Entenda como funciona a certificação orgânica no Brasil e como fazer para obter o Selo

certificação organica brasil

A busca por segurança alimentar, saúde e bem-estar tem sido cada vez maior entre a população mundial, uma tendência que influencia o agronegócio. O Brasil está se consolidando como um grande produtor e exportador de alimentos orgânicos, com mais de 15 mil propriedades certificadas e em processo de transição – 75% pertencentes a agricultores familiares.

Segundo a coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), Sylvia Wachsner, a venda de produtos orgânicos tem crescido, em média, 20% ao ano, o que faz dos alimentos orgânicos uma oportunidade para os produtores de pequenas propriedades rurais.

O que é agricultura orgânica?

A agricultura orgânica enfatiza o uso e a prática de manejo sem o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade e agrotóxicos, além de reguladores de crescimento e aditivos sintéticos para a alimentação animal.

Esta prática agrícola preocupa-se com a saúde dos seres humanos, dos animais e das plantas, entendendo que seres humanos saudáveis são frutos de solos equilibrados e biologicamente ativos, adotando técnicas integradoras e apostando na diversidade de culturas.

Para tanto, apoia-se em quatro fundamentos básicos:

  • Respeito à natureza: reconhecimento da dependência de recursos naturais não renováveis;
  • A diversificação de culturas: leva ao desenvolvimento de inimigos naturais, sendo item chave para a obtenção de sustentabilidade;
  • O solo é um organismo vivo: o manejo do solo propicia oferta constante de matéria orgânica (adubos verdes, cobertura morta e composto orgânico), resultando em fertilidade do solo;
  • Independência dos sistemas de produção: ao substituir insumos tecnológicos e agroindustriais.

Como funciona no Brasil?

A agricultura orgânica foi regulamentada no Brasil a partir da Lei no. 10831/2003, a qual define sistema orgânico de produção agropecuária como:

“aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente.”

Somente em 2007 as regras de certificação e fiscalização dos orgânicos foram estabelecidas através do Decreto no. 6323/2007.

Como identificar um produto orgânico?

Desde 2011, todos os produtos orgânicos vendidos em estabelecimentos comerciais precisam ser identificados por um Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg) ou, no caso de feiras livres, por uma Declaração de Cadastro no Ministério da Agricultura (MAPA). Este é o certificado de que o produto está em conformidade com as exigências da legislação brasileira.

Tanto a certificação por auditoria quanto o sistema participativo recebem o selo de produto orgânico. Entenda a diferença entre os dois selos:

Certificação por auditoria: uma empresa certificadora credenciada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) avalia, por meio de auditoria, se os produtos respeitaram os regulamentos técnicos dos orgânicos, desde o plantio até chegarem ao consumidor final. Visitas periódicas são feitas ao agricultor após a certificação inicial, para verificar o cumprimento das normas. Ao Ministério cabe a fiscalização do trabalho das certificadoras.

Exemplos de empresas certificadoras credenciadas pelo MAPA:


Sistema participativo de garantia: são grupos formados por agricultores, consumidores, comerciantes e/ou organizações públicas ou privadas que atuam na rede de produção orgânica. Este grupo é chamado de Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade (OPAC) e também precisa estar credenciado junto ao MAPA. É através da auto-certificação que o grupo estabelece a garantia necessária para que a comercialização dos produtos orgânicos aconteça.

Exemplo de Organismos Participativos de Avaliação de Conformidade (Sistemas Participativos):

Os produtos orgânicos vendidos nas feiras livres não possuem selo de orgânico. Para conseguir uma declaração de conformidade orgânica, os agricultores familiares precisam se vincular à uma Organização de Controle Social (OCS), mas para isso, a venda deve ser direta entre o agricultor e o consumidor final. A OCS deve estar cadastrada no MAPA ou em outro órgão fiscalizador conveniado. Desta forma, o feirante terá em mãos um documento que comprova a qualidade e a veracidade de sua produção.

Para vendas a granel, os estabelecimentos devem identificar o nome do fornecedor no local de exposição de todos os produtos orgânicos.

Restaurantes, lanchonetes e hotéis que servem pratos orgânicos ou com ingredientes orgânicos devem manter listas dos ingredientes orgânicos e fornecedores à disposição dos consumidores e da fiscalização.

Como obter a certificação?

