurança alimentar e a nutrição humana, além de valorizar a importância alimentícia e nutricional das espécies relacionadas à biodiversidade agrícola e resgatar o valor cultural desempenhado no passado por muitas dessas espécies.

Fonte: mma.gov.br

Pensar. Comer. Preservar: nova campanha do PNUMA e da FAO contra o desperdicio alimentar

desperdicio alimentosMais de um bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas a cada ano. Para reverter esta situação, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura  (FAO) lançam, na terça-feira (22),  a campanha global contra o desperdício de alimentos “Pensar. Comer. Preservar. Diga não ao Desperdício”

A iniciativa se dirige especialmente aos consumidores, comerciantes e outros atores da área gastronômica e de hospedagem e reunirá diversas ações contra o desperdício e que serão reunidas em um portal. Segundo a FAO, um terço dos alimentos é perdido durante os processos de produção e venda, um desperdício equivalente a um trilhão de dólares.

“Nas regiões industrializadas, quase metade da comida descartada, cerca de 300 toneladas por ano, ainda está própria para o consumo. Esta quantidade é equivalente a toda a produção de alimentos da África Subsaariana, e suficiente para alimentar 870 milhões de pessoas”, informa o Diretor-Geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

A campanha fornecerá informações e dicas para evitar o desperdício, reduzir o impacto ambiental e poupar recursos. Por exemplo, para os consumidores, não se deixar seduzir por estratégias para consumir mais do que o necessário e para os comerciantes, oferecer descontos aos produtos próximos de passar da validade.

A iniciativa está coordenada pelo SaveFood Initiative, ação da FAO e da Messe Düsseldorf,  e pelo “Desafio Fome Zero”, do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Participam também organizações como a WRAP UK, de incentivo à reciclagem, e Feeding de 5000, que distribui alimentos que seriam descartados, além de outros parceiros, como governos nacionais com experiência em políticas contra o desperdício.

Participe da campanha global clicando aqui.

Fonte: onu.org.br

16 de Outubro: Dia Mundial do Pao

paesO Dia Mundial do Pão foi instituído pela UIB – Union Internationale de La Boulangerie et de La Boulangerie-Patisserie, cumprindo o seu papel de apoio a FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – como forma de conscientizar o maior número de pessoas sobre a fome e a miséria que ainda persistem em vários lugares do mundo. E acontece junto ao Dia Mundial da Alimentação, instituído em 1945 com o intuito de conscientizar a humanidade sobre a situação difícil que enfrentam as pessoas que passam fome e estão desnutridas, promovendo em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que as pessoas comam 50 kg de pão em um ano. O país que mais come pão é Marrocos, sendo que em média cada marroquino come 100 kg de pão por ano. O país que mais se aproxima do ideal é o Uruguai, comendo em média 55 kg/pessoa/ano.

Segundo os historiadores o pão teria surgido juntamente com o cultivo do trigo, na região da Mesopotâmia, onde atualmente está situado o Iraque, aproximadamente 6.000 anos atrás. O pão fermentado, semelhante ao que comemos hoje, já era consumido pelos egípcios por volta de 4000 anos a.C. No Antigo Egito, o pão pagava salários e os camponeses ganhavam três pães e dois cântaros de cerveja por dia de trabalho.

Governos da America Latina e do Caribe reforçam compromissos para erradicar a pobreza e a fome no continente

640px-Favela-Nova_FriburgoO combate à fome no mundo está associado à adoção de políticas públicas de estímulo à segurança alimentar e nutricional, ao incentivo à agricultura familiar, às condições de acesso aos alimentos e a mudanças nos padrões alimentares. Também são esperadas medidas de geração de emprego e renda sob a ótica do desenvolvimento sustentável.

“A principal causa da fome não é a falta de alimentos. É a pobreza. Políticas simples podem ser adotadas na busca da solução desse problema, como a proteção e o incentivo à agricultura familiar”, disse à Agência Brasil a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Maya Takagi.

