Professor sugere medidas mais drásticas para enfrentar seca no Ceará

Açude Cedro, no município de Quixadá, uma das primeiras obras para combater a seca - Arquivo/Agência Brasil

Açude Cedro, no município de Quixadá, uma das primeiras obras para combater a seca – Arquivo/Agência Brasil

O estado do Ceará tem hoje cerca de 10% da capacidade total de 18 bilhões de metros cúbicos de água. Para garantir o fornecimento de água à população até a próxima quadra chuvosa (período de fevereiro a maio, em que são esperadas chuvas mais densas no estado), os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos determinaram medidas restritivas tanto para a população quanto para o comércio e a indústria.

Segundo o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), João Lúcio Farias de Oliveira, nas propriedades rurais que trabalham com sistemas de irrigação, houve corte de mais de 70% na oferta de água, que é suficiente apenas para manter culturas permanentes, como banana e goiaba. As indústrias têm meta de restrição de 20% do consumo e são estimuladas a reutilizar a água. Para os moradores da região metropolitana de Fortaleza, existe também a tarifa de contingência de 20% na conta.

O físico Alexandre Araújo Costa, PhD em Ciências Atmosféricas, diz, porém que são necessárias medidas mais drásticas para evitar o colapso hídrico na região metropolitana e no estado. Entre as  medidas sugeridas estão a interrupção do fornecimento de água para as usinas termelétricas que funcionam no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, a 65 quilômetros de Fortaleza, e a redução da vazão de água para a recém-inaugurada Companhia Siderúrgica do Pecém, também localizada no complexo.

Segundo Costa, somente o desligamento das quatro térmicas economizaria 800 litros de água por segundo. Quando do lançamento do Plano de Segurança Hídrica de Fortaleza e Região Metropolitana, o governador Camilo Santana citou como possibilidade a “decisão drástica” de interromper o fornecimento de água para as termelétricas Pecém I e II, as maiores do complexo, que geram, juntas, 1.080 megawatts de energia para o Sistema Interligado Nacional.

“As medidas para preservar os estoques hídricos são insuficientes. Vamos entrar em 2017 contando com a sorte, pois a política de governo atual nos coloca sob elevado risco”, afirma o físico. Ele considera “factível” desligar as térmicas e negociar o adiamento do início das operações da siderúrgica.

Professor da Universidade Estadual do Ceará, Costa afirma que a gestão dos recursos hídricos do estado tem sido “desastrosa” desde as quadras invernosas de 2008 e 2009, quando houve grande  aporte de água nos reservatórios. Ele lembra que, nesse período, e até 2012, houve grande atração de empresas e indústrias para o estado, com a consequente outorga de água para os novos empreendimentos. “Criou-se uma ilusão de que havia água em abundância e que se poderia outorgar água para grandes usuários.”

Com possíveis suspensões do fornecimento às termelétricas e a empreendimentos de fruticultura irrigada e redução da vazão de água para a CSP, o físico estima que poderiam ser economizados 2,5 mil litros de água por segundo, o que daria para abastecer 2 milhões de pessoas.

O presidente da Cogerh, no entanto, diz que as medidas de restrição atuais são suficientes para o abastecimento humano e manutenção das atividades econômicas. Segundo Oliveira, a irrigação é a mais afetada, e as indústrias estão incluídas na meta de redução de consumo.

“A única região do estado que ainda mantém irrigação é o Vale do Jaguaribe [um dos grandes produtores de frutas do Ceará]. A atividade industrial também opera com restrição de água”, afirma Oliveira. Se houvesse a suspensão completa de água para a irrigação e as grandes indústrias, toda a nossa atividade econômica e a geração de empregos no estado poderiam ser afetadas. “Ainda podemos mantê-las dentro das possibilidades atuais”, diz Oliveira.

Fonte: Empresa Brasil de Comunicação S/A – EBC

Esgoto tratado aumenta produtividade na agricultura: 70% da água do País é consumida em irrigação

Em tempos de escassez de água, pesquisas que resultam em métodos de economia desse recurso são fundamentais. É o caso da pesquisa feita pelo Núcleo de Pesquisa em Geoquímica e Geofísica da Litosfera (Nupegel) da USP, em Lins e Piracicaba, sobre irrigação de solos agrícolas utilizando os resíduos do tratamento de esgoto.