Quem vai dar a garantia e dizer se o produto pode levar o selo ou não são as instituições certificadoras, responsáveis pela avaliação, acompanhamento e fiscalização da produção. As certificadoras devem estar credenciadas no MAPA.

Conheça algumas certificadoras:

IBD

A produção orgânica certificada pelo IBD inclui projetos agrícolas, produção de insumos, industrialização de alimentos, pecuária de corte, piscicultura, silvicultura, entre outros. Entre seus clientes figuram tanto grandes produtores e exportadores de produtos agrícolas quanto um número cada vez maior de médios e pequenos agricultores, algumas comunidades indígenas e um quilombo.

A certificação IBD tem credibilidade internacional e é monitorada por instituições como a IFOAM (International Federation of Organic Agriculture Movements), da Inglaterra; DAR, da Alemanha; USDA, dos Estados Unidos; JAS, do Japão e DEMETER International. Além disso, concede a certificação do padrão EUREPGAP (frutas, hortaliças e animais para produção de carne)

EcoSoscial

O selo EcoSocial é uma identificação complementar aos padrões orgânicos IBD. Criado com o objetivo de conferir um certificado adicional aos projetos orgânicos e biodinâmicos que desenvolvem programas de responsabilidade social e ambiental, a certificação EcoSocial promove o monitoramento de ações no campo, assim como a verificação de aspectos sócio-ambientais em conformidade com os princípios do “Fair Trade” e a inspeção adicional ou em conjunto com a inspeção orgânica.

Demeter

Demeter é uma marca que identifica, mundialmente, os produtos biodinâmicos. Os produtos Demeter fazem parte de uma rede ecológica internacional ligada ao Demeter International, sediado na Alemanha.

Abio

A ABIO integra a Rede Agroecologia Rio, Colegiado Estadual de Produtos Orgânicos do Estado do Rio de Janeiro, Colegiado Nacional de Produtos Orgânicos, Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável – CEDRS e a Câmara Setorial de Agricultura Orgânica, e tem como objetivo unir os esforços de entidades de governo e de organizações não-governamentais na geração e na disseminação de tecnologias para a agricultura orgânica.

Ecocert

O critério básico para receber o selo é um mínimo de 95% de ingredientes orgânicos nos alimentos processados, já para ser garantido como um cosmético orgânico, o produto deve ter ao menos 95% de ingredientes vegetais e 95% destes ingredientes devem ser orgânicos certificados – no caso de cosméticos naturais, 50% dos insumos vegetais devem ser orgânicos. A certificação também pondera o comércio justo, o bem estar animal e a responsabilidade da empresa com o social e o meio ambiente.

OIA

A implementação de mecanismos de inspeção e auditoria da Organização Internacional Agropecuária (OIA) baseia-se na avaliação do cumprimento do sistema de produção em cada uma das etapas do processo até que o produto chegue às mãos do consumidor. Por isso, o produto é certificado e identificado com o Selo OIA que indica que foram respeitadas as normas e/ou sistemas de produção pelos quais foi certificado, e respalda o produtor, processador e comercializador diante dos olhos do consumidor oferecendo-lhe confiança e autenticidade a seus produtos.

Compra de produtos orgânicos importados

Os produtos orgânicos importados só poderão ser comercializados no país se atenderem a regulamentação brasileira, não bastando a certificação no país de origem do produto. O exportador deve possuir certificação de conformidade orgânica concedida pelo MAPA ou ser proveniente de país que possua acordo de equivalência ou de reconhecimento mútuo de conformidade orgânica com o Brasil.

Fonte: http://sustentabilidade.sebrae.com.br

América Latina e Caribe propõem medidas para erradicar a fome na região até 2025

 

Frutas jogadas no lixo no Brasil. Foto: Flickr/Núcleo Editorial/Katia Mello (CC)

Frutas jogadas no lixo no Brasil. Foto: Flickr/Núcleo Editorial/Katia Mello (CC)

As milhares de toneladas de alimentos perdidos e desperdiçados a cada ano na região da América Latina e Caribe é um dos problemas que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) pretende abordar no seu plano para erradicar a fome, destacou nesta segunda-feira (25/05) a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO).

“A América Latina e o Caribe respondem por 6% dos alimentos que se perdem e são desperdiçados em nível mundial a cada ano, número que bastaria para alimentar quase dez vezes o total de pessoas que passam fome na região”, explicou o representante regional da FAO, Raúl Benitez.

