Diversificação cultural acelerou evolução fenotípica dos índios xavante

Os fenótipos de grupos humanos derivados de um mesmo ancestral recente podem ter ritmos variáveis de divergência dependendo da diversificação de fatores culturais e sociais.

A conclusão é de um estudo internacional com participação brasileira que terá seus resultados publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O trabalho teve participação de Tábita Hünemeier, Francisco Mauro Salzano e Maria Cátira Bortolini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sandro Bonatto, da Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e de cientistas de instituições do México, Argentina, Estados Unidos, Espanha e Suécia.

De acordo com o estudo, mudanças na estrutura social e nas práticas culturais têm potencial para promover combinações inusitadas de frequências de alelos, que impulsionam a evolução de novidades genéticas e fenotípicas durante a evolução humana.

Essas práticas culturais, segundo os pesquisadores, agem em combinação com barreiras geográficas e linguísticas e podem promover mudanças evolutivas mais rápidas, moldadas pelas interações entre genética e cultura. No entanto, os casos específicos que atestam esse tipo de interação são escassos, segundo o estudo.

Os pesquisadores demonstraram que os parâmetros quantitativos obtidos a partir de dados cefalométricos extraídos de 1.203 indivíduos – analisados em combinação com dados genéticos, climáticos, sociais e de história de vida de seis populações indígenas sul-americanas – são compatíveis com um cenário de rápida evolução fenotípica e genética, provavelmente mediada por mudanças culturais.

O estudo mostrou que os xavante experimentaram um ritmo notável de evolução: a taxa de mudança morfológica é muito maior que a esperada para a sua época de separação de seu grupo irmão, os caiapó, que ocorreu há cerca de 1.500 anos.

O trabalho sugere também que essa rápida diferenciação foi possível graças às fortes diferenças na organização social. Os resultados demonstram como os grupos humanos que derivam de um ancestral comum recente podem ter ritmos variáveis de divergência fenotípica, provavelmente em decorrência de diferentes fatores culturais e sociais.

Os autores sugerem que reunir os bancos de dados compostos que envolvem dados biológicos e culturais será uma tarefa de importância central para desvendar casos de evolução modulada pelo ambiente cultural.

O artigo Cultural diversification promotes rapid phenotypic evolution in Xavánte Indians (doi:10.1073/pnas.1118967109), de Tábita Hünemeier e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1118967109.

Fonte: Agência FAPESP
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