A técnica desenvolvida apresenta três resultados principais: a economia de água e de fertilizantes minerais nitrogenados; evita o descarte de águas residuárias do tratamento de esgoto diretamente em rios; e aumenta a produtividade das culturas irrigadas com esses efluentes.

Em um dos experimentos com cana-de-açúcar, a produção foi 60% maior que a média da produção sem irrigação para o estado de São Paulo no ano avaliado, segundo o professor Adolpho Melfi, responsável pela pesquisa e coordenador do Nupegel. Na cultura de capim, economizou-se de 32% a 81% da fertilização nitrogenada mineral no ano mais chuvoso (menos irrigação) e mais seco, respectivamente. “Em todos os casos, a irrigação com efluente aumentou [o rendimento da cultura] em relação àquele sem irrigação ou mesmo com irrigação com água”, conta Melfi.

irrigacaoDe acordo com os pesquisadores, o estudo é importante para o setor agrícola, o qual consome, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 70% da água do País em irrigação. O crescimento do agronegócio, principalmente em São Paulo, é um agravante da situação, pois faz com que o interesse por áreas irrigadas aumente, uma vez que elas geram mais alimentos, fibras e combustíveis. A utilização de resíduos de esgotos tratados apresenta um grande potencial justamente porque substitui a água doce na irrigação de certas culturas, o que possibilita a grande economia desse recurso.

Existem diversos tipos de tratamento de esgoto e, em princípio, todos eles podem ser usados na irrigação. No caso do projeto do Nupegel, foram usados dois processos biológicos: o primeiro, por lagoas de estabilização, no qual os esgotos são degradados por bactérias e utilizando energia solar.

No segundo tratamento, chamado Sistema de Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente com Manta de Iodo (UASB), também são utilizadas bactérias, mas com o esgoto é tratado em reatores que funcionam com energia elétrica.

Os pesquisadores utilizaram os resíduos tratados nas culturas de milho, cana de açúcar, laranja, girassol e café. No caso da cana de açúcar, em um dos experimentos, a produção aumentou 60%. Na cultura de uma espécie de capim, economizou-se de 32% a 81% da fertilização no ano mais chuvoso (menos irrigação) e mais seco, respectivamente.

Regulamentação
Apesar de ser uma alternativa viável e interessante dos pontos de vista ambiental, econômico e social, a técnica é quase inexistente no Brasil, ao contrário do que se vê nos Estados Unidos, Israel e Austrália. Segundo o professor Melfi, é uma área relativamente nova para a qual não existe ainda uma legislação específica, por isso são necessários estudos sistemáticos sobre o impacto dessa técnica no solo, nas plantas, na água e na atmosfera para que haja regulamentação e permita sua implantação.

Segundo os pesquisadores, em projetos de utilização de esgoto tratado na irrigação de culturas, deve-se estar atento a possíveis modificações no ambiente, positivas ou negativas. Por isso, foram avaliados, nos diversos experimentos, os impactos da irrigação nas propriedades físicas, químicas e físico-químicas do solo, na produtividade das plantas, no balanço nutricional e na fertilidade do solo. Por fim, foi realizado um estudo sistemático das emissões de gases de efeito estufa pelos solos irrigados com água e com efluente.

Há três pontos importantes para se ressaltar: os organismos que causam doenças presentes nos esgotos tratados não oferecem riscos pelo fato de as culturas irrigadas terem obrigatoriamente de passar por processamentos industriais antes de serem utilizadas pelo homem. A espécie de capim utilizada, por exemplo, só é consumida pelo gado após a produção de feno.

Outro ponto é com relação ao sódio, o qual, apesar de sua alta concentração no efluente – o que poderia causar efeitos negativos sobre as propriedades físicas do solo –, nos períodos de chuva, é naturalmente lavado e arrastado pela água. Se necessário, é possível ainda minimizar seus efeitos com a aplicação do gesso agrícola, utilizado para corrigir o solo. Finalmente, por serem esgotos domésticos, os metais pesados, quando presentes, apresentam teores abaixo dos valores restritivos impostos pela legislação e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Existem vários projetos no Brasil sobre isso, mas acho que estudando nesse período de tempo tão longo, 14 anos, avaliando todas essas características, estudando solo, planta, atmosfera, água superficial e subterrânea, [o nosso] seja, provavelmente, um projeto ‘pioneiro’”, comenta a professora Célia Rocha, vice-coordenadora do Nupegel.