Segundo o relatório da FAO que fala sobre desperdício de alimentos, no México se perde em média 37% dos alimentos com os quais poderiam alimentar mais de 7 milhões de pessoas.

“A boa notícia é que tanto a CELAC quanto os países, as organizações privadas e os consumidores estão reagindo a esse fenômeno”, disse Benitez, destacando que só em 2013 a Rede Global de Banco de Alimentos recuperou 190 mil toneladas de alimentos na região, que foram distribuídos a mais de 12 mil organizações em 15 países.

Segundo a FAO, a CELAC assumiu a meta de acabar com a fome na região até 2025, e através do seu Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Combate à Fome, está impulsionando uma série de medidas para recuperar alimentos e evitar que acabem no lixo.

Fonte: nacoesunidas.org/


Cientistas buscam conciliar agricultura e sustentabilidade para garantir a seguranca alimentar

seguranca alimentarUm grupo de 25 cientistas do mundo inteiro terá dois anos para fazer pesquisas e relatar experiências concretas que conciliem a produção agropecuária sustentável para garantir a segurança alimentar mundial. A iniciativa, lançada em 12/07 no Rio, pretende unir pesquisadores, governos e empresas em torno do bem comum. De acordo com Emile Frison, diretor-geral da Bioversity Internacional, organização de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Roma, que lidera o projeto, a novidade da Agriculture and Conservation Initiative é a união entre pesquisadores de sustentabilidade e dos setores produtivos para buscar soluções integradas.

“O próximo passo é fazer realmente os cientistas trabalharem juntos. Nós temos essa organização de alto nível que pode fornecer importantes políticas de volta. Mas nós precisamos que esses cientistas construam evidências científicas. Eles devem tentar congregar tudo que nós sabemos sobre iniciativas que funcionam para diferentes paradigmas de agricultura”, disse.

O presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Israel Klabin, que participou do evento, declarou que o Brasil tem papel de liderança nessa área, pois o país “é a capital mundial do capital natural”, com todos os recursos naturais na maior plenitude e tem trabalhado com realismo na questão. Para Klabin, é importante que o setor produtivo não deixe de lado a questão ambiental e caminhe para uma economia sustentável.

“Nós estamos vivendo um momento de crise em todos os setores do planeta. Na verdade os sistemas de produção estão indo relativamente bem, mas a inserção deles na realidade planetária e no excesso de uso do capital natural, faz com que nós procuremos uma regulagem entre produção e meio ambiente, o que se trata aqui é exatamente isso, como é que nós podemos continuar a produzir e ao mesmo tempo respeitar os limites que a natureza nos oferece, para que nós possamos fazer com que os bens naturais herdados do passado possam ser passados para os nossos filhos da mesma maneira que nós recebemos”.

O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, destacou que o Brasil avançou muito nessa área nos últimos 40 anos, com a criação de instituições de pesquisa e legislação. De acordo com ele, o país superou o problema da insegurança alimentar e passou de importador para provedor de alimentos, transformou grandes áreas de solo ácido em férteis, desenvolveu um conceito próprio de agricultura tropical e construiu uma plataforma de práticas sustentáveis.

“Nós temos hoje mais de 30 milhões de hectares de áreas de plantio direto, onde não mais revolve o solo, o que ajuda a resolver os problemas de erosão, de desgaste do solo, perdas de nutriente. O Brasil é líder em fixação biológica de nitrogênio, toda a soja brasileira é cultivada sem a aplicação de nitrogênio na forma química. E nós estamos promovendo agora uma outra grande revolução na agricultura brasileira, que é a integração de sistemas: lavoura-pecuária, lavoura-pecuária-floresta, tudo combinado, que vai nos permitir um crescimento vertical da produção brasileira”, disse.

Fonte: Agência Brasil

Tomate ecológico é destaque entre projetos desenvolvidos pela Embrapa Solos

tomate ecologicoUma pesquisa recente da Embrapa Solos está ganhando evidência este ano, quando se comemoram os 40 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Trata-se do tomate ecológico.

Os pesquisadores desenvolveram um modo de plantar o tomate, envolvendo diversas técnicas que diminuem o impacto do uso de pesticidas. “E nós controlamos a quantidade do fruto, por análise de laboratório, com apoio da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), com relação ao teor desses pesticidas no tomate”, disse à Agência Brasil o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Solos, Daniel Perez.

