Nanotecnologia e meio ambiente: perigos do “nano-lixo” x benefícios da tecnologia em debate

Pesquisas mostram que a nanotecnologia já está presente em mais de mil produtos de consumo em todo o mundo, como cosméticos, tecidos e aparelhos eletrônicos.

Não há dúvida de que a nanotecnologia oferece a perspectiva de grandes avanços que permitam melhorar a qualidade de vida e ajudar a preservar o meio ambiente. Entretanto, como qualquer área da tecnologia que faz uso intensivo de novos materiais e substâncias químicas, ela traz consigo alguns riscos ao meio ambiente e à saúde humana.


As três principais áreas nas quais podemos esperar grandes benefícios provenientes da nanotecnologia são:

Na prevenção de poluição ou dos danos indiretos ao meio ambiente: Por exemplo, o uso de nanomateriais catalíticos que aumentam a eficiência e a seletividade de processos industriais resultaria num aproveitamento mais eficiente de matérias primas, com consumo menor de energia e produção de quantidades menores de resíduos indesejáveis. A nanotecnologia vem contribuindo para o desenvolvimento de sistemas de iluminação de baixo consumo energético. Na área da informática, o uso de nanoestruturas de origem biológica pode oferecer uma estratégia alternativa para a fabricação de dispositivos microeletrônicos. A nanotecnologia também vem aprimorando o desenvolvimento de displays (como, por exemplo, monitores de computador ou displays dobráveis de plástico que podem ser lidos como uma folha de papel) que, além de serem mais leves e possuirem melhor definição, apresentam as vantagens da ausência de metais tóxicos na sua fabricação e de terem um consumo menor de energia.

A disponibilidade de materiais mais resistentes permitirá o desenvolvimento de máquinas muito mais potentes, capazes de destruir grandes áreas do nosso planeta a um ritmo muito mais acelerado.

– No tratamento ou remediação de poluição: A grande área superficial das nanopartículas lhes confere, em muitos casos, excelentes propriedades de adsorção de metais e substâncias orgânicas. A etapa subseqüente de coleta das partículas e remoção de poluentes pode ser facilitada pelo uso, por exemplo, de nanopartículas magnéticas. As propriedades redox e/ou de semicondutor de nanopartículas podem ser aproveitadas em processos de tratamento de efluentes industriais e de águas e solos contaminados baseados na degradação química ou fotoquímica de poluentes orgânicos. Num cenário futurístico, um exército de nano-bots poderia ser utilizado para descontaminar microscopicamente sítios de derrame de produtos químicos.

– Na detecção e monitoramento de poluição: A nanotecnologia vem permitindo a fabricação de sensores cada vez menores, mais seletivos e mais sensíveis para a detecção e monitoramento de poluentes orgânicos e inorgânicos no meio ambiente. Avanços em sensores para a detecção de poluentes implicam diretamente num melhor controle de processos industriais; na detecção mais precoce e precisa da existência de problemas de contaminação; no acompanhamento, em tempo real, do progresso dos procedimentos de tratamento e remediação de poluentes; num monitoramento mais efetivo dos níveis de poluentes em alimentos e outros produtos de consumo humano; na capacidade técnica de implementar normas ambientais mais rígidas, etc.

A natureza compacta da maquinaria fabricada graças à nanotecnologia poderia promover o uso de produtos muito pequenos. Por sua vez, isto criaria um tipo de “nano-lixo”, difícil de eliminar, e que poderia originar problemas de saúde.

Não obstante estas perspectivas animadoras dos benefícios da nanotecnologia para a melhoria do meio ambiente, não se deve subestimar o potencial para danos ao meio ambiente. As mesmas características que tornam as nanopartículas interessantes do ponto de vista de aplicação tecnológica, podem ser indesejáveis quando essas são liberadas ao meio ambiente.

O pequeno tamanho das nanopartículas facilita sua difusão e transporte na atmosfera, em águas e em solos, ao passo que dificulta sua remoção por técnicas usuais de filtração. Pode facilitar também a entrada e o acúmulo de nanopartículas em células vivas. De modo geral, sabe-se muito pouco ou nada sobre a biodisponibilidade, biodegradabilidade e toxicidade de novos nanomateriais.

