Correios inicia teste com veículos elétricos em Brasília e Curitiba

Nesta quarta-feira (25/06), os Correios realizaram o lançamento do teste de veículos elétricos em parceria com a Renault, na sede da estatal, em Brasília (DF). A parceria entre Correios e Renault prevê a cessão de dois veículos, em comodato, para uso em teste de entrega de encomendas na capital federal e em Curitiba (PR). O teste será iniciado nos próximos dias, com período inicial de quatro meses e possibilidade de prorrogação por um ano.

carro-eletrico-correios-ABrEstiveram presentes o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira; a vice-presidenta de Clientes e Operações dos Correios, Glória Guimarães;  o vice-presidente de Logística e Encomendas dos Correios, José Furian Filho; o diretor regional dos Correios em Brasília, Antônio Tomas; o diretor de Vendas a Empresas da Renault, Alexandre Oliveira; o responsável pelas Relações Institucionais da Aliança Renault-Nissan, Marcelo Teixeira, e a chefe do Projeto Veículo Elétrico Brasil da Renault, Silvia Barcik.

De acordo com a vice-presidenta de Clientes e Operações dos Correios, o teste representa um marco importante para os Correios, que dão um grande exemplo para o País, tanto na parte ecológica, quanto na de economia operacional. “Neste momento em que os Correios se reposicionam com uma nova marca, colocamos em prática mais este modelo de inovação, iniciando um trabalho para dotar nossa frota de carros 100% elétricos e de emissão zero de carbono”, ressaltou.

Compromisso ambiental – A parceria com a Renault soma-se a outras ações previstas no sistema de Gestão Ambiental dos Correios para a diminuição dos impactos ambientais causados pela estatal, como o uso de veículos elétricos de calçadão. A utilização de automóveis ecoeficientes impactará diretamente na obtenção do compromisso com o Programa Global de Redução da Emissão de Carbono do Setor Postal da International Post Corporation, tendo em vista que a empresa tem como meta reduzir suas emissões de gás carbônico em 20% até 2020.

“Nossa experiência internacional em correios como o da França, Alemanha, Dinamarca, e de vários países europeus garantem que atenderemos às expectativas no Brasil. Hoje, mostramos aos Correios um veículo completamente adaptado ao País, que pode produzir tão bem quanto aos movidos à combustão, mas sem emissão de gases”, afirmou o diretor de Vendas a Empresas da Renault, Alexandre Oliveira, destacando que o Kangoo ZE é 100% elétrico, possui emissão zero de CO2, motor de 60 cv e autonomia de 170 km.

No Distrito Federal, além da parceria com a Renault, os Correios contam  com o apoio da Companhia Energética de Brasília (CEB), que disponibilizou a instalação do totem de energia elétrica para recarga do veículo.

Fonte: blog.correios.com.br

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Professor desperta em alunos inspiracoes da natureza para projetos sustentaveis

biomiméticaMostrar aos alunos como a natureza “faz” negócios e oferece soluções para problemas do dia a dia é uma missão prazerosa para o professor do Departamento de Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Fred Gelli.

Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em biomimética*, ciência que busca inspiração e aprendizado na natureza para projetos sustentáveis em várias áreas do conhecimento, como desenho industrial, arquitetura e engenharia, o professor avalia que a resposta dos alunos é cada vez mais positiva. Ele transforma as aulas em um lugar para pensar e acaba ampliando a discussão para a perspectiva de transformação. E aí, a biônica é o ponto central. “A natureza é fonte de resposta para qualquer problema”, assegurou Gelli à Agência Brasil.

O professor citou o caso do leão, que precisa de um território de pelo menos 30 quilômetros quadrados para poder viver bem. “É o lucro dele. Só que existe uma sabedoria universal que faz com que ele entenda que, para existir, o seu vizinho tem que ter o seu próprio lucro. Porque sabe que, se esses caras deixam de existir, o sistema do qual ele depende e ele próprio podem ficar ameaçados”, disse.

