Energia eólica e os desafios socioambientais

parque eolicoA partir de 2007, ano a ano, o crescimento da geração eólica no país chama a atenção. Se há nove anos a potencia instalada era de 667 MW, em 2015 chegou a 8.120 MW, ou seja, um aumento de 12 vezes. Verifica-se também que vários municípios brasileiros sofreram mudanças radicais com alterações bruscas em suas paisagens e no modo de vida de suas populações. Essas mudanças representam o início de um novo ciclo de exploração econômica, o chamado “negócio dos ventos”.

Várias são as razões que tem atraído estes empreendimentos a nosso país. Além da crise econômica mundial de 2008 que provocou uma capacidade ociosa na Europa, e assim equipamentos chegaram até nós com preço vantajosos; sem dúvida a “qualidade dos ventos”, em particular na região Nordeste é outro grande atrativo. E é neste território, onde hoje se concentra 75% de toda potencia eólica instalada no país.

Determinados Estados criaram políticas próprias de incentivo à energia eólica, com Isenções fiscais e tributárias, concessão de subsídios, flexibilização da legislação ambiental (p. ex. Pernambuco aboliu os estudos ambientais EIA/RIMA). Associados aos financiamentos de longo prazo do BNDES (e mais recentemente da Caixa Econômica Federal), e ao preço irrisório da terra, estas tem sido as razões principais para atrair os empreendedores. É o resultado da combinação destes fatores que possibilita que a energia eólica ofereça preços imbatíveis nos leilões realizados pela Aneel. Tornando assim à segunda fonte energética mais barata. Esta situação esconde o fato dos custos ambientais e sociais decorrentes da implantação dos complexos eólicos serem altos, embora não sejam contabilizados nos “custos” da geração, pois não são pagos pelos empreendedores, e, sim, por toda a sociedade.

Ao mesmo tempo em que esta atividade econômica teve uma rápida expansão, gerou impactos, conflitos e injustiças socioambientais. São visíveis os impactos provocados por esta fonte renovável, chamada por muitos de energia limpa. Define-se por energia limpa aquela que não libera, durante seu processo de produção, resíduos ou gases poluentes geradores do efeito estufa e do aquecimento global. Ou ainda, que apresenta um impacto menor sobre o ambiente do que as fontes convencionais, como aquelas geradas pelos combustíveis.

Todavia nas “definições” de energia limpa não são levadas em conta as questões sociais e mesmo ambientais causados pela produção industrial da eletricidade eólica que necessita de grandes áreas, e um volume considerável de água, devido ao alto consumo de concreto para a construção das bases de sustentação das turbinas. Impactos sobre o uso de terras é quantificado pela área ocupada, sendo que em geral, as turbinas eólicas ocupam 6 a 8 ha/MW, a um custo médio de R$ 4,5 milhões/MW. Sem duvida, poderia ser argumentado que estas áreas sejam compartilhadas, como ocorrem em outras partes do planeta, ou seja, utilizada concomitantemente para outros propósitos, como agricultura, criação de pequenos animais, …. Mas isto não vem acontecendo.

Logo, o modelo adotado de implantação dessa atividade econômica no Brasil é em si, causador de inúmeros problemas ao meio ambiente e as pessoas. Os parques eólicos têm deixado profundos rastros de destruição na vida das comunidades atingidas (exemplos não faltam). Não somente com a instalação dos aerogeradores, mas desde a obtenção do terreno (pela compra, ou pelo arrendamento), sua preparação (desmatamento, terraplanagem, compactação, abertura de estradas de acesso dos equipamentos), a construção das linhas de transmissão. Destrói territórios, desconstitui atividades produtivas e desestrutura modos de vida de subsistência.

Tem agravado a situação a velocidade em que os parques eólicos estão sendo instalados, sem o devido acompanhamento e fiscalização, sem que requisitos socioambientais sejam atendidos e cumpridos.