A contaminação do meio ambiente por nanomateriais com grande área superficial, boa resistência mecânica e atividade catalítica pode resultar na concentração de compostos tóxicos na superfície das nanopartículas, com posterior transporte no meio ambiente ou acúmulo ao longo da cadeia alimentar; na adsorção de biomoléculas, com conseqüente interferência em processos biológicos in vivo; numa maior resistência à degradação (portanto, maior persistência no meio ambiente) e em catálise de reações químicas indesejáveis no meio ambiente. (fonte: Scielo Brasil)

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Céu estrelado? Não, lixo espacial! Toneladas de lixo orbitando sobre nós a 30 mil Km/h

Um objeto aparece em vídeo flutuando lentamente em direção ao espaço sideral durante caminhada espacial  dos cosmonautas russos Dmitry Kondratyev e Oleg Skripochka, em 16/02/2011, para instalar novos sensores de terremotos e relâmpagos na Estação Espacial Internacional. E já não é a primeira vez…

O vídeo pode ser visto na página da BBC: “Cosmonautas perdem ferramenta no espaço”

Meus amigos, cuidado com suas cabeças: manchas de óleo, parafusos, pedaços de metal e até mesmo uma sacola inteirinha cheia de ferramentas fazem parte de um inventário de 400.000 artefatos, o famigerado lixo espacial, orbitando a Terra. Uma nuvem de metal e detritos que vêm aumentando ano após ano. E o que isso tem a ver com ecologia? Tudo!

A hipótese (Síndrome de Kessler) apresentada por um físico da Nasa, sustenta que haverá um momento em que o espaço terá tantos detritos que será impossível utilizá-lo para as necessidades da humanidade. Isso porque, quando dois objetos se chocam, eles geram mais fragmentos, multiplicando assim o número de elementos em órbita. E os satélites que atualmente estão em órbita, por exemplo, são responsáveis por transmitir dados, sinais de televisão, rádio e telefone, sem contar os equipamentos que observam a Terra, fornecem informações sobre mudanças climáticas, podem antecipar fenômenos naturais e fazer o mapeamento de áreas.

E qual a realidade lá em cima? Os astronautas, satélites e a própria estação espacial enfrentam problemas em antever um impacto: Devido à velocidade muito grande em que viaja o lixo espacial, pequenas peças entre 1 e 10 centímetros de tamanho podem penetrar e danificar maioria das naves espaciais. Mas não é só isso, um pedaço de metal de 10cm pode causar tanto dano como vinte e cinco bananas de dinamite! Claro, afinal esse lixo todo circula nosso planeta em velocidades que podem ultrapassar 30.000Km/h !!!

A imagem à esquerda mostra que o risco de dano é real. Esse buraco de 1 cm de diâmetro é o resultado de um detrito que penetrou a antena parabólica do Hubble. Mais? As janelas do ônibus espacial foram substituídas 80 vezes devido aos impactos com objetos de menos de 1 mm.

Durante sua primeira década em órbita, por exemplo, mais de 200 objetos se afastaram da estação espacial Mir, a maioria deles envolta em sacos de lixo. Mas a maior fonte de material significativo são aproximadamente 150 satélites, que foram destruídos ou se desmantelaram, deliberadamente ou acidentalmente. Eles deixaram um rastro de 7.000 fragmentos suficientemente grandes (acima de 10 centímetros), a serem monitorados a partir da Terra.

Por estas razões a NASA (em conjunto com o Departamento de Defesa dos EUA) criou uma rede de vigilância do espaço (menos mal…). Estações de solo monitoram grandes pedaços de lixo espacial para que as colisões com os satélites ou com o ônibus espacial possam ser evitadas. Os planos futuros incluem um esforço de cooperação entre os governos de muitos países para parar de jogar lixo espacial e possivelmente para limpar o lixo já está lá.

E o Brasil tem sua parte de culpa: temos dois satélites de coleta de dados e mais três satélites em conjunto com a China e nenhum desses cinco dispõe de um sistema para que seja feita sua remoção em órbita…

Vejam então as idéias, mirabolantes ou não, para remoção do lixo espacial:

1. Aerogel: Utilizado pela NASA para coletar poeira espacial, a idéia é colocar em órbita painéis cobertos com este material onde pequenos pedaços de resíduos espaciais ficariam presos como insetos em um pára-brisa.

2. Lasers: Instalar canhões de laser em alguns pontos estratégicos e disparar contra o lixo, para desviar sua órbita para mais perto do planeta. Com isso, o lixo queimaria até desaparecer.