No caso do jeito humano de fazer negócios, segundo ele, a conclusão é que “o homem quebrou esse equilíbrio fino entre competição, que é necessária para as coisas evoluírem, e cooperação”. O desequilíbrio dessa lógica foi causado pela ganância, que priorizou a maximização do lucro e a minimização dos custos a qualquer preço. “Esse tipo de pensamento vai contra a lógica da natureza de entender que você precisa garantir a geração de valor para todo o ecossistema do qual faz parte”. A isso se denominam negócios de valor compartilhado, enfatizou Gelli. Ele acredita que esse será o jeito de fazer negócios no futuro.

Quando era ainda aluno da PUC, Fred Gelli e sócios fundaram, em 1989, a empresa Tátil, que nasceu do seu projeto de graduação sobre o jeito da natureza de embalar as coisas. Um trabalho desenvolvido àquela época pela empresa nascente foram embalagens feitas de material reciclado que dispensavam cola e se inspiravam no encaixe dos ossos humanos. A preocupação da empresa com a ecoinovação é grande. A empresa conta, entre seus funcionários, com uma bióloga que auxilia no desenvolvimento de embalagens com baixo impacto ambiental.

No ano passado, Gelli desenvolveu, com apoio da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, um projeto que visava a entender justamente como os negócios são processados pela natureza. A ideia era criar um banco de inspirações para qualquer pessoa interessada em criar algo a partir de organismos bióticos. Esse banco está em andamento o tempo todo, porque não tem fim, ressaltou Gelli. Chamou a atenção, porém que embora o conceito seja original, a perspectiva é óbvia.

“Quando você olha para qualquer ecossistema como fonte de inspiração para pensar nessa perspectiva dos negócios, a gente está falando de um grande ambiente de trocas, assim como ocorre nos nossos ambientes de negócio”. A diferença é que, na natureza, o ambiente nessas trocas é sustentável, apesar de cada elemento ter o seu lucro para poder sobreviver. “Existe ali um balanço interessante entre competição e cooperação”.

Fred Gelli explicou que de maneira intuitiva, o homem, desde o tempo das cavernas, sempre olhou a natureza como fonte de inspiração para os problemas diários. Em vez de ater-se ao termo biomimética, que foi cunhado em 1997, o professor prefere falar de inspirações em soluções naturais. “É mais abrangente, inclusive, porque você inclui o que é biônico ou biótico, ou seja, as experiências e inspirações que vêm de organismos vivos, e também inspirações que vêm de referências abióticas”.

Um exemplo de referência abiótica são os cristais de rocha que podem, segundo Gelli, ser uma inspiração interessante para uma série de soluções de um jeito da natureza de resolver, nesse caso, problemas estruturais.

A biomimética significa, então, o aproveitamento da experiência que a natureza vem experimentando há 3,8 bilhões de anos, para “criar soluções para problemas muito parecidos cm os que nós temos no nosso dia a dia”. A evolução da ideia e do princípio contidos na natureza foi sendo amadurecida durante milhões de anos e o homem pode observar essas ideias e trazê-las para uma ação concreta hoje. E com uma vantagem, ressaltou Gelli. “Deus não cobra direito autoral de ninguém”, disse .

O professor destacou também que as inspirações podem vir de fontes diferentes e trazer soluções para qualquer área do conhecimento. Um exemplo clássico é o velcro, que foi inspirado nos carrapichos, que são sementes que grudam nos animais para pegar carona e espalhar as espécies. Há soluções mais estratégicas, buscando entender como a natureza “faz negócios”, observando-se como ela equaciona e faz relacionamentos.

“É um campo infinito de possibilidades”, disse Gelli. Completou que se trata de um “desafio monumental”. Na avaliação do professor da PUC-RJ, esse banco de ideias está aí, à disposição de todas as pessoas para que elas possam ir beber nessa fonte.