Na questão da terra necessária para produzir energia em larga escala, os empreendedores vão comprando, ou arrendando as terras da população local. São na verdade desapropriações feitas pela iniciativa privada como parte de estratégias agressivas para implantação dos complexos eólicos, que acabam inviabilizando a sobrevivências de outras atividades econômicas locais, como a pesca artesanal, a cata de mariscos, a agricultura familiar, a criação de animais, …. Assim comunidades inteiras são afetadas na sua relação com o território e muito pouco, ou quase nada recebem em troca.

Várias situações marcaram e ainda marcam a presença de empresas eólicas. O discurso do ambientalmente correto esconde práticas socialmente injustas das empresas do grande capital, evidenciadas cada vez mais com o passar do tempo. Para implantação dos parques e complexos as empresas utilizam de diferentes expedientes como a celebração de contratos draconianos com proprietários e posseiros, a compra de grandes extensões de terras, a apropriação indevida de áreas com características de terras devolutas e de uso coletivo.

Os contratos celebrados põem em dúvida os princípios de lisura e transparência da parte das empresas. Os trabalhadores se sentem pressionados a assinarem os contratos sendo proibidos de analisarem o conteúdo de maneira independente, sempre induzidos por algum funcionário das empresas.

energia eolicaQuem continua a viver nessas regiões quase sempre enfrenta a impossibilidade de continuar a produção local, de manter seu modo de subsistência. A atividade eólica, tanto costeira ou interiorizada acaba com as condições de sobrevivência no lugar e em seu entorno, gerando poucos empregos de qualidade para os moradores da região, e deixando lucros bem limitados. Tudo isso depois da euforia da etapa de instalação dos equipamentos, com as obras civis, que acabam atraindo por tempo determinado, trabalhadores locais e de outras regiões. Depois das obras concluídas vem à rebordosa, com as demissões. Assim tem acontecido. Cria-se a ilusão de prosperidade com o apoio da propaganda enganosa. O discurso da geração de renda e emprego faz parte da estratégia.

Com relação à agressão ambiental têm sido atingidas áreas costeiras com a destruição de manguezais, restingas, remoção de dunas, provocando efeitos devastadores para pescadores, marisqueiras, ribeirinhos. Tais situações tem sido constatadas no Ceará e Rio Grande do Norte.

Em estados como Bahia, Piauí e Pernambuco a exploração desta atividade ocorre no interior, em áreas montanhosas, de grande altitude, no ecossistema Caatinga e Mata Atlântica (ou o que sobrou dela). E também nos brejos de altitude, existente em Pernambuco e na Paraíba, verdadeiras ilhas de vegetação úmida em meio ao ecossistema seco da Caatinga, onde a vegetação existente são resquícios da Mata Atlântica primária, proliferando mananciais de água que formam os riachos abastecedores de bacias hidrográficas. Portanto são áreas onde se deveriam incentivar a conservação, preservação e a recuperação destes ecossistemas naturais, dos seus mananciais e cursos de água.

Todavia, o movimento das administrações municipais, estaduais e federal caminha em sentido contrário ao de proteger estes santuários da vida. Além da omissão e conivência incentivam e promovem o desmatamento de áreas de proteção permanente em nome do “desenvolvimento econômico”, da geração de emprego e renda, justificando a destruição ambiental e a vida das populações nativas em nome do interesse público (?).

A produção de energia elétrica a partir dos ventos hoje é uma atividade econômica, cujo modelo de exploração implantado, causa inúmeros problemas afetando diretamente a qualidade de vida das pessoas. Contribuindo mais e mais para ampliar um fenômeno que já atinge uma parte importante do território nordestino a desertificação. A produção de energia eólica é necessária, desde que preserve as funções e os serviços dos complexos sistemas naturais que combatem as consequências previstas pelo aquecimento global. Mas também se preserve as populações locais e seus modos de vida.