Essa técnica já vem sendo divulgada e transferida aos produtores do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, São Paulo, Goiás. “Porque é um diferencial tecnológico que dá um preço melhor para o produtor do tomate. Você tem um tomate com uma característica de segurança alimentar muito maior”.

A Embrapa Solos está em processo de certificação da qualidade desse material a fim de que o produtor que trabalhe com a técnica possa ter um diferencial de mercado.

Outro trabalho de destaque da unidade da Embrapa Solos baseada no Rio de Janeiro está relacionada a serviços ambientais. Um grupo da empresa está trabalhando nos municípios de Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim e Bom Jardim, localizados respectivamente na região metropolitana, na região das baixadas e no centro do estado, buscando indicadores que permitam valorar a terra no sentido da conservação da água e do solo.

“Isso visa a dar suporte às prefeituras, principalmente na identificação daqueles produtores que protegem o meio ambiente, como uma forma também de incentivá-los a continuar fazendo isso”, comentou Perez.

Ele salientou que embora esteja baseada no Rio de Janeiro, a Embrapa Solos desenvolve pesquisas que são voltadas para todo o país. Um dos projetos que tem impacto nacional elevado está ligado à questão dos insumos alternativos. O pesquisador destacou que a partir de 2007, ocorreu uma crise na área de fertilizantes no Brasil, devido ao alto custo que apresentam. Boa parte dos fertilizantes usados no território é importada. “Nós não temos capacidade de produção. Um exemplo clássico é o potássio. O Brasil importa praticamente 95% do potássio que consome. E as fontes naturais estão acabando”.

Por isso, a empresa está buscando alternativas que sejam fontes desses nutrientes, mas que permitam também mudar a forma como o fertilizante libera esse nutriente para a planta, que hoje ocorre de maneira imediata, como a grande maioria dos fertilizantes convencionais. Daniel Perez explicou que a Embrapa Solos trabalha em pesquisas que envolvem, inclusive, nanotecnologia, para que o fertilizante tenha capacidade de liberar os nutrientes ao longo do tempo. Isso beneficia o meio ambiente e melhora também a eficiência do próprio elemento para a nutrição da planta.

Hoje, a Embrapa Solos já tem produtos desenvolvidos que vão da porta da fazenda até a indústria. Um deles utiliza cama de aves (resíduo gerado da criação de frangos de corte em granjas) e dejetos de suínos. “As grandes granjas, hoje, já têm como pegar esse material e processá-lo industrialmente, de forma a obter um fertilizante de alta qualidade e ‘performance’ e que pode ser utilizado pelos produtores da região. Eu posso dizer que esse é um produto que já está acabado e vai de uma ponta a outra do agronegócio”.

A Embrapa é constituída por 47 unidades descentralizadas de pesquisa e serviço, além de 15 unidades centrais. Ela reúne 9.795 empregados, sendo 2.427 pesquisadores, dos quais 81% têm doutorado. A empresa desenvolve atualmente, na área externa, 100 projetos de cooperação técnica com 27 países.

Fonte: Agência Brasil

Ano Internacional da Quinoa pode diminuir insegurança alimentar e transformar a dieta mundial

    QuinoaA quinoa, um tipo de grão altamente nutritivo que entrou recentemente no cardápio de grandes chefs em todo o mundo, tem sido uma parte importante da alimentação durante séculos na América do Sul, entre as comunidades pré-colombianas agrícolas andinas da Colômbia ao Equador. Na verdade, a maioria da quinoa do mundo é cultivada no altiplano, que abrange o Peru e a Bolívia.

    Em 2012 o presidente da Bolívia, Evo Morales, foi nomeado embaixador especial para o Ano Internacional da Quinoa pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A quinoa foi levada para os holofotes da ONU pelo presidente Morales — ele próprio um ex-agricultor do grão — que foi a nova Nova York para o lançamento do Ano, juntamente com a primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, que promove a dieta tradicional andina para combater a desnutrição infantil.

    Ao declarar 2013 o “Ano Internacional da Quinoa”, as Nações Unidas esperam popularizar uma semente de suporte à vida que pode ajudar a promover a segurança alimentar e a erradicação da pobreza, acabar com a desnutrição e estimular a biodiversidade em apoio à realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). É também uma forma de um reconhecimento aos povos indígenas que preservaram a quinoa através do conhecimento e práticas tradicionais passadas através dos tempos.