3. Braço: Uma espécie de nave não-tripulada, guiada por radares e câmeras, seria equipada com braços robóticos para coletar os detritos.

4. Redes: Sistema de redes gigantes, que formaria um cesto capaz de capturar os detritos e jogá-los mais para baixo.

5. Espuma: Um painel de espuma seria colocado na rota dos detritos. Assim que os objetos passassem por ele, teriam sua velocidade reduzida, caindo de volta no planeta.

6. Fios: Cabos condutores de cobre poderiam ser acoplados a satélites desativados para que eles pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra.

A Terra é rodeada por pedaços de destroços orbitais que, segundo Nicholas Johnson (Scientific American, 1998), “lembram abelhas furiosas em torno de uma colméia, parecendo mover-se aleatoriamente em todas as direções.” Olhe para os os números acima, e você quase pode ouvir o zumbido!

Parece que um novo tipo de emprego deverá ser criado com urgência: Lixeiro Espacial ! E deve ser rentável, considerando que as toneladas de metal sobre nossas cabeças são recicláveis: só nossas cabeças que não. Que tal começarem logo essa limpeza?

Fonte:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2011/02/110217_videoferramentanasaebc.shtml
http://www.kenlarson.net/code/scienc01.htm
http://www.wired.com/wired/archive/15.05/st_houston.html
http://starchild.gsfc.nasa.gov/docs/StarChild/questions/question22.html
http://www.anthonares.net/index.php?tag=Space-Junk
http://www.treehugger.com/files/2008/04/shocking-space-debris-images.php

Dia Mundial do Meio Ambiente – vamos todos fazer um mundo melhor? (é fácil!)

Foto: pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:MODIS_Map.jpg

Dia Mundial do Meio Ambiente acontece todo dia 5 de junho, data escolhida pelas Nações Unidas em 1972, para chamar atenção e estimular ações pela conservação do planeta.

O meio ambiente, comumente chamado apenas de ambiente, envolve todas as coisas vivas e não-vivas ocorrendo na Terra, ou em alguma região dela, que afetam os ecossistemas e a vida dos humanos.

O conceito de meio ambiente pode ser identificado por seus componentes:

Completo conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural mesmo com uma massiva intervenção humana e outras espécies do planeta, incluindo toda a vegetação, animais, microorganismos, solo, rochas, atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites.

Recursos e fenômenos físicos universais que não possuem um limite claro, como ar, água, e clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo, que não se originam de atividades humanas.

Na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente celebrada em Estocolmo, em 1972, definiu-se o meio ambiente da seguinte forma: “O meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.”

A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) brasileira, estabelecida pela Lei 6938 de 1981, define meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O ambiente natural se contrasta com o ambiente construído, que compreende as áreas e componentes que foram fortemente influenciados pelo homem.

As ciências da Terra geralmente reconhecem quatro esferas, a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, correspondentes às rochas, água, ar e vida. Alguns cientistas incluem, como parte das esferas da Terra, a criosfera (correspondendo ao gelo) como uma porção distinta da hidrosfera, assim como a pedosfera (correspondendo ao solo) como uma esfera ativa.

Ciências da Terra é um termo genérico para as ciências relacionadas ao planeta Terra. Há quatro disciplinas principais nas ciêncais da Terra: geografia, geologia, geofísica e geodésia. Essas disciplinas principais usam física, química, biologia, cronologia e matemática para criar um entendimento qualitativo e quantitativo para as áreas principais ou esferas do “sistema da Terra”.

Foto: Copyright (c) 2004 Richard Ling – rling.com

E quanto aos Ambientalistas?

O ambientalismo é um largo movimento político, social, e filosófico que advoca várias ações e políticas com interesse de proteger a natureza que resta no ambiente natural, ou restaurar ou expandir o papel da natureza nesse ambiente.

Objetivos geralmente expressos por cientistas ambientais incluem:

Redução e limpeza da poluição, com metas futuras de poluição zero;

Reduzir o consumo pela sociedade dos combustíveis não-renováveis;

Desenvolvimento de fontes de energia alternativas, verdes, com pouco carbono ou de energia renovável;

Conservação e uso sustentável dos escarsos recursos naturais como água, terra e ar;

Proteção de ecossistemas representativos ou únicos;

Preservação de espécie em perigo ou ameaçadas de extinção;

O estabelecimento de reservas naturais e biosferas sob diversos tipos de proteção; e, mais geralmente, a proteção da biodiversidade e ecossistemas nos quais todos os homens e outras vidas na Terra dependem.