Afinal a quem serve este modelo de implantação em que o estado cooptado se omite e não fiscaliza? O que se constata são aspectos negativos que poderiam ser evitados, desde que houvesse o interesse e uma maior preocupação dos governantes quanto aos métodos e procedimentos, uma avaliação mais rigorosa dos licenciamentos que levasse em conta a análise de alternativas locacionais e tecnológicas, assim minimizando os impactos desta fonte energética.

Logo, não se pode considerar, levando em conta como estão sendo implantados os atuais projetos eólicos, nem que sejam socialmente responsáveis e nem que sejam ambientalmente sustentáveis. Longe disso.

Texto: Heitor Scalambrini CostaProfessor da Universidade Federal de Pernambuco / Fonte: consciência.net

Com apoio do IPT, GM reaproveita resíduos da demolição de unidade antiga para utilização na construção da nova unidade

IPT deu suporte à desconstrução das antigas instalações para reaproveitamento dos resíduos de demolição. Crédito Foto: GM

IPT deu suporte à desconstrução das antigas instalações para reaproveitamento dos resíduos de demolição. Crédito Foto: GM

Em uma parceria inédita entre a General Motors do Brasil e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) foi realizada a desconstrução de 40 mil metros quadrados de edificações, de forma sustentável, na fábrica de São Caetano do Sul (SP). Os seis prédios, construídos há mais de 60 anos, foram cuidadosamente desmontados e os resíduos reciclados na construção de um novo edifício ou reaproveitados.

As madeiras foram pré-classificadas, certificadas e posteriormente vendidas. A empresa não precisou comprar nem retirar do meio ambiente terra das jazidas para aterros, pois tudo foi reutilizado. Por exemplo, colunas e vigas passaram por um processo de separação do material metálico do concreto; em seguida, foram moídas e utilizadas no aterro do terreno e na substituição da pedra britada no concreto novo.

Na manhã de segunda-feira, dia 26 de janeiro, a General Motors do Brasil inaugurou seu Centro Logístico de Recebimento e Sequenciamento de Materiais Produtivos (MASC). As obras duraram cerca de três anos e foram realizadas sem interrupções da produção na unidade durante o período. Tanto a demolição do antigo prédio como a construção do novo MASC foi pautado pela sustentabilidade, segundo a GM. O IPT, que é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, deu todo o suporte à fase de desconstrução, possibilitando que o entulho fosse reciclado e aproveitado na nova própria obra, reduzindo o impacto ambiental. Segundo Padovezi, o trabalho realizado pelo IPT na GM é tipicamente multidisciplinar, ponto forte na atividade da instituição: “Neste trabalho atuaram 25 dos nossos profissionais, de sete áreas técnicas distintas, envolvendo da construção civil a madeiras. O IPT é das poucas instituições de pesquisa no País, senão a única, com capacitação para desenvolver projetos complexos tecnológicas em diversas áreas”.

Fonte: IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP.

Site reúne indicadores dos municípios participantes do Programa Cidades Sustentáveis

cidades sustentaveisUma plataforma criada pelo Programa Cidades Sustentáveis vai reunir dados sobre a situação dos municípios brasileiros. Começaram a ser disponibilizados, na semana passada, 100 indicadores ligados a diversas áreas, como saúde, educação, cultura, meio ambiente e mobilidade. São ao todo 242 prefeituras participantes, sendo que 92 já iniciaram o preenchimento das categorias no site.

Maurício Broinizi, coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis, explica que a sustentabilidade defendida tem conceito abrangente. “Trabalhamos com um conceito de sustentabilidade bastante amplo que não é só ambiental, é a sustentabilidade na educação, na saúde na cultura, na economia, na política, reforçando os instrumentos de democracia”, disse.