O projeto é fruto de uma parceria entre a USP e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com apoio financeiro e bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Além dos resultados positivos do ponto de vista ambiental e econômico, o projeto teve o mérito de permitir a formação de recursos humanos em um setor ainda carente de especialistas”, comenta Melfi.

Artigo da Agência USP de Notícias Por Giovanna Lukesic Reis, da Pró-reitoria de Pesquisa

Seca leva Chile a discutir uso da agua no pais e declarar estado de emergencia no Norte

escassez de aguaA seca afeta várias regiões do Chile e levou o governo do presidente Sebastián Piñera a declarar estado de alerta em dez cidades das áreas de Coquimbo e Valparaiso, no Norte do país. Há ainda estado de emergência em 108 municípios que sofrem com a falta de água, que atinge também as plantações. Para o senador Guido Girardi (Partido da Democracia), é fundamental nacionalizar a água no país. Ele apresentou proposta ao Senado.

O secretário-geral da Comissão Nacional de Irrigação do Chile, Philip Martin, disse que o governo se esforça para buscar alternativas aos problemas causados pela seca. O ministro da Agricultura, Luis Mayol, acrescentou que foram aumentados os recursos das comunidades para garantir a água do caminhão-tanque e feitas melhorias em sistemas de irrigação .

O ministro do Interior do Chile, Laurence Golborne, admitiu que a situação está complicada e que pode se agravar quando vier o verão. Segundo ele, o governo vai construir mais 11 reservatórios de água para ampliar em 50% a capacidade de armazenamento no país.

Guido Girardi defendeu a reforma urgente do Código de Águas. Segundo ele, o objetivo é garantir que o uso prioritário da água seja a alimentação humana e a agricultura. Para o senador, o Chile experimenta os efeitos do processo de mudanças climáticas. “Temos de trazer a água de volta. Água é um patrimônio nacional para uso público, um direito humano e não uma mercadoria”, disse.

“O Estado deve ter a autoridade para determinar as áreas onde não há água”. O deputado Enrique Accorsi (Partido da Democracia) reiterou os argumentos de Girardi, lembrando que as prioridades são o consumo humano, a agricultura e a manutenção de reservas, além das atividades industriais e de mineração.

Fonte: Agência Brasil

Brasil: volume de agua no pais representa 12% da disponibilidade do planeta, mas com distribuicao desigual

agua doceO Brasil está em uma situação confortável em relação à disponibilidade de recursos hídricos comparado a outros países, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). O documento Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2012, divulgado nesta data de 4 de maio, em Brasília, revelou que o volume de água no país representa 12% da disponibilidade do planeta. Mas o mesmo documento alerta que o aparente conforto convive com a distribuição desigual desses recursos.

O levantamento mostrou que mais de 80% da disponibilidade hídrica está concentrada na região hidrográfica amazônica. “O Brasil tem uma grande reserva de água doce, mas a distribuição é bastante desigual. Em algumas regiões, há um potencial hídrico muito grande, enquanto em outras regiões você tem até a falta de água”, disse o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu.

Os reservatórios artificiais são apontados pelos técnicos da ANA como elementos estratégicos para equacionar essas concentrações. “Esse é um dos principais assuntos que vamos tratar na Rio+20. Em relação ao aumento da preservação, queremos rediscutir se reservatórios só têm impactos negativos. Evidentemente que os reservatórios têm impactos ambientais e sociais significativos, mas podem ser instrumentos eficazes no controle de inundações e na oferta de água”, acrescentou Andreu.

Pelas contas da agência reguladora do setor, o Brasil possui 3,6 mil metros cúbicos de volume armazenado em reservatórios, por habitante. O número é superior ao apresentado em vários continentes. Na Europa, por exemplo, a relação de recursos hídricos armazenados por habitante é da ordem de 1,4 mil metros cúbicos. Na América Latina e no Caribe, é 836 metros cúbicos por habitante.

Em 2011, açudes considerados importantes nessa relação, no Brasil, como os da Região Nordeste do país, que têm a função de acumular água em períodos úmidos para garantir o recurso durante as secas, apresentaram acréscimos de 9% no volume armazenado em relação a 2010. A média de estoque na região tem se mantido em torno de 68%. Mas quando os técnicos avaliaram os cenários em cada estado, constataram, por exemplo, que, na Bahia, os valores estocados estão abaixo da média de região, com 42% do volume.