    “Nós queremos que o mundo a conheça”, disse Alan Bojanic, vice-representante de Escritório Regional da FAO para América Latina e Caribe, admitindo que algumas pessoas questionam a decisão de dar à quinoa um ano próprio.

    plantacao quinoaNa Resolução 66/221, a Assembleia Geral da ONU declarou o Ano Internacional da Quinoa em reconhecimento aos povos indígenas andinos “que conseguiram preservar a quinoa em seu estado natural como alimento para as gerações presentes e futuras, através de práticas ancestrais de viver em harmonia com a Natureza”. Por isso, o tema deste ano: “Um futuro semeado há milhares de anos”.

    A quinoa não é exatamente um grão, nem um vegetal. É um ‘pseudo’ cereal, parte do gênero Chenopodium e relacionado com a beterraba e o espinafre. As sementes de quinoa são isentas de glúten e têm todos os aminoácidos essenciais, oligoelementos e vitaminas necessários para a sobrevivência. Devido ao seu alto valor nutricional, os povos indígenas e pesquisadores o chamam de “o grão de ouro dos Andes”.

    Lâmpada Saiba tudo sobre o Ano Internacional da Quinoa:

  • www.quinuainternacional.org.bo
  • www.fao.org/quinoa-2013

Fonte: onu.org.br

A Quinoa (Chenopodium quinoa Willd.; Amaranthaceae) é uma planta nativa da Colômbia, Peru e Chile, que produz um grão considerado muito importante à alimentação e à vida do homem no altiplano andino. Originária das alturas dos Andes e conservada por quechuas e aymarás, com suas 3.120 variedades.

Após a invasão espanhola, os alimentos autóctones, como a quinoa, o amaranto e a maca, caíram paulatinamente em desuso e foram substituídos pelos grãos consumidos na Europa, como o trigo e a cevada.

Fonte: wikipedia

Fogao ecologico Kaiowa-Guarani: indigenas usam fogao ecologico como tecnologia social

fogao agroecologicoAinda não havia amanhecido na aldeia e Delma Gonçalves, 41, já caminhava há duas horas até o local em que os indígenas costumam recolher lenha. O caminho de volta, no entanto, era o mais penoso: sob o sol forte, tinha de carregar nas costas um feixe de 20 quilos de madeira. Dona Delma é uma das indígenas Guarani-Kaiowá da aldeia de Panambizinho, a 250 km da capital Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Durante anos, três vezes por semana, essa foi sua rotina matinal. “Tinha muitas dores na coluna. Eu chegava tão cansada que mal dava conta de cozinhar”, conta Delma. O fogo para fazer o almoço era feito no chão, de modo precário, com algumas latas para tapar o vento e uma resistência de geladeira improvisada como grelha.

Além de aumentar as dores na coluna, o fogo improvisado produzia muita fumaça, prejudicando a saúde dos moradores, principalmente das crianças, que sofriam com doenças respiratórias e tinham agravados casos de pneumonia, bronquite, sinusite e asma. Há alguns meses, a construção de fogões à lenha ecológicos de alta eficiência energética tem ajudado a mudar a realidade da família de Delma e de outras dezenas de famílias indígenas na aldeia de Panambizinho.

Desenvolvida por ONGs parceiras em um outro projeto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre eficiência e sustentabilidade energética na Caatinga, a tecnologia social para a construção do fogão ecológico está sendo adaptada à realidade indígena do Cerrado sul-mato-grossense. Ao contrário dos fogões à lenha tradicionais, que levam cimento e ferro na construção, o fogão ecológico utiliza apenas materiais de baixo custo e que podem ser encontrados na própria região como areia, argila, barro e tijolos de barro.

Esta iniciativa do PNUD faz parte de um programa conjunto com outras agências da ONU cujo objetivo é promover a segurança alimentar e nutricional de mulheres e crianças indígenas no Brasil. Ao todo, o projeto beneficia, direta e indiretamente, cerca de 53 mil indígenas no país. A tecnologia é considerada modelo de sustentabilidade e a intenção é que ela seja usada em outros projetos semelhantes ao redor do mundo. “O intercâmbio de boas práticas é um dos principais objetivos do Programa”, conta Carlos Castro, Coordenador da Unidade de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do PNUD Brasil.