O plano, uma inciativa da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Ethos, começou durante a campanha eleitoral do ano passado. Mais de 650 candidatos a prefeito assinaram uma carta de compromisso, na qual asseguravam a participação do município no programa, caso fossem eleitos. Venceram a eleição 200 deles, sendo que 42 prefeitos resolvem aderir ao programa posteriormente. Acesse a plataforma

“Fomos surpreendido pela adesão. A gente estava contando em chegar a 100 municípios. Então, superou a nossa expectativa, porque tem muitos de prefeitos em primeira gestão. Eles se interessaram realmente por uma modernização da gestão pública e tentar fazer dela uma gestão que coloque o município no rumo da sustentabilidade”, disse.

Entre os indicadores, existem alguns vitais, como os ligados à saúde. Um deles traz a proporção de leitos hospitalares disponíveis por mil habitantes, que precisam estar dentro dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há também indicadores sobre mortalidade infantil e materna. “São indicadores bastante tradicionais e que mostram um pouco a situação da saúde pública em cada cidade”, disse.

Na área da cultura, há levantamento sobre acervo de livros por habitante nas bibliotecas. A meta é repeitar a recomendação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que estabelece o mínimo de dois livros por habitante. “A gente coloca isso como uma meta razoável, uma referência de meta indicada pela Unesco, e os municípios têm que calcular e ver o número de livros disponibilizados, tanto para adultos quanto para o público infantojuvenil”, disse ele.

Outro levantamento trata de saneamento básico, medindo o número de domicílios atendido pela coleta de esgoto e quanto rebebe tratamento. “A ideia é medir a evolução da coleta e tratamento de esgoto nas cidades, assim como a evolução de água potável ou tratada para os habitantes”, informou.

Alguns indicadores servem apenas para determinados tipos de cidades. Aquelas de grande porte, por exemplo, precisam medir índice de material particulado no ar, como forma de apurar as condições de poluição.

Broinizi destacou que outros índices ainda apresentam lacunas no site, pois nem todas as cidades tinham os dados dos indicadores disponíveis. “Isso é uma política nova no Brasil, os municípios não tinham essa política de levantar os indicadores, usá-los no planejamento público. Então, tem muito município que está com dificuldade de construir alguns indicadores, precisam de técnicos e integrar sistemas de informações”.

Outra situação é a das cidades que decidiram integrar seus Planos Plurianuais (PPAs), que precisam ser entregues até setembro, ao plano de metas do Programa Cidades Sustentáveis. “É um processo importante de modernização, de racionalização e de reforço da necessidade de planejamento na gestão pública no Brasil”, declarou.

Fonte: ebc.com.br

Brasil passa a ser a sede do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentavel

desenvolvimento sustentavelO Brasil tornou-se hoje (24/06) sede do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, RIO+, espaço de debate e articulação de ações econômicas, sociais e ambientais para promover práticas sustentáveis de desenvolvimento.

O lançamento foi anunciado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e pela vice-diretora mundial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Rebeca Grynspan, durante o seminário internacional “Rio+20: A Implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, no Jardim Botânico.

Izabella Teixeira lembrou que o Rio+ foi formalizado durante a Rio+20 para que fosse um órgão “paragovernamental”.

“O centro nasce não para ter consenso, tem que ser ambicioso, trazer novas ideias, influenciar a sociedade para a questão, um lugar de livre pensar”, disse a ministra. “Será um local para pensar o desenvolvimento sustentável, um modelo inovador de desenvolvimento de ideias, com a participação da sociedade, governos e especialistas”, declarou a ministra.

Izabella lembrou que a Rio+20 mudou a relação do Brasil com as Nações Unidas para melhor. O novo centro é exemplo disso. “Foi um upgrade”, disse ela, ao apostar que o centro seja também liderança no debate sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

O centro tem apoio de mais de 20 instituições nacionais e estrangeiras: reunirá cientistas do mundo todo para encontrar as melhores soluções sustentáveis e inclusivas para o planeta. O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), no Fundão, zona norte do Rio de Janeiro, será o local temporário do centro pelos próximos dois anos.