Fonte: Agência Brasil

Polegar para cima  Saiba mais sobre Biomimética* aqui no blog em "Biomimética: Produtos inspirados pela natureza dobram a cada ano no mercado"

Petrobras nao podera usar rio em area de protecao ambiental para transportar equipamentos pesados

Rio Guaxindiba.A Petrobras não poderá utilizar o Rio Guaxindiba, que corta a Área de Proteção Ambiental (APA) Guapimirim para realizar as operações de transporte de equipamentos pesados destinados à construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A informação foi dada hoje (16) pelo secretário estadual do Ambiente, Calos Minc. A decisão foi tomada em comum acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração da APA Guapimirim.
   
 “Nós não vamos autorizar a passagem pelo rio. O estudo inicial indicava tratar-se de uma pequena dragagem, que não ia afetar muito o ecossistema da região, mas depois se viu que o projeto era muito maior – e realmente os reflexos poderiam trazer maiores implicações para o meio ambiente. Como a gente tinha licenciado o Porto de São Gonçalo e a estrada ligando o porto ao Comperj, achamos que os custos ambiental, social e político não compensavam”, disse Minc.

O Rio Guaxindiba, que desemboca na Baía de Guanabara, passa pela APA Guapimirim, que abriga o último grande manguezal preservado da baía. A decisão de proibir o transporte de equipamentos pesados pelo rio foi tomada semana passada.

Na avaliação do secretário do Ambiente, como a dragagem do leito do Rio Guaxindiba envolveria mais de 100 mil metros cúbicos de sedimentos retirados, seria necessário um Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e a realização de audiência pública para um eventual licenciamento, “o que poderia atrasar ainda mais essa opção”.

Minc disse que a Petrobras está executando investimentos da ordem de R$ 600 milhões na região, exigidos como contrapartida para o licenciamento ambiental do Comperj.

A Petrobras não vai se pronunciar sobre a decisão.

Fonte: Agência Brasil

Com 30 mil amostras de organismos marinhos, UFPE abre primeiro museu oceanografico do N e NE

caranguejoMais de 30 mil amostras de organismos marinhos descobertos na parte do oceano que banha as regiões Norte e Nordeste do país passaram a ser reunidas no Museu Oceanográfico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A unidade, inaugurada hoje (23), no Recife, Pernambuco, é a primeira desse tipo na região e a quinta no Brasil.

Universidades federais do Rio de Janeiro e de São Paulo, por exemplo, já mantêm essas estruturas de pesquisa. O espaço é utilizado para concentrar descobertas de ecossistemas marinhos, analisar as características e monitorar espécies. A necessidade desse tipo de laboratório, que tem sido patrocinado pela Petrobras, ganhou impulso com a exploração petrolífera em águas profundas.

A proposta é que os pesquisadores consigam mais informações sobre a biodiversidade da região. Essas análises vão permitir, por exemplo, uma melhor avaliação do impacto ambiental provocado pelas atividades da indústria de petróleo. O trabalho dos pesquisadores é uma demanda da estatal e de outras empresas do setor que precisam fazer análise de impacto antes de começar o trabalho de perfuração em busca de petróleo.

O museu em Recife reúne coletas feitas nos últimos 60 anos, em expedições brasileiras e estrangeiras pela costa brasileira. “A gente já armazenava aqui [no Recife] o que é raridade em todo o Brasil, mas armazenávamos em estantes inadequadas e perdíamos muito material. No museu, agora, temos armários deslizantes compactadores que ocupam menos espaço e onde cabe muito material”, disse a pesquisadora do Departamento de Oceanografia da UFPE, Sigrid Leitão.

A unidade em Pernambuco, que custou R$ 1,5 milhão para ser construída e equipada, será utilizada por especialistas de várias áreas e de outras universidades, inclusive estrangeiras. Algumas amostras reunidas no museu da UFPE são partes de espécies que são encontradas apenas nas regiões Norte e Nordeste, como crustáceos, corais e estrelas-do-mar que escolhem águas mais quentes como habitat.