Grandiosos projetos de desenvolvimento – megaprojetos – colocam desafios e riscos especiais para o ambiente natural. Grandes represas e centrais energéticas são alguns dos casos a citar. O desafio para o ambiente com esses projetos está aumentando porque mais e maiores megaprojetos estão sendo construídos, em nações desenvolvidas e em desenvolvimento.

Mas o conceito de ambientalista pode ser aplicado a você, adotando atitudes simples em sua casa: banhos mais curtos, não disperdiçar a água, separar o lixo para reciclagem, economizar energia, utilizar produtos com certificação ambiental dentre outras coisas, são atitudes importantes que auxiliam e muito na preservação de nosso planeta. Comece hoje.

Abraço à Represa de Guarapiranga chama a atenção para a preservação de mananciais

guarapirangaFoto: Represa de Guarapiranga e a ocupação clandestina

Cerca de 40 organizações ligadas à defesa do meio ambiente fizeram, na manhã de hoje (16/06), a oitava edição do abraço à Represa de Guarapiranga, um dos principais mananciais paulistas, responsável pelo abastecimento de 4 milhões de moradores da região sudoeste da capital.

As atividades incluíram um passeio ciclístico, o plantio de mudas e oficinas ambientais, como de limpeza de água e de ensino da arte milenar japonesa de montagem de arranjos de flores. 

Por volta do meio-dia, um cortejo musical acompanhou o abraço dos participantes à represa. “O abraço simbólico significa o carinho e a demonstração de respeito que a população tem com um dos principais mananciais de água da cidade. A Guarapiranga, há décadas, vem sendo agredida pela ocupação desordenada do solo, pelo despejo de esgoto, pelo despejo de resíduos, de lixo, assim como os demais mananciais de São Paulo”, disse Mauro Scarpinatti, um dos organizadores, que faz parte da Rede de Olho nos Mananciais.

Segundo Eduardo Melander Filho, outro organizador do evento, que atua no movimento Garça Vermelha, um dos problemas que mais ameaçam a represa é o despejo irregular de esgoto. “Existem muitos loteamentos clandestinos que, por estar em área de manancial, não têm esgoto. Muitas vezes não têm nem água. Esse esgoto vai direto para a represa. Então, uma das coisas que é preciso fazer, pela qual estamos lutando, é colocar a rede de esgoto em torno de toda a represa”, disse.

De acordo com Melander Filho, o esgoto traz outras consequências indesejáveis para Guarapiranga. “Estão crescendo umas plantas macrófitas, que, em princípio, em pequena quantidade, são até boas para o meio ambiente. Mas a quantidade aqui é muito grande, então ela começa a poluir e, quando morre, vai para fundo da represa e agrava o assoreamento. Quer dizer, aumenta o assoreamento e diminui a quantidade de água”, explicou.

Fonte: Agência Brasil

Smiley pensativo Nota do Blog: Cabe lembrar que algumas administrações municipais passadas foram coniventes com as ocupações irregulares, promovendo inclusive a legalização de algumas áreas. Pode até ser um apoio no âmbito social, mas essa atitude é altamente nociva na preservação dos mananciais.

Smiley nerd O que é manancial? As nascentes ou mananciais são as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, utilizadas para abastecimento humano e manutenção de atividades econômicas. As áreas de mananciais compreendem às porções do território percorridas e drenadas pelos cursos d´água, desde as nascentes até os rios e represas.

Se formam quando um aquífero atinge a superfície e, consequentemente, a água armazenada nele começa a brotar. Sob o aspecto ambiental, nascente é uma área onde há a exsudação natural de água subterrânea de forma a possibilitar a formação e a sustentabilidade de uma biocenose (relação de vida em comum dos seres que habitam determinada região) associada à água que disponibiliza. É comum caracterizar o acúmulo de água em determinadas áreas como nascente ou olho d’água, no entanto se a água disponível procedente do subsolo não for suficiente à manutenção do ecossistema ao qual se associa, esta área não caracteriza-se como nascente. (wikipédia)