Conheça a história do fogão ecológico contada a partir da perspectiva dos próprios indígenas. O vídeo foi inteiramente produzido pela Associação Cultural de Realizadores Indígenas (ASCURI), como parte de uma iniciativa do PNUD que trabalha a inclusão digital nas aldeias.  Película Assista no Youtube

fogao ecologicoOs materiais, aliados ao desenho mais estreito da cavidade para a lenha, funcionam como isolantes térmicos naturais, ajudando a reter o calor por mais tempo. A placa de argila que fica em contato com o fogo evita o desperdício de energia, conduzindo calor de forma contínua e prolongada. Como as placas se mantêm quentes por até 5 horas, mesmo depois de extinto o fogo, é possível cozinhar alimentos mais duros sem uma supervisão constante. “Antes não comia feijão. Agora como”, lembra Delma.

A saúde dos moradores também agradece, especialmente a das crianças. Além de mais nutridas, elas apresentam menos doenças respiratórias com a eliminação da fumaça nociva dentro de casa. Com o fogão ecológico, estes gases agora são levados pelo vento através das chaminés. Para o meio ambiente, os impactos são igualmente positivos. “O uso de lenha traz outras duas vantagens: independência dos fornecedores de gás e a não produção de gás de efeito estufa”, diz Castro.

Para os Kaiowás, o fogo tem um significado espiritual: é sinônimo de purificação. Em geral, ele é controlado pelas mulheres, que abraçam a responsabilidade de unir e alimentar a família. É ao redor deste fogo, agora sustentável e saudável, que dona Delma e outras mulheres indígenas de Panambizinho alimentam não apenas as necessidades físicas de suas famílias, mas também uma tradição milenar.

Fonte: PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

1/5 da população do Haiti afetada pelo furacão Sandy, 350 mil vivem em acampamentos desde terremoto de 2010

Haiti sofre com inundações pós-Sandy

Cerca de 1,8 milhão de haitianos – quase um quinto da população do país caribenho – foram afetados pelo furacão Sandy, disse na sexta-feira (2) a agência de coordenação humanitária das Nações Unidas, após sua primeira avaliação da situação na região, acrescentando que a segurança alimentar continua a ser uma preocupação urgente no país caribenho.

Os dados iniciais coletados pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) mostrou que o furacão Sandy, que passou pelo Caribe antes de atingir a costa leste dos Estados Unidos, matou 60 pessoas e danificou significativamente infraestruturas críticas, tais como estradas, escolas e hospitais, além de destruir milhares de casas.

“As enchentes recuaram desde domingo, mas mais de 18 mil casas foram inundadas, danificadas ou destruídas”, disse um porta-voz da OCHA, Jens Laerke, a jornalistas em Genebra, acrescentando que a segurança alimentar continua a ser uma das principais preocupações contra a qual o país está agora lutando, após a combinação do impacto dos furacões Sandy e Isaac – este último de agosto – e a recente seca. Dados preliminares apontam que a insegurança alimentar atinja agora, Laerke disse, até duas milhões de pessoas.

Além disso, o OCHA afirmou que está preocupado com as quase 350 mil pessoas que ainda estão vivendo em acampamentos para pessoas deslocadas internamente, como resultado de um terremoto devastador que atingiu o país em janeiro de 2010. O funcionário da ONU observou que, embora a maioria dos deslocados internos vulneráveis que foram evacuados dos campos antes da tempestade tenham voltado, cerca de 1.500 pessoas permanecem em 15 abrigos contra os furacões.

Devido ao impacto do furacão, o OCHA afirmou que está considerando uma revisão de emergência do Apelo Consolidado (CAP, na sigla em inglês) para acomodar as necessidades crescentes.

Durante a mesma coletiva de imprensa, um porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o acesso a serviços de saúde e reabastecimento de suprimentos foi limitado, dado que os rios se tornaram intransitáveis e as estradas foram obstruídas. Ele também alertou que as más condições sanitárias podem aumentar o risco de doenças transmitidas pela água, como o cólera, ainda endêmica no país.

O porta-voz da OMS disse que já ocorreu um aumento nos alertas de cólera, especialmente no sul, e acrescentou que as equipes de campo estão monitorando a situação de perto. A OMS está também trabalhando com o Governo no setor para garantir que os suprimentos de saúde possam ser entregues aos centros de tratamento que haviam sido danificados por fortes ventos e inundações, acrescentou.

Fonte: onu.org.br

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