Nesta semana, especialistas da América Latina e do Caribe se reuniram, em Buenos Aires, na Argentina, para debater essas questões na 32ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “Mostramos, durante a conferência, as ações adotadas no Brasil na tentativa de erradicar a pobreza e combater a fome, como os programas de transferência de renda”, disse Maya.

Durante a conferência, as autoridades do Brasil anunciaram que o país vai aumentar a cooperação com a FAO. Pelos dados da organização, o Brasil repassará US$ 20 milhões para o combate à fome no mundo. O dinheiro será aplicados em projetos de redução da pobreza, desenvolvimento rural sustentável com prioridade para a agricultura familiar, merenda escolar, prevenção e gestão de desastres.

Na presença do diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, os representantes de 33 países da região confirmaram o compromisso de priorizar ações voltadas à segurança alimentar e a adaptação da produção de alimentos às mudanças climáticas. Graziano elogiou a decisão, mas lembrou que as iniciativas devem ser adotadas "por todos os governos, os parlamentos, o setor privado, a sociedade civil e as universidades”.

Também participaram da conferência integrantes da sociedade civil e organizações não governamentais. As autoridades ressaltaram que o combate à fome e a adoção de medidas para erradicação da pobreza são desafios globais.

Fonte: Agência Brasil – Foto: Wikimedia/Nate Cull

Clima, energia, economia: Volatilidade nos preços dos alimentos ameaça a segurança alimentar no mundo

A crise que atinge os países ricos e o aumento da oferta fizeram os preços dos alimentos cair 8% entre setembro e dezembro de 2011 e fechar o último mês do ano 7% mais baixos do que no mesmo período de 2010, de acordo com o relatório “Monitor de preço dos alimentos”, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Banco Mundial. Mesmo com a queda no fim do ano, na média, os alimentos ficaram 24% mais caros em 2011 na comparação com 2010, segundo o levantamento, que é feito a cada três meses.

O Banco Mundial prevê uma “projeção favorável de queda nos preços dos alimentos durante 2012 devido à redução da demanda dos consumidores, desaceleração da economia mundial, reduções já previstas nos preços da energia, do petróleo bruto e boas perspectivas na oferta de alimentos em 2012”.

Mesmo assim, diz o levantamento, os preços continuarão voláteis e poderão subir se houver aumento na demanda por biocombustíveis, se o preço do petróleo avançar por causa de instabilidades dos países produtores e até porque os estoques de alguns alimentos estão baixos. As constatações são semelhantes a um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) publicado este mês.

As mudanças no clima também ameaçam a produtividade e, por consequência, os preços. “O fenômeno La Niña já fez sua aparição no Oceano Pacífico e acredita-se que poderá afetar a época de cultivos de milho e soja na Argentina e no Brasil.”

Durante 2011, o preço de produtos básicos, como milho, soja e trigo impediu que as reduções no fim do ano fossem maiores do que as registradas. Além da pressão internacional sobre o preço desses alimentos, o mercado doméstico de alguns países fez subir muito o valor de alguns produtos. Foi o caso, por exemplo, da alta de 88% do preço do trigo na Belarus e de 23% na Etiópia entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011. Neste período, cresceu 81% o valor do arroz em Uganda, 117% o valor do milho no Quênia e 106% no México e houve aumento de 28% do sorgo na Etiópia.

O vice-presidente de gestão econômica e redução da pobreza do Grupo Banco Mundial, Otaviano Canuto, afirmou que “as piores altas” de preços já passaram, mesmo assim “não devemos descuidar”. “Os preços de alguns alimentos seguem muito altos em muitos países, e assim milhões de pessoas ficam expostas ao risco de desnutrição e à fome. Os governos devem se colocar à altura [do desafio] e adotar políticas que ajudem as pessoas a lidar com esta situação”, disse.

O economista-chefe do Banco Mundial, José Cuesta, declarou que os preços continuam elevados nos países do leste e do oeste africano, por causa, especialmente, das más condições climáticas e de conflitos regionais. “Temos que permanecer vigilantes, pois preços elevados podem ocasionar consequências nutricionais devastadoras, com repercussões no desempenho escolar, condições de saúde, desenvolvimento cognitivo e na produtividade”, ressaltou.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Arabe /ANBA
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