Relatório da ONU aponta 2012 como nono ano mais quente desde 1850

407620-arcticiceEste ano entrou para os recordes como o nono em temperaturas mais altas desde 1850, apesar do efeito do La Niña, um fenômeno meteorológico que deveria ter uma influência de resfriamento sobre a atmosfera da Terra, diz um novo relatório das Nações Unidas. As altas temperaturas foram acompanhadas pela fusão sem precedentes de gelo do mar Ártico e extremos climáticos que afetaram muitas partes do mundo.

Os resultados estão entre os destaques do Comunicado Provisório sobre o Estado Global do Clima em 2012 da Organização Metereológica Mundial (OMM), que fornece um resumo anual do tempo e eventos climáticos ao redor do mundo.

O documento foi lançado na Conferência de Mudança Climática da ONU, (COP18) em Doha, no Catar, onde centenas de representantes de governos, organizações internacionais e da sociedade civil estão reunidos para discutir maneiras de reduzir as emissões globais de carbono e o aquecimento global. As atualizações e valores finais do relatório de 2012 serão lançados em março.

A mudança climática está ocorrendo diante de nossos olhos, e continuará ocorrendo como resultado das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, que têm aumentado constantemente e alcançaram novamente novos recordes “, afirmou o Secretário-Geral da OMM, Michel Jarraud.

Eventos extremos notáveis foram observados em todo o mundo durante o período de janeiro a outubro de 2012, afirma o relatório, incluindo ondas de calor na América do Norte e Europa, a seca nos Estados Unidos, China, Brasil e partes da Rússia e da Europa Oriental, inundações na região do Sahel , Paquistão e China, e neve e frio extremo na Rússia e na Europa Oriental.

Além disso, a bacia do Atlântico também sofreu uma temporada de furacões acima da média pelo terceiro ano consecutivo, com um total de 19 tempestades e 10 furacões, o principal deles sendo o Sandy, que causou estragos em todo o Caribe e na costa leste dos EUA. O Leste da Ásia também foi severamente impactado por tufões poderosos, o maior sendo o Sanba, que atingiu as Filipinas, o Japão e a Península Coreana.

Fonte: onu.org.br

O inexplicável Catarina, o primeiro furacão no Brasil: Estamos preparados para as mudanças climáticas?

Foto 3D: Catarina na costa Brasileira

Em 2 de abril de 2004 foi produzido um artigo pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos) sobre o Catarina, logo após este furacão ter atingido o litoral sul do Brasil em 28 de março de 2004. O título The Nameless Hurricane (O Furacão Sem Nome) se explica pelo fato de jamais ter sido preparada uma lista de nomes para ciclones tropicais no Atlântico Sul, já que até então se acreditava ser impossível um furacão nesta região.

As listas de nomes são preparadas por centros regionais previamente definidos pela WMO (Organização Meteorológica Mundial). Já o nome Catarina foi dado por meteorologistas brasileiros e acabou se popularizando, sendo adotado inclusive por algumas instituições internacionais.

Imagens de satélite do Catarina

No artigo, Robbie Hood, pesquisadora de furacões da NASA, diz “Isto apanhou realmente todos desprevenidos, não é para furacões ocorrerem nessa parte do mundo.” Satélites meteorológicos têm orbitado a Terra há mais de 40 anos. Durante esse tempo, localizaram furacões (também chamados “tufões” ou “ciclones”) no Oceano Atlântico Norte, e em ambos os lados do Equador nos Oceanos Pacífico e Índico, mas nunca antes no Atlântico Sul.

Quando a tempestade atingiu o Brasil, observadores locais nem tinham mesmo a certeza de que era um furacão. O Brasil não tem uma rede de estações meteorológicas estabelecidas em terra para medir os ventos e as chuvas das tempestades tropicais. “Não há caçadores de furacões no Brasil,” acrescenta Hood. “As tempestades são tão raras.”

Trajetória do Catarina

O Catarina veio como um alerta: mudanças climáticas importantes estão ocorrendo em todo o mundo e se nós no Brasil não começarmos a prestar atenção, a estudar e combater suas causas conjuntamente com todos os outros países, seremos novamente pegos de surpresa por um outro furacão “sem nome”… O Catarina causou prejuízos que devem ser lembrados: 500 casas arruinadas, barcos de pesca afundados, e pelo menos duas pessoas mortas e mais de 1500 pessoas desalojadas. Não tínhamos plano de evacuação e informações de procedimentos de emergência preparados.

O que temos feito então desde 2004? A história têm se repetido com outros problemas e resultados semelhantes, chuvas torrenciais e secas, deixando milhares de desabrigados e mortos sob escombros dos deslizamentos. Medidas como planejamento urbano, contrôle meteorológico, planos de evacuação e atendimento médico e logístico às regiões afetadas têm de ser criadas e implantadas o quanto antes, ou ficaremos sempre à mercê do clima.

Com informações da Metsul – Publicado em Julho/2009 e atualizado em Fevereiro/2011

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