A agricultura, com cultivos irrigados se mantém na liderança do consumo desses recursos. O estudo da ANA mostrou que 54% da retirada de águas são promovidos pela atividade agrícola. De acordo com os técnicos da agência, essa parcela ganha ainda mais importância com o crescimento da área irrigável no país que, segundo os dados, responde hoje por 5,4 milhões de hectares (20% a mais do que a área apontada no censo agropecuário de 2006).

“O que precisamos é combinar as políticas, para que a expansão agrícola, principalmente a das culturas irrigadas, aconteça em locais onde os solos e a disponibilidade de água seja adequada. Há estatística de que a agricultura irrigada com produtividade, para determinadas produções, aumenta em até quatro vezes. Com isso, você pode evitar a expansão da agricultura para outras áreas como as de biomas mais sensíveis e evitar conflitos do uso da água”, explicou Andreu.

Fonte: Agência Brasil

Especialistas conseguem manter desertificação no documento que servirá de base para discussões da Rio+20

Depois de 20 anos de tentativas, desde a Rio 92, o grupo de especialistas que tenta incluir o problema da desertificação na agenda de desenvolvimento mundial, conseguiu manter o tema no documento que servirá de base para as negociações da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, evento que a capital fluminense sedia em junho.

A desertificação (1) é um fenômeno caracterizado por intensa degradação do ecossistema, com perda da capacidade de produção, devido a atividades humanas. De acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a desertificação é “a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas”.

O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Magalhães, disse que o texto de recomendação para a Rio+20 foi resumido pelos negociadores da conferência. “Mas o importante são os desdobramentos. Se os países se comprometerem com o fortalecimento de políticas públicas para estas regiões [desertificadas], e o governo brasileiro reconhecer que precisa organizar melhor as políticas para essas áreas, como o Semiárido nordestino, já teremos um bom resultado”, avaliou.

O grupo, que reúne especialistas de vários países, vai apresentar propostas durante os eventos preparatórios da Rio+20. A desertificação ameaça 40% da superfície terrestre do mundo, onde vivem mais de 2,6 bilhões de pessoas, de acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar dos números representarem um universo onde vivem 42% da população mundial, Magalhães alerta que o problema nunca foi uma prioridade dos governos. “As regiões secas não são estratégicas para o abastecimento global, produzindo muitas vezes para o consumo local”, explicou o diretor do CGEE.

Economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), César Morales acrescentou que o processo de desertificação, geralmente, ultrapassa o tempo dos mandatos governamentais e, por isso, deixa de estar no topo das prioridades de investimento dos países. Segundo ele, as mudanças climáticas, o desmatamento e o manejo inadequado do solo pela agricultura são as principais causas do fenômeno que torna os solos improdutivos no futuro.

Morales diz que recuperação da cobertura vegetal permitiria que a captação de carbono nas áreas fosse retomada. “Mas é preciso adotar tecnologias que tornem as práticas agrícolas menos intensivas na emissão de carbono. Hoje, a agricultura orgânica é solução e não mais uma atividade elitizada. O investimento tecnológico que ainda encarece a atividade também encareceu por um tempo a agricultura convencional”, observou.

Além do investimento em pesquisas e tecnologias, a diretora do Instituto Argentino de Investigação das Zonas Áridas, Elena Abraham, acredita que o reconhecimento do potencial das regiões pode mudar o espectro dos governantes. “Temos que mostrar o valor desses ecossistemas que guardam variedades de culturas e de potenciais produtivos, como criação de animais como camelos e cabras, e cultivos não irrigados, entre vários outros. Aliado a isso, precisamos de decisões políticas e de um parque tecnológico que valorize os conhecimentos tradicionais”, defendeu a especialista.

Fonte: Agência Brasil

(1) Desertificação – O termo desertificação tem sido muito utilizado para a perda da capacidade produtiva dos ecossistemas causada pela atividade humana. Devido às condições ambientais, as atividades econômicas desenvolvidas em uma região podem ultrapassar a capacidade de suporte e de sustentabilidade. O processo é pouco perceptível a curto prazo pelas populações locais. Há também erosão genética da fauna e flora, extinção de espécies e proliferação eventual de espécies exóticas.

O que acontece é um processo em que o solo de determinados lugares começa a ficar cada vez mais estéril. Isso quer dizer que a terra perde seus nutrientes e a capacidade de fazer nascer qualquer tipo de vegetação, seja florestas naturais ou plantações feitas pelo ser humano. Sem vegetação, as chuvas vão rareando, o solo vai ficando árido e sem vida, e a sobrevivência fica muito difícil. Os moradores, agricultores e pecuaristas geralmente abandonam essas terras e vão procurar outro lugar para viver.