O futuro da vida na Terra dependerá do rumo que se der hoje à economia

Green-Economy-Hand-ShakeNo caminho da prosperidade, as economias modernas devastaram boa parte dos recursos naturais. Em nome do crescimento econômico, a atividade industrial dilapidou os serviços ecossistêmicos (responsáveis pela manutenção da biodiversidade), desfigurando a natureza em várias frentes. Indiscutivelmente, mudanças climáticas foram – e estão sendo – provocadas pelo "homem-econômico". O objetivo? Fazer a economia crescer exponencialmente produzindo em excesso para atender o consumo exagerado. O resultado? O ambiente ameaçado pelo consumo excessivo. A consequência? Depleção ambiental

Inequivocamente, produção econômica implica destruição e degradação do meio ambiente. Por si só, isso já é o bastante para orientar à tomada de decisão rumo à elaboração de um novo paradigma econômico voltado às ordens ecológicas; não às mercadológicas.

Se não mudarmos o atual paradigma econômico é a própria economia que cada vez mais se joga no abismo da destruição, tendo em vista que, como bem lembrou Lester Brown, "a economia depende do meio ambiente. Se não há meio ambiente, se tudo está destruído, não há economia".

Nessa mesma linha de análise, Clóvis Cavalcanti nos diz que "não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia)". "Sem recuperar o meio ambiente, não se salva a economia; sem recuperar a economia, não se salva o meio ambiente", contextualizou o ecologista norte-americano Berry Commoner (1917-2012).

Embora em seus modelos convencionais a economia tradicional faça questão de não contemplar a moldura ou restrições ambientais, não há como negar o enorme grau de dependência da economia em relação ao ecossistema natural finito (meio ambiente), uma vez que a natureza fundamental da economia é extrair, produzir e consumir.

É intensa a relação da economia (atividade industrial) com o meio ambiente. Não se pode perder de vista que o sistema econômico é um sistema aberto que troca energia com o ambiente. Nessa troca, recebe energia nobre (limpa) e a devolve de forma degradada (suja).

Portanto, metaforicamente, se a economia é um corpo humano, o aparelho digestivo está aí contemplado, uma vez que recebe da natureza matéria e energia e devolve lixo, dejetos. Reafirmando essa ideia, convém resgatar uma passagem de Nicholas Georgescu-Rogen (1906-94): "o sistema econômico consome natureza – matéria e energia de baixa entropia – e fornece lixo – matéria e energia de alta entropia – de volta a natureza".

economy and environmentDiante disso, é de fundamental importância subordinar o crescimento aos limites ecossistêmicos, uma vez que crescer além do "normal" é altamente prejudicial ao meio ambiente.

Por isso, o novo paradigma econômico precisa convergir com a ecologia, uma vez que dependemos dessa para nossa própria sobrevivência. O desafio é ímpar: produzir mais (bem-estar) com menos (recursos naturais). Produzir mais qualidade (desenvolvimento), e não quantidade (crescimento).

Decorre daí a máxima de que somos, pois, dependentes do meio ambiente, contrariando assim o discurso de René Descartes (1596-1650) de que "somos senhores e dominadores da natureza". Por essa ideia do filósofo francês, a economia dilapidadora dos recursos naturais, manejada pelo "homem-econômico", estaria agindo de forma correta em propagar destruição, poluição e degradação ambiental, uma vez que para gerar riqueza gera-se antes destruição natural.

O futuro da vida – e especialmente, da vida humana – na Terra, dependerá do rumo que se der hoje à economia. Se nosso objetivo maior for pela continuidade da vida de nossa espécie devemos seguir o receituário defendido por Georgescu-Rogen: "(…) um dia a humanidade terá de compatibilizar desenvolvimento com retração econômica". Caso contrário, pereceremos.

Fonte: Pravda.ru / Artigo de Marcus Eduardo de Oliveira, economista, especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre pela (USP).

Curitiba é a primeira cidade do país a produzir ônibus elétrico

onibus eletricoA capital do Paraná, Curitiba, foi pioneira no país na produção de ônibus elétricos para transporte coletivo. No município já estão em operação 30 veículos hibribus, ônibus movidos por dois motores, um deles abastecido por energia elétrica e outro, por biodiesel. Esse é o primeiro ônibus híbrido produzido pela Volvo no Brasil, por encomenda da prefeitura de Curitiba. O investimento, porém, foi feito pelas empresas privadas do setor de transporte urbano.