Rebeca Grynspan disse que o novo espaço poderá interferir positivamente nas discussões intergovernamentais que culminam em setembro de 2014 na sede das Nações Unidas. “Até agora tem sido muito difícil reunir as interdisciplinaridades das agendas e o centro tem a missão de contribuir para a convergência dos temas, como o da erradicação da pobreza e do desenvolvimento sustentável”, disse ela.

O coordenador do centro, designado pelo Pnud, Rômulo Paes, informou que os aportes iniciais para os projetos são da ordem de US$ 4,5 milhões, de um pool de contribuidores da Rio+20, mas que também estão sendo feitas parcerias público-privadas para o desenvolvimento de pesquisas sustentáveis.

“Teremos pesquisadores de várias instituições visitando o centro. Vamos trabalhar em rede e receber diversos pesquisadores que possam contribuir para a produção de conhecimento”, contou ele.

O espaço tem, por enquanto, cinco servidores do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A sede permanente deve ser construída no centro do Rio. Segundo o coordenador do projeto, a ideia é que seja construído de maneira 100% sustentável.

Dentre os parceiros, estão incluídos as entidades brasileiras Fundação Getulio Vargas e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O secretário de Ambiente do estado do Rio e ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lembrou que os assuntos debatidos no seminário internacional e que as ações do novo centro refletem alguns dos anseios da multidão que tem se manifestado nas ruas do Brasil.

“Esses temas estão interligados com grande parte da voz das ruas. Sustentabilidade é ter saúde boa, ter transporte sem emitir carbono e com um mínimo de conforto. Não adianta ter estádio com padrão Fifa e outros serviços com padrão sub-Fifa”, declarou ele.

Minc informou que o governo abriu mão de cerca de R$ 7 milhões anuais da conta de luz da Coppe para criar um fundo para desenvolver energia solar dentro da UFRJ, entre outros projetos sustentáveis.

Minc chamou a atenção para a proposta de que as universidades e escolas técnicas abram mais espaços de pesquisas que dialoguem com o novo centro da Organização das Nações Unidas no Brasil.

Fonte: Agência Brasil

Professor desperta em alunos inspiracoes da natureza para projetos sustentaveis

biomiméticaMostrar aos alunos como a natureza “faz” negócios e oferece soluções para problemas do dia a dia é uma missão prazerosa para o professor do Departamento de Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Fred Gelli.

Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em biomimética*, ciência que busca inspiração e aprendizado na natureza para projetos sustentáveis em várias áreas do conhecimento, como desenho industrial, arquitetura e engenharia, o professor avalia que a resposta dos alunos é cada vez mais positiva. Ele transforma as aulas em um lugar para pensar e acaba ampliando a discussão para a perspectiva de transformação. E aí, a biônica é o ponto central. “A natureza é fonte de resposta para qualquer problema”, assegurou Gelli à Agência Brasil.

O professor citou o caso do leão, que precisa de um território de pelo menos 30 quilômetros quadrados para poder viver bem. “É o lucro dele. Só que existe uma sabedoria universal que faz com que ele entenda que, para existir, o seu vizinho tem que ter o seu próprio lucro. Porque sabe que, se esses caras deixam de existir, o sistema do qual ele depende e ele próprio podem ficar ameaçados”, disse.

No caso do jeito humano de fazer negócios, segundo ele, a conclusão é que “o homem quebrou esse equilíbrio fino entre competição, que é necessária para as coisas evoluírem, e cooperação”. O desequilíbrio dessa lógica foi causado pela ganância, que priorizou a maximização do lucro e a minimização dos custos a qualquer preço. “Esse tipo de pensamento vai contra a lógica da natureza de entender que você precisa garantir a geração de valor para todo o ecossistema do qual faz parte”. A isso se denominam negócios de valor compartilhado, enfatizou Gelli. Ele acredita que esse será o jeito de fazer negócios no futuro.