No caso de desertos arenosos, origina-se a partir do empobrecimento do solo e consequente morte da vegetação, sendo substituída por terreno arenoso. No caso dos desertos polares, a causa evidente é a temperatura extremamente baixa daquelas regiões.

Nas regiões semiáridas e semiúmidas secas, a ação humana intensifica os processos de desertificação. As atividades agropecuárias insustentáveis são responsáveis pelos principais processos: a salinização de solos por irrigação, o sobrepastoreio e o esgotamento do solo pela utilização intensiva e insustentável dos recursos hídricos por procedimentos intensivos e não adaptados às condições ambientais, além do manejo inadequado na agropecuária. O crescimento demográfico e a consequente demanda por energia e recursos naturais também exerce pressão pela utilização intensiva do solo e dos recursos hídricos. (Wikipédia)

Disputa pela agua: Produtores rurais brasileiros percebem que a disponibilidade hidrica passa por mudanças

irrigacaoPesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, mostra que os produtores rurais brasileiros percebem que a disponibilidade hídrica passa por mudanças, com aumento das disputas pela posse da água. O trabalho desenvolvido pela engenheira agrônoma Janaína Paulino alerta para a insuficiência dos serviços de extensão e transferência de tecnologia rural no Brasil em relação a promoção do uso sustentável dos recursos hídricos.

A pesquisa contou com uma equipe técnica de profissionais de diversas áreas de atuação, com mais de 13 colaboradores, que trabalharam por mais de dois anos no planejamento, obtenção e sistematização de dados e elaboração de relatório. De início, foi realizado o levantamento dos potenciais locais e instituições que seriam aptos a responder de maneira expressiva as questões sobre a utilização do recurso hídrico na região. Assim sendo, recorreram-se às tabelas que apresentavam informações sobre estabelecimentos agropecuários com uso de diferentes métodos de irrigação e diferentes explorações animais. Após a seleção dos municípios (180), foram mapeadas as instituições ligadas ao uso da água (357).

Ao mesmo tempo, foi elaborado um questionário de pesquisa, dividido em cinco partes. “Com o retorno dos questionários, os dados foram analisados e interpretados de maneira integrada e também por região administrativa, tentando ao máximo buscar a percepção do produtor e do extensionista quanto ao entendimento do recurso água, sua importância e seus usos”, diz a pesquisadora. Um evento nacional, denominado “Uso sustentável da água no meio rural — uma proposta pedagógica” foi organizado na Esalq para apresentar e discutir os resultados que, posteriormente, foram apresentados de maneira presencial, em algumas das instituições que participaram do workshop, nas cinco regiões administrativas brasileiras (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste).

“Na prática, a pesquisa mostrou que os usuários da água no setor rural já estão percebendo alteração na disponibilidade hídrica das fontes e que as disputas pelo uso da água vêm aumentando ao longo do tempo, ocorrendo principalmente entre o próprio setor agrícola”, afirma Janaina. O estudo mostra que essa percepção revela uma demanda por materiais que visem formar capacidades nos usuários e nos trabalhadores das instituições de extensão rural. “Os serviços de extensão e transferência de tecnologia rural no Brasil não estão funcionando da maneira que deveriam ou em alguns casos são inexistentes”, continua.

 

Recursos

Nascente_do_rio_PardoEntre as regiões, a região Norte foi a que apresentou maior carência de ações voltadas à gestão dos recursos hídricos. A maior atividade usuária da água é a irrigação e muitos avanços devem ocorrer neste setor. Os usuários precisam de suporte técnico e poucos são os profissionais atuantes e preparados para atender tais demandas. Mesmo existindo relatos de iniciativas sobre o reúso da água em algumas regiões, como a Sul, por exemplo, verifica-se que há carência de ações visando este assunto.

“O País precisa destes serviços para conseguir ter uma política de desenvolvimento no meio rural que coloque ou mantenha-o nos níveis adequados para enfrentar o mundo globalizado”, alerta Janaína. “O papel da educação ambiental no processo de formação de capacidades na gestão dos recursos hídricos é primordial, pois só por meio dela é possível, em longo prazo, romper a herança cultural de que a água é um recurso abundante, renovável e ilimitado”, conclui.