Curador da coleção instalada em Pernambuco, Jesser Fidelis, afirma que recentemente, com a atividade petrolífera, o volume de material entregue às equipes da universidade pernambucana tem aumentado. “Temos recebido muito material para análise. Alguns materiais têm vindo inclusive de outras regiões, como da Bacia de Campos e muitas têm chance de ser o primeiro registro no Brasil”, disse.

Fidelis afirma que os pesquisadores ainda não conseguiram avaliar todas as mais de 30 mil amostras reunidas no museu. A estimativa é que esse material represente cerca de 3 mil espécies novas de crustáceos, ouriços do mar e corais, entre outros. “Ainda temos muito material que não foi analisado e não tem como estimar, mas acreditamos que pode dobrar o número de espécies [ainda não catalogadas no país]”, calculou o pesquisador.

Em apenas um dos grupos de análise, cerca de 70% do material colhido recentemente nas regiões de exploração de petróleo representam espécies que ainda não tinham sido identificadas na parte brasileira do oceano.

Fonte: Agência Brasil

Cemiterios como fonte de contaminacao ambiental

cemiterios_como_fonte_de_contaminacao_ambiental_2__2012-07-30170138“Em razão do crescimento da população e contaminação das águas superficiais, o que compromete os padrões de potabilidade a custos razoáveis, o abastecimento de regiões quase sempre de maior densidade demográfica é um desafio crescente e de alto investimento, limitando a exploração de fontes hídricas subterrâneas.

O aumento populacional também exige áreas cada vez maiores para sepultamento de corpos humanos. Assim, áreas destinadas à implantação de cemitérios geralmente são escolhidas entre as de baixa valorização econômica, quase sempre em regiões de reduzido desenvolvimento socioeconômico. Essas áreas muitas vezes têm características geológicas e hidrogeológicas não avaliadas devidamente, o que pode levar a problemas sanitários e ambientais de enorme complexidade. Cemitérios são áreas que geram alterações no meio físico e por isso devem ser considerados fontes sérias de impacto ambiental.

No Brasil, a maioria dos cemitérios é muito antiga e, exatamente por isso, descompassados em termos de estudos técnicos e ambientais. Considerando essa situação, o Conselho Nacional do Meio Ambiente publicou, em 3 de abril de 2003, a Resolução nº 335 estabelecendo que todos os cemitérios horizontais e verticais deverão ser submetidos ao processo de licenciamento ambiental.

Smiley nerd Leia esta matéria completa em “Cemitérios como Fonte de Contaminação Ambiental” / Scientific American Brasil

*Foto: Memorial Necrópole Ecumênica de Santos: instalação vertical economiza espaço físico e concepção moderna impede contaminação ambiental típica de unidades tradicionais (Origem: Sciam/Brasil)

Agricultura Sustentavel, se nao for compreendida e bem gerenciada, sua implantacao pode agravar impactos ambientais

agriculturaA agricultura sustentável é um conceito mais complexo do que parece à primeira vista. Se o princípio não for bem compreendido, implementado com uma abordagem sistêmica e gerenciado na escala correta, pode até agravar os impactos ambientais das atividades agrícolas, em vez de reduzi-los.

O alerta foi feito pelo cientista britânico Tim Benton, coordenador do Programa de Segurança Alimentar Global da Universidade de Leeds (Reino Unido), durante o “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, realizado no Rio de Janeiro.

De acordo com Benton, o conceito de agricultura sustentável é frequentemente mal construído e, portanto, mal compreendido e mal aplicado.