Quando era ainda aluno da PUC, Fred Gelli e sócios fundaram, em 1989, a empresa Tátil, que nasceu do seu projeto de graduação sobre o jeito da natureza de embalar as coisas. Um trabalho desenvolvido àquela época pela empresa nascente foram embalagens feitas de material reciclado que dispensavam cola e se inspiravam no encaixe dos ossos humanos. A preocupação da empresa com a ecoinovação é grande. A empresa conta, entre seus funcionários, com uma bióloga que auxilia no desenvolvimento de embalagens com baixo impacto ambiental.

No ano passado, Gelli desenvolveu, com apoio da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, um projeto que visava a entender justamente como os negócios são processados pela natureza. A ideia era criar um banco de inspirações para qualquer pessoa interessada em criar algo a partir de organismos bióticos. Esse banco está em andamento o tempo todo, porque não tem fim, ressaltou Gelli. Chamou a atenção, porém que embora o conceito seja original, a perspectiva é óbvia.

“Quando você olha para qualquer ecossistema como fonte de inspiração para pensar nessa perspectiva dos negócios, a gente está falando de um grande ambiente de trocas, assim como ocorre nos nossos ambientes de negócio”. A diferença é que, na natureza, o ambiente nessas trocas é sustentável, apesar de cada elemento ter o seu lucro para poder sobreviver. “Existe ali um balanço interessante entre competição e cooperação”.

Fred Gelli explicou que de maneira intuitiva, o homem, desde o tempo das cavernas, sempre olhou a natureza como fonte de inspiração para os problemas diários. Em vez de ater-se ao termo biomimética, que foi cunhado em 1997, o professor prefere falar de inspirações em soluções naturais. “É mais abrangente, inclusive, porque você inclui o que é biônico ou biótico, ou seja, as experiências e inspirações que vêm de organismos vivos, e também inspirações que vêm de referências abióticas”.

Um exemplo de referência abiótica são os cristais de rocha que podem, segundo Gelli, ser uma inspiração interessante para uma série de soluções de um jeito da natureza de resolver, nesse caso, problemas estruturais.

A biomimética significa, então, o aproveitamento da experiência que a natureza vem experimentando há 3,8 bilhões de anos, para “criar soluções para problemas muito parecidos cm os que nós temos no nosso dia a dia”. A evolução da ideia e do princípio contidos na natureza foi sendo amadurecida durante milhões de anos e o homem pode observar essas ideias e trazê-las para uma ação concreta hoje. E com uma vantagem, ressaltou Gelli. “Deus não cobra direito autoral de ninguém”, disse .

O professor destacou também que as inspirações podem vir de fontes diferentes e trazer soluções para qualquer área do conhecimento. Um exemplo clássico é o velcro, que foi inspirado nos carrapichos, que são sementes que grudam nos animais para pegar carona e espalhar as espécies. Há soluções mais estratégicas, buscando entender como a natureza “faz negócios”, observando-se como ela equaciona e faz relacionamentos.

“É um campo infinito de possibilidades”, disse Gelli. Completou que se trata de um “desafio monumental”. Na avaliação do professor da PUC-RJ, esse banco de ideias está aí, à disposição de todas as pessoas para que elas possam ir beber nessa fonte.

Fonte: Agência Brasil

Polegar para cima  Saiba mais sobre Biomimética* aqui no blog em "Biomimética: Produtos inspirados pela natureza dobram a cada ano no mercado"

Concurso alemão premia jovens que pesquisam soluções sustentáveis

Green_TalentsA quinta edição do concurso Green Talents – International Forum for High Potentials in Sustainable Development, promovido pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF), está com inscrições abertas até 9 de junho.

O concurso premiará 25 jovens cientistas de todo o mundo que busquem soluções para questões relacionadas à pesquisa de sustentabilidade. Os ganhadores terão oportunidade de conhecer e trocar opiniões com os principais especialistas da atualidade nesse campo na Alemanha.