A operação desses veículos começou em setembro do ano passado em linhas alimentadoras, que têm muitas paradas. Segundo informou à Agência Brasil a assessoria da empresa Urbs-Urbanização de Curitiba, responsável pelas ações estratégicas de planejamento, operação e fiscalização que envolvem o serviço de transporte público na capital paranaense, o ônibus híbrido é mais eficiente quanto maior for o número de paradas, porque a cada frenagem ele recarrega a bateria.

Além de ser menos poluente, o ônibus elétrico é silencioso, porque o motor elétrico é usado no arranque, etapa que provoca mais barulho nos ônibus convencionais. O silêncio é uma das vantagens que o ônibus elétrico apresenta em relação aos veículos convencionais, além do conforto que oferece ao motorista e aos passageiros, ressaltou o condutor José Osnir, da Auto Viação Marechal, que dirige um desses ônibus. “É bem melhor que os outros ônibus (convencionais) porque o sistema de câmbio é automatizado. É silencioso e confortável. Cansa menos. E o pessoal (passageiros) está gostando”, disse à Agência Brasil.

O motor a biodiesel entra em funcionamento em velocidades superiores a 20 quilômetros por hora, e é desligado quando o veículo está parado. O ônibus consome 35% menos combustível e mostra redução de 35% na emissão de gás carbônico, em relação a veículos com motores Euro 3 (norma europeia para controle da poluição emitida por veículos motores). Oferece também redução de 80% de óxido de nitrogênio (NOx) e de 89% de material particulado (fumaça).

O hibribus foi lançado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho de 2012 no Rio. Atualmente, os 30 ônibus híbridos percorrem cinco linhas, uma circular e quatro convencionais, bairro a bairro, que cortam toda a cidade. Essas linhas juntas transportam cerca de 20 mil passageiros/dia. Os ônibus elétricos têm capacidade para 85 passageiros cada.

Fonte: Agência Brasil

Projeto quer reciclar 25 milhões de litros de óleo de cozinha até a Copa do Mundo de 2014

oleodecozinhaAté a Copa do Mundo de 2014, 25 milhões de litros de óleo de cozinha usados devem ser reciclados e transformados em biodiesel por meio do Bioplanet. Lançado no Rio de Janeiro, o Bioplanet é um dos 96 projetos de promoção do Brasil na Copa apoiados pelo governo federal.

Como cada litro do óleo de cozinha gera um litro de biodiesel, a intenção é produzir, nos 15 meses que faltam para o início do Mundial, 25 milhões de litros de biodiesel. Para chegar ao combustível usado pelos veículos, o biodiesel é adicionado ao óleo diesel derivado do petróleo. Com isso, é possível produzir 125 milhões de litros de combustível B20 (diesel que tem 20% de biodiesel em sua composição).

Segundo o coordenador do Bioplanet, Vinícius Puhl, o combustível que será produzido em 40 cidades, sendo 12 cidades-sede da Copa, já começará a ser comercializado. Mas há a intenção também de usar o combustível produzido pelo projeto nos ônibus que transportarão as delegações das 32 seleções nacionais.

“Um litro de óleo usado contamina 25 mil litros de água. Hoje, dados da Casa Civil da Presidência da República informam que há um descarte inadequado, por 50 milhões de residências e pequenos estabelecimentos, de um volume de 1,5 bilhão de litros de óleo de cozinha. É um volume jogado no ralo da pia que vai parar nos nossos mananciais de água e no oceano”, disse Puhl.

O projeto espera coletar o óleo com a ajuda de 3 milhões de estudantes de todo o Brasil, que ganharão brindes de suas escolas, de acordo com o volume de óleo arrecadado, e de catadores de material reciclável. A ideia é envolver 10 mil catadores, que poderão ganhar até R$ 1 por litro de óleo de cozinha entregue ao Bioplanet.

“Existe a perspectiva de se ter um mercado, uma cadeia produtiva envolvendo a reciclagem do óleo de fritura. Mas além da questão financeira e econômica, há a questão da educação ambiental. A dona de casa que descarta o óleo na pia da cozinha não sabe o prejuízo que está causando ao meio ambiente. Além disso, o biodiesel polui menos também”, afirma o diretor de Diálogos Sociais da Secretaria-Geral da Presidência da República, Fernando Matos.

O Plano de Promoção do Brasil para Copa, do governo federal, pretende usar o Mundial como vitrine para mostrar uma imagem positiva do país. Além da estratégia de comunicação feita pelo próprio governo, o plano apoia 96 iniciativas não governamentais.

Fonte: Agência Brasil

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