“É preciso atingir um equilíbrio entre o uso da terra para produção e o uso para a conservação da biodiversidade. Paisagens diferentes têm vocações para diferentes esquemas agroambientais. A agricultura sustentável precisa ser gerenciada de forma sistêmica, na escala da paisagem, não apenas com foco isolado nas fazendas, nem só em escala nacional”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Benton, agricultura sustentável é um conceito que todos pensam entender, mas é muito raro que as pessoas – incluindo os gestores – percebam sua verdadeira complexidade. Em primeiro lugar, de acordo com ele, é preciso levar em conta que uma fazenda causa inúmeros impactos cruzados no meio ambiente, por exemplo, na qualidade da água nos corpos d’água, no uso da terra e na biodiversidade.

“Há muitos impactos e, para diminuí-los, é preciso abrir mão de algum ganho. A atividade agrícola de baixo carbono, para produzir o mesmo rendimento da agricultura tradicional, tipicamente vai demandar mais terra, para compensar as perdas”, disse.

“Ao usar mais terra, a atividade agrícola terá mais efeito na biodiversidade. A agricultura de baixo carbono pode, no fim da cadeia, causar um grande impacto na biodiversidade. A partir de uma perspectiva mais ampla, não é trivial calcular qual tipo de agricultura é mais sustentável”, afirmou Benton.

Outra questão que dá complexidade à ideia de agricultura sustentável é a escala em que ela é gerenciada. As consequências do gerenciamento de uma gleba de terra não se limitam apenas àquele local, de acordo com o cientista britânico.

“Quando se gerencia uma fazenda, os impactos dessa atividade extrapolam o território em questão. É o que ocorre com os gases de efeito estufa sendo liberados na atmosfera, que têm impacto global. Os impactos na qualidade da água dos córregos e rios podem chegar a uma distância muito longa, causando nitrificação de costas marítimas de pesca a partir da poluição dos cursos d’água no continente”, afirmou.

O quadro fica ainda mais complexo quando se consideram os impactos nos mercados. “Pode-se reduzir o rendimento agrícola em um país por achar que isso é mais sustentável. Mas a demanda continuará a mesma, ou até aumentará ainda mais. Assim, se você reduz o rendimento, alguém, em algum lugar, vai precisar aumentar o rendimento. E isso vem com impactos ambientais negativos”, disse Benton.

 

Gerenciamento de terra

sustentabilidadeEm uma base local, algumas parcelas de plantações podem ser gerenciadas de forma insustentável, enquanto outras partes podem compensar sendo gerenciadas de maneira altamente sustentável. Mas o que é verdade para uma parcela de terra isolada nem sempre é verdade na escala de paisagem, de país, de continente e na escala global.

“Juntando isso aos impactos ambientais de longo alcance e os impactos econômicos que também reincidem nos aspectos ambientais, terminamos com um conceito muito complicado”, disse Benton.

Apesar da complexidade, a sustentabilidade agrícola não é inviável, segundo Benton. Para isso, é fundamental pensar em gerenciamento de terra de forma sistêmica, a partir da pequena escala até a escala global, com foco especial na escala da paisagem.

“No nível da paisagem, podemos gerenciar não apenas a terra agriculturável, mas também gerenciar as terras não agrícolas que são fundamentais para o funcionamento da atividade agrícola, porque mantêm os polinizadores, os inimigos naturais, os microclimas e assim por diante”, disse.

Na escala nacional, é preciso haver determinadas áreas voltadas para produção agrícola e algumas preservadas para garantir outros serviços. Cada área tem sua vocação e uma deve equilibrar a outra. Mas, em escala continental, as especificidades também mudam. Algumas áreas são muito boas produzindo frutas, outras áreas muito boas para armazenar carbono, por exemplo.

“É fundamental gerenciar de forma que as várias vocações sejam cumpridas. Fazer com que tudo funcione igualmente seria um desastre. Não é porque não podemos definir a agricultura sustentável que isso implica que não possamos praticá-la”, disse Benton.

“Mas, para ser sustentável, não se trata só de uma questão de minimizar o carbono que é produzido por ela. É muito mais complicado que isso. É preciso levar em conta os efeitos em longo prazo e é preciso levar em conta ter que gerenciar as coisas no nível da escala de paisagem”, afirmou.