A tese de doutorado de Janaína, orientada por Marcos Vinícius Folegatti, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB), foi desenvolvida no programa de Pós-Graduação em Irrigação e Drenagem da Esalq. Elas está inserida no objetivo de dois grandes projetos, “Diagnóstico de demanda e oferta por capacitação e extensão tecnológica em temas relacionados à gestão das águas, nos níveis técnico e superior para cada uma das 5 regiões administrativas do País”, do Ministério da Ciência e Tecnologia, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundo Setorial para Recursos Hídricos (CT-HIDRO) e Agência Nacional de Águas (ANA); e “Estudo para o desenvolvimento da capacitação de usuários de recursos hídricos no meio rural, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Ambos foram desenvolvidos por mais de dois anos, envolveram pesquisadores de diferentes áreas ligadas à gestão de recursos hídricos e tiveram a coordenação do professor Folegatti e coordenação técnica do pesquisador Rodrigo Máximo Sánchez-Román. “Os dois projetos se completam e, em um âmbito geral, levantaram informações sobre dos usos da água no meio rural; diagnosticaram a demanda e a oferta de capacitação e extensão tecnológica para a gestão dos recursos hídricos nos níveis técnico e superior; determinaram o formato para o funcionamento de uma rede de capacitação e extensão tecnológica, a “Rede Yara”; além de propor um série de materiais didáticos para capacitadores e para usuários da água”, explica a engenheira agrícola.

Fonte: Agência USP de Notícias

Novo sistema permite escolher tipos de irrigação mais adequados aos solos brasileiros

SiBCTIA nova versão do Sistema Brasileiro de Classificação de Terras para Irrigação (SiBCTI), lançada pela Embrapa Solos, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária localizada no Rio, já está disponível em livro para gestores da área agrícola, professores e estudantes. O software (programa de computador) que faz a classificação dos solos e dos melhores tipos de irrigação deverá ser lançado no início de março.

A primeira versão do SiBCTI foi lançada em 2005. A versão atual da metodologia para irrigação, adaptada ao solo brasileiro, foi ampliada em termos de funcionalidade e de parâmetros de avaliação, disse à Agência Brasil o engenheiro agrônomo da Embrapa Solos, Fernando Cezar Amaral, coordenador do trabalho. “Ele está atualizado em termos de sistema de irrigação, de culturas, de formas de acesso, de interação com o usuário”.

Amaral esclareceu que antes desse novo sistema não havia uma maneira precisa de auxiliar o governo na adoção de políticas de irrigação, especialmente no Nordeste. Havia o risco de serem feitos investimentos em um determinado grupamento de solos com retorno muito baixo ou mesmo a perda do solo por questão de salinização, por exemplo. A versão atualizada do sistema garante segurança maior ao investimento. “Chama-se um investimento sustentável ao longo do tempo”.

O pesquisador revelou que os investimentos nos perímetros irrigados são vultosos, entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões. Daí, a importância da metodologia para o Brasil.

Amaral destacou que a nova versão do sistema poderá subsidiar o Programa Mais Irrigação, que será lançado ainda este ano pelo governo federal. O programa visa a implantar 200 mil hectares de perímetros irrigados em todo o Semiárido nordestino, com a criação de 500 mil postos de trabalho.

A metodologia faz uma avaliação completa do ambiente no que se refere aos parâmetros de solo e da água para irrigação, além da cultura que a pessoa vai explorar no local e o sistema que ela pretende utilizar. “O sistema cruza essas informações todas e dá uma avaliação daquele ambiente que você está pretendendo explorar. Tudo isso feito de forma atualizada, segura, testada, de acordo com a realidade brasileira. Diferentemente do que havia antes, que era uma metodologia norte-americana, adaptada para as condições brasileiras, mas que não teve muito sucesso”.

Realizado em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o trabalho foi aplicado em solos com salitre, para cultivo da cana-de-açúcar. No momento, os pesquisadores estão concluindo as experiências no Baixio do Irecê, na Bahia.

Fernando Amaral disse que o SiBCTI é mais direcionado para os gestores públicos tomadores de decisão, “porque é onde você vai planejar a área, vai investir, planejar o recurso. Então, ele tem uma aplicação maior para esse seleto grupo de gestores”. Como é um sistema gratuito, ele está disponível também para estudantes e consultores, “para quem tiver interesse”, acrescentou.

Fonte: Agência Brasil

O produto encontra-se disponível gratuitamente com o respectivo manual no seguinte endereço eletrônico: www.cnps.embrapa.br/sibcti

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