Na edição de 2012, apenas um brasileiro ficou entre os vencedores: o químico Antônio Otávio de Toledo Patrocínio, então com 29 anos, professor de Química Inorgânica na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), de Minas Gerais, com uma pesquisa sobre abordagens moleculares para a conversão de energia solar.

Os vencedores do concurso serão convidados para um fórum científico ao longo de duas semanas na Alemanha no segundo semestre de 2013, quando conhecerão alguns dos principais centros de desenvolvimento sustentável daquele país e poderão trocar ideias com colegas e cientistas seniores. De acordo com a organização, os jovens também poderão discutir seus trabalhos em reuniões individuais com especialistas de sua escolha.

No ano seguinte ao fórum – ou seja, em 2014 –, os vencedores serão convidados a retornar à Alemanha para uma estadia de pesquisa adicional de três meses em um instituto ou empresa de sua escolha.

No júri deste ano estão, entre outros, a professora Beate Jessel, presidente da Agência Federal da Alemanha para a Conservação da Natureza, e Marlehn Thieme, diretora do Deutsche Bank e presidente do Conselho Alemão para o Desenvolvimento Sustentável (RNE).

Mais informações: www.greentalents.de/8.php

Folheto em português (pdf): Press Release Portuguese

Fonte: Agência FAPESP

ONU apoia gestão participativa e regulamentação de reservas extrativistas na Amazônia

extrativismoO Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) desenvolveram uma iniciativa que ajudará a afirmar no mapa das políticas públicas algumas comunidades do Brasil que por muito tempo estiveram à margem do desenvolvimento.

O projeto “Gestão de Reservas Extrativistas na Amazônia Brasileira”, financiado pela embaixada da Noruega, garantiu estruturas básicas de organização popular e o zoneamento das terras em 22 reservas extrativistas da Amazônia.

As reservas extrativistas são um modelo de Unidade de Conservação (UC) criado no Brasil, fruto da luta dos trabalhadores destas áreas – tais como o próprio Chico Mendes, assassinado por defender a causa desta população.

Nestes territórios, a sinergia entre homem e natureza é um exemplo de sustentabilidade, pois as comunidades têm a consciência de que a floresta é fundamental para o desenvolvimento humano da região. Ainda este ano, o ICMBio vai lançar o Plano Nacional de Fortalecimento do Extrativismo, integrado por representantes do governo e da sociedade civil, que ampliará os debates e a estruturação de propostas de apoio à pauta extrativista.

Sete Estados brasileiros abrangidos

As primeiras atividades do projeto, inicialmente propostas para apenas cinco reservas, começaram em 2009.

Com o objetivo de realizar a regularização fundiária para a delimitação de algumas das reservas, desenvolver a gestão participativa e fortalecer a produção sustentável das reservas extrativistas, o projeto conseguiu atingir um número quatro vezes maior de reservas da região amazônica do que o previsto, abrangendo os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia e Tocantins.

O primeiro desafio do projeto foi a consolidação territorial das reservas. Todas elas tiveram suas bases cartográficas revisadas. Isso permitiu a elaboração de mapas básicos de planejamento para estas regiões, auxiliando na sinalização e demarcação de alguns destes territórios, por exemplo.

Para o Representante Residente do PNUD e Coordenador Residente do Sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek, os ganhos destas comunidades que vivem do extrativismo vão além do que se pode quantificar.

Durante um evento que apresentou os resultados da iniciativa, ele lembrou que o principal indicador do sucesso do projeto só poderá ser visto daqui a cinco anos, com a consolidação das ações. Chediek espera que “estas 15 mil famílias que moram nas 22 áreas sejam atores e exemplos deste modelo de desenvolvimento global do qual o mundo precisa urgentemente.”

Saiba mais clicando aqui.

Fonte: onu.org.br

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