Determinar os critérios de gerenciamento agrícola é o grande desafio para desenvolver uma agricultura sustentável, de acordo com Benton. Segundo ele, para que isso seja possível é preciso ter governos fortes. Na base local, quando se tem sucesso em uma atividade em uma parcela de terra, há uma tentação de expansão.

“Quando uma parcela cultivada rende dinheiro, o fazendeiro tende a querer dobrar essa parcela. Conseguindo sucesso, multiplica a área por quatro e, quando nos damos conta, temos uma grande área convertida em uso da terra uniforme. Isso pode ser bom no início, mas em longo prazo, se todo mundo faz a mesma coisa, todos vão sofrer as consequências. É bom pensar no crescimento agrícola, mas em algum momento alguém tem que dizer: já houve crescimento suficiente”, destacou.

A saída para a agricultura sustentável com manutenção dos ganhos, segundo Benton, é a chamada intensificação sustentável. Quando há limites para a conversão de terras para a agricultura, é preciso produzir mais na mesma área.

“Mas essa intensificação não pode ser feita de um jeito que seja ambientalmente danoso, temos que fazê-la de forma a minimizar os impactos. A intensificação sustentável pode ser feita com novas tecnologias, com agricultura inteligente e com gerenciamento da paisagem”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

Informações ambientais em exploração de petróleo e gás terão rigor científico e apoio de universidades

petroleoInformações ambientais a serem usadas na definição das futuras áreas de exploração de petróleo e gás devem ter caráter científico. A exigência foi feita dia 10/04 pela ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante a posse do novo presidente do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Roberto Vizentin.

Izabella Teixeira defendeu a associação com universidades brasileiras para estes levantamentos. “Precisamos trabalhar com excelência. As informações não vão ser produzidas por empresas de consultoria, mas têm que acontecer a partir de processos técnicos e científicos robustos, com redes de universidades que possam gerar esta informação”, disse.

As áreas de meio ambiente e de minas e energia passaram, a partir de hoje, a ser responsáveis pela elaboração de estudos sobre exploração de petróleo e gás, segundo portaria conjunta dos Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia.

O objetivo da portaria é identificar impactos socioambientais e classificar as áreas como aptas ou não aptas para as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural.

“É esta casa (ICMBio) que tem que definir que critérios são estes, quais são as áreas sensíveis, quais as áreas prioritárias de conservação, onde há sobreposição e mediacão de conflitos. Essa casa trabalha pouco com conflitos e tem que ter técnicos”, afirmou Izabella Teixeira.

ICMBioSegundo a ministra, durante reunião com a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Magda Chanbriand, hoje, em Brasília, as duas áreas começaram a definir ações conjuntas. “Vamos trabalhar uma agenda ambiental. Já temos definidas questões de licenciamento e de áreas de gestão de acidentes. Agora estamos avançando para o monitoramento e planejamento das concessões”, explicou.

Izabella Teixeira também cobrou do novo presidente do ICMBio a revisão de modelos de concessões utilizados em áreas protegidas do país. Segundo ela, é preciso melhorar os sistemas de uso público das unidades de conservação (UCs). “Temos que inovar nos modelos de concessão de serviços. É inaceitável termos mais de 300 UCs federais e que menos de 1% da população tenha acesso a estas unidades”.

Roberto Vizentin disse que assume o instituto com outros desafios, como a ampliação de áreas protegidas no país e a regularização fundiária nessas regiões. “Nas unidades que não permitem a permanência das pessoas precisamos desapropriar, indenizar e realocar. Esse é um passivo muito grande. A primeira medida que vou adotar é levar políticas públicas para áreas de preservação e entorno. Não podemos mais aceitar Brasil como potencia econômica e não ter energia, escola e saúde nas unidades de conservação. Aquelas pessoas que vivem e cuidam da riqueza do país vivem na pobreza hoje”, disse o novo presidente do Instituto Chico Mendes.

Fonte: Agência